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Carreira e Recursos Humanos

A lingüística ajuda no entendimento das questões?

No processo da comunicação em todas as suas vertentes, do visual, escrita e afins vemos as suas variáveis a cerca da americanização de termos cada vez mais presentes em nosso país, haja visto a inserção do j,k.w em nosso alfabeto. Com certa relevância vemos a ausência da língua portuguesa em seu emprego correto de gramática ortografia e semântica, que devido ao regionalismo do Brasil, sua extensão territorial dificulta o bom emprego independente da classe social a presença da lingüística no entendimento das questões.

De acordo com a semântica, que é a estrutura composta dos fonemas, isto é, o conjunto de palavras que forma uma oração, produz o significado do raciocínio conceitual para todas as questões. A aplicação do conceito conhecido por “ o que é “ contribui para a definição de varáveis e duvidas sobre a determinada questão. A ambigüidade de duplo sentido denotativo traz as palavras uma grande dificuldade de associação e assimilação em seu contexto, que dependendo do roteiro, gera desconforto ao emissor, e principalmente ao receptor. Tudo isso atrelado a falta de fixação do significante ao significado que a semiótica estudada por Greimás condiz a falta de conhecimento das pessoas que não dão importância ao texto para entender o contexto. Os trechos de toda frase formam uma cadeia de fatores que trazem diversos valores em seus diversos tempos modais. O que é importante assimilar é a associação que o pequeno conceito da palavra traz a base estrutural para o entendimento da questão, já que o inicio de tudo começa pelo o que é.

Muitas vezes nós defrontamos com questões que detemos um grau majoritário de conhecimento, mas não detemos o mínimo de habilidade no manejo dessa mesma palavra. Tudo isso nada mais é de que falta de conceito lingüístico no entendimento da questão que se referencia.

Na razão do pensamento em nossas reflexões da produção cultural de conhecimento humano, não colocamos a devida dose de vírgula no entendimento das questões, isto é, paramos com o raciocínio pela metade, e não tentamos enxergar além das entrelinhas sob a ótica do poema escrito pelo autor, pela pagina do livro lida. Certamente damos mais importância a tabulação que a gráfica usou para imprimir o livro, do que a reflexão que devemos fazer sob esse artigo.

O resultado de tudo isso é a falta de ligação nas palavras na hora de montarmos uma frase de efeito, ou quem sabe de impacto, que para uma apresentação verbal, traz um péssimo resultado do locutor no emprego de sua voz, que virá sem vida, sem teor e o pior de tudo sem lingüística aplicada a língua portuguesa.

Fica a pergunta: Deixamos a língua portuguesa, que é o terceiro idioma mais falado no mundo de lado, e partimos ao emprego errado do gerúndio no efeito telemarketing americanizado, ou damos valor a produção cultural da definição das palavras ....

Fagner Gouveia Bezerra
Consultor e Palestrante - Palestras e Treinamentos empresariais
Atua em treinamentos e consultoria de empresas
São Paulo/SP
Obs: Graduado em Logística Empresarial pelo Centro Universitário UNIFIEO e pós-graduando em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, cursou extensão cultural em Imagem, Comunicação e Oratória, pela Universidade Paulista UNIP, e participou do curso de extensão em Semiótica e Lingüística, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, além de integrar ao grupo de estudos semióticos da USP. Iniciou sua carreira em trabalhos sociais, proferindo palestras e treinamentos em ONGS e instituições não financeiras. Prestou serviços na Whirlpool Unidade de Eletrodomésticos em São Paulo, onde liderou equipe da gestão de estoques e da gestão de resultados, no trabalho de gerenciamento de indicadores, palestras e treinamentos voltados aos profissionais da área de logística.

Ansiedade Profissional

A ansiedade no trabalho pode fazer com que muitas pessoas deixem de aproveitar oportunidades profissionais e de usufruir as satisfações e os benefícios proporcionados pelo trabalho. Muitas vezes ignoramos os sintomas da ansiedade - as batidas aceleradas do coração, a respiração rápida e ofegante, o estômago contraído, a fala trêmula e os pensamentos desordenados e as mãos suadas. Tentar disfarçar ou fingir que nada está acontecendo, em curto prazo, pode causar mais problemas, como piora do desempenho e até o aumento da ansiedade e tudo isso, em longo prazo, limita ainda mais as chances de sucesso e a satisfação profissional.

Não é possível ficar totalmente seguro e ainda obter as coisas que trarão satisfação, é necessário assumir alguns riscos. Em outras palavras: precisamos nos colocar em situações de perigo ou risco, sair do comodismo.

Primeiro ato: luta e fuga

Essa reação é natural ao ser humano e pode até salvar vidas em situações extremas. A ansiedade em determinada quantidade auxilia a prever resultados negativos e evitá-los. O cérebro e o corpo permanecem programados com a reação de luta e fuga, quer as pessoas precisem ou não dessa energia de emergência. O que ocorre quando uma situação de trabalho estressante ou um temperamento facilmente excitável aciona continuamente a reação de luta e fuga em você? A reação de luta e fuga pode nos ajudar no trabalho.

Segundo ato: ansiedade da separação e medo de estranhos

Especialistas acreditam que essa primeira ansiedade da separação, aliada ao medo de estranhos, estabelece o padrão para reações de medo e ansiedade posteriores. Essas respostas iniciais criam uma base biológica que os adultos podem manifestar em muitos tipos de comportamento de fuga ou como uma necessidade de se apegar à segurança do que lhes é familiar.

O auto-conhecimento reduz a ansiedade

Uma das causas do estresse e da ansiedade no trabalho é a tensão habitual que surge quando pessoas com personalidades diferentes dividem o mesmo ambiente e acabam se chocando. Todos sentem a constante evolução da ansiedade, do atrito e as divergências podem, eventualmente, se transformarem em confronto.
Uma forma de cortar essas tensões logo no início é, primeiramente, avaliar suas verdadeiras características no trabalho e, então, criar um quadro daquelas que seriam ideais. Ao comparar seu "eu verdadeiro" com seu "eu ideal" você conseguirá estabelecer como alvo os comportamentos que deseja modificar e mudá-los pode facilitar as interações diárias com seus colegas e, dessa maneira, reduzir a ansiedade. Como você se vê no trabalho?

Risco, coragem e expectativa

Muitas vezes sentimos ansiedade ao enfrentar situações em que há possibilidade de perda, desapontamento ou mesmo ferimento e morte. A ausência de medo pode, algumas vezes, ser entendida como insensibilidade, estupidez ou imprudência, mas nunca deve ser confundida com coragem. A coragem é agir adequadamente mesmo quando você se sente receoso e, geralmente, é resultado do aprendizado. Você pode aprender a agir corajosamente.

Ansiedade antecipatória: o medo de riscos

Usar a imaginação para resolver problemas simples e cotidianos, em casa e no trabalho, e prever perdas e ganhos é tão natural que muitas vezes não percebemos que possuímos essa capacidade. Quando a reação é de temor diante da antecipação de um perigo previsto ou imaginado é a ansiedade antecipatória que pode se tornar um problema por si só. Ela traz o desconforto de sentir que é um mau negócio apresentar-se voluntariamente para um novo projeto, que é perigoso solicitar melhores benefícios profissionais e imprudente transferir-se para um novo departamento.
Você sente que o risco é grande demais e opta por evitar o desconforto físico baseado no uso preliminar de sua forte imaginação. Você pode, entretanto, aprender a dominar sua própria imaginação controlando os riscos, corajosamente!
Que fatos poderiam acontecer no trabalho que fariam seu sangue gelar? O seu maior medo é ser repreendido diante de todos? Ou é ser demitido ou rebaixado?
O mundo profissional, certamente, contém pressões específicas que as pessoas devem combater com sua própria energia. Há prazos a cumprir, pedidos urgentes a atender, normas governamentais a serem seguidas, documentos a serem preparados ou digitados, correspondência a ser enviada - milhares de pressões diferentes.
A maioria das pessoas, entretanto, geralmente é estimulada ou estressada em excesso. A mensagem que seus cérebros recebem é: produza mais energia, mais rapidamente! Porém, quanto mais rápido o ritmo, maior é a dificuldade em mantê-lo e mais intensamente o sistema nervoso é energizado. Aí ficamos com energia nervosa em excesso.

Até que ponto você está estressado?

Utilize a lista a seguir para determinar a quantidade de estresse com que lida no trabalho. Marque os itens que se aplicam a você no trabalho.

Lista de estresse

(   ) 1. Sinto-me extenuado, com freqüência.
(   ) 2. Meu trabalho segue uma programação rígida.
(   ) 3. Meu desempenho é cuidadosamente monitorado.
(   ) 4. Erros podem causar grandes problemas.
(   ) 5. Tenho poucas opções em relação a minhas tarefas.
(   ) 6. Posso ser responsabilizado se algo sair errado.
(   ) 7. Meu trabalho inclui momentos atarefados periódicos.
(   ) 8. Muitas vezes, esperam que eu trabalhe sem ajuda suficiente.
(   ) 9. Meus supervisores acham fácil acrescentar tarefas-extras.
(   )10.Esperam que eu faça horas-extras sempre que necessário.

Se você marcou até dois itens, é provável que não tenha muita ansiedade excedente (embora alguns dias ou semanas possam ser piores que outros).
De três a cinco itens marcados indicam um estresse habitualmente muito alto. Definitivamente, há perigo de que o estresse no trabalho aumente sua sensação de ansiedade (e, talvez, aumente os problemas em casa).
Se você marcou mais de cinco itens, trabalha num emprego altamente estressante. Considerando a quantidade de pressão com a qual tem que lidar, você precisa encontrar alívio com urgência. Além da ansiedade, você corre o risco de ser vítima de ataques cardíacos precoces e outras enfermidades. Um nível elevado de estresse pode, na verdade, ser pré-ansiedade.
Até mesmo as pessoas com baixo nível de estresse podem sentir a energia nervosa vinda de estresse relacionado ao trabalho interferindo em seu desempenho profissional.

Mudança de padrão

Tente transformar o medo em interesse por outras situações de trabalho, o que irá contribuir muito para reduzir a ansiedade. Você tem receio de cometer erros de ortografia ou gramática nos relatórios ou e-mails que digita ou prepara? Se transformar esse medo em um intenso interesse na história e na gramática, por exemplo, poderá constatar que esse conhecimento abrandará seus temores.

Medo da irritação

Algumas pessoas ficam de tal maneira perturbadas pelas sensações de ansiedade que atacam seus medos. No ser humano os estímulos produtores de ansiedade costumam ser, predominantemente, de origem interna e pessoal, decorrentes da valoração individual que a pessoa atribui à sua realidade e aos fatos que se depara no dia-a-dia. Muitas vezes, os estímulos necessários para determinar a ansiedade vêm de origens externas, que se devem à sucessão de acontecimentos de nossa vida aos quais temos que nos adaptar e internos, quando se originam dentro de nós mesmos, de nossos medos, nossos pensamentos negativos e nossas inseguranças.
Existem saídas para amenizar os sintomas da ansiedade e até descobrir uma forma de conviver bem com ela. Uma das alternativas pode ser o acompanhamento por terapia que pode ensinar a melhor maneira de lidar com a ansiedade excessiva e a interpretar a realidade de uma maneira mais saudável. Com o tratamento, a pessoa aprende a lidar com a ansiedade e pode até evitar novas crises e fica pronta para enfrentar as situações da vida sem o perigo constante de uma ameaça.
Atividades relaxantes, como meditação, massagem e ioga, também ajudam a acalmar, mas não resolvem o problema.

Katia Horpaczky
CRP 41.454-3
Atua em psicologia clínica e organizacional
São Paulo/SP

Características pessoais constroem seu perfil profissional

É interessante lembrar que o nosso perfil é construído a partir de nossas vontades, desejos, sonhos, metas, objetivos e o mais importante nossa experiência. Muitas vezes pela dificuldade do mercado de trabalho no que se entende por falta ou excesso de profissionais e pela competitividade intra-organizacional, somos forçados a nos adaptar em uma área de gestão que não é nosso metiê, daí nasce o empasse e com a falta de foco nas realizações profissionais surge o conflito em nossos próprios valores profissionais. Tudo aquilo que aprendemos na escola, no cursinho, no esporte, e na vida social estudantil, serve como principio na definição de nossos propósitos e a formatar nossas idéias, para depois do sucesso profissional transforma-las em ideal, no rol de realizações.

Os primeiros sinais da nossa personalidade mostram os traços da habilidades que são potenciais para o perfil que iremos construir, podendo ser adaptadas através da gestão do conhecimento, produção cultural, ou desenvolvendo técnicas que auxiliam na capacitação humana.

Para essa construção acontecer de forma concreta (literalmente), é necessário um planejamento eficiente e analítico, visão de futuro, realismo no levantamento de cada tijolo, representando esforço, vontade, suor, garra, gana, para termos a casa de nossos sonhos.

Fagner Gouveia Bezerra
Consultor e Palestrante - Palestras e Treinamentos empresariais
Atua em treinamentos e consultoria de empresas
São Paulo/SP

Obs: Graduado em Logística Empresarial pelo Centro Universitário UNIFIEO e pós-graduando em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, cursou extensão cultural em Imagem, Comunicação e Oratória, pela Universidade Paulista UNIP, e participou do curso de extensão em Semiótica e Lingüística, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, além de integrar ao grupo de estudos semióticos da USP. Iniciou sua carreira em trabalhos sociais, proferindo palestras e treinamentos em ONGS e instituições não financeiras. Prestou serviços na Whirlpool Unidade de Eletrodomésticos em São Paulo, onde liderou equipe da gestão de estoques e da gestão de resultados, no trabalho de gerenciamento de indicadores, palestras e treinamentos voltados aos profissionais da área de logística.

Conversando sobre mudanças organizacionais

Compreender o que realmente significam as mudanças organizacionais é um passo crucial para as empresas e seus gestores. É preciso identificar suas profundidades e extensão de forma que sejam sustentáveis e tenham o caráter de valor coletivo. A falta de significado para as mudanças, mudar por mudar, apenas nos leva a ser os mesmos.

1) Muito se fala sobre a necessidade de mudanças nas empresas. Como uma empresa pode administrar as mudanças?

Acredito que na primeira pergunta já temos algo fundamental a se discutir: o que é mudar e o que é aprimorar? Entendo que mudar é algo que possa tornar o objeto diferente de suas características iniciais ou da sua localização dentro do tempo e do espaço. Quando isto acontece, normalmente, as pessoas encaram de forma natural ou aceitam. O mais difícil é administrar discursos onde várias coisas são faladas e nada de concreto acontece, o que é a maior parte dos casos nas empresas.

Como profissional, prefiro utilizar o conceito de aprimoramento, uma vez que se tratam de situações onde as alterações são lentas e graduais. Creio que os maiores transtornos aconteçam nos processos de aprimoramento. Ou seja, nas situações onde é necessário que as pessoas aprendam novos conceitos para produzir conhecimentos maiores do que os já estabelecidos.

Quando se fala em mudanças o que mais causa ansiedade e, por conseguinte, resistência, é a falta de explicações e definições para onde se irá mudar. Não existe uma forma única de administrar o processo de mudança e as resistências decorrentes da mesma. É fundamental, sim, estabelecer, com a melhor exatidão possível, aonde se quer chegar, como vai chegar e o que cada um "ganha e perde" nesse processo.

2) Em sua opinião, esta é uma boa hora para as mudanças empresariais?

As mudanças empresariais não estão alicerçadas exatamente a um momento de crise de mercado ou situação de instabilidade político-econômica. As mudanças são sempre de ordem interna, estão relacionadas ao tempo de cada organização e não exatamente aos cenários. Confunde-se mudança com adaptação. No Brasil, a maior parte das empresas caminha pelos campos da adaptação e, por isso, o tema mudança é algo que se identifica com uma falácia. Todas as empresas falam em mudanças, mas não saem do lugar. A repetição deste comportamento acaba por construir um extrato cultural altamente prejudicial às necessidades do mundo pós-industrial, pois produz pessoas altamente resistentes, cujo discurso não é compatível com a prática.

3) Mas este não lhe parece um momento de precaução, de pisar no freio?

Todos os momentos exigem cuidados, mesmo na euforia, pois não temos o controle das contingências. Porém, a diferença entre acionistas e empreendedores está em sua atitude, na sua capacidade de decidir e construir, a partir do presente, um futuro melhor. Empreender não é um exercício tecnocrático.
Se eu fosse relembrar a história da Formiga e da Cigarra, lhe diria que no Brasil vivemos mais como cigarras do que como formigas, jogando muita conversa fora ao invés de realmente mudar a nossa sorte.

4) Como uma empresa pode motivar os seus funcionários para as mudanças necessárias diante de um cenário de incertezas políticas e, agora, até mesmo de segurança?

Em primeiro lugar abordando de forma clara a sua estratégia: o que se quer, como deseja conseguir, por que é importante esta conquista e como deseja estar em um determinado espaço de tempo. Sem estes elementos, qualquer comunicação não se desenhará como uma declaração honesta. Daí é possível se descolar dos cenários como um elemento de definidor das ações e realmente construir o futuro, baseado nas ações do presente; com todos os envolvidos conhecendo as vantagens e os riscos inerentes a qualquer processo de mudança. Esta é a regra do jogo e não tenha dúvida que seja lá qual for o resultado, o crescimento profissional existirá.

5) Diante de mudanças que os funcionários julgam prejudiciais, o que fazer para que seus rendimentos e o medo não atrapalhem o andamento de uma empresa?

Dependerá das relações anteriores já estabelecidas entre empresa e funcionários e da cultura organizacional presente. Entretanto, a linha da honestidade e da clareza deve sempre ser mantida. Nem sempre é assim que acontece, pois sob o aspecto da empresa, como instituição, também existe um medo de perda de controle em função das novidades inerentes ao próprio processo de mudança. É fundamental imaginar que cada empresa ou segmento poderá ter suas particularidades.

Imagine que se esteja administrando um grupo de cortadores de cana. A linguagem e forma de conduta são bastante rudimentares. Neste caso, as mudanças que vão direto ao assunto tendem a ser mais eficazes. A cultura organizacional deste segmento é sutil e devastadora, pois os funcionários têm pouca argumentação e força intelectual. Não vou aqui emitir minha opinião se isto é certo ou errado, mas é o que acontece. Numa empresa neste estágio de evolução a comunicação é menos democrática e suas mudanças acontecem, quase que exclusivamente, pelas convicções da alta direção, sendo que, neste caso, os líderes de campo cumprem a importante função de ser o elo de comunicação entre os vários níveis hierárquicos.

Agora imagine uma grande mudança em uma empresa de desenvolvimento de softwares. Certamente, as explicações e formas de conduzir o processo de mudança deverão ter uma argumentação mais sólida e a empresa deverá medir o que ela perderá se os funcionários não incorporarem o novo modelo. Neste caso, a cultura organizacional tende a perpetuar as relações que preservem ou aumentem as condições de conhecimento individual ou das equipes.

Portanto, apesar de ações diferentes, é fundamental estabelecer o que vai acontecer e aonde a empresa quer chegar. Para cada circunstância deve-se utilizar a comunicação mais apropriada, porém sem perder a firmeza de propósitos e dos objetivos finais.

6) Qual o diferencial competitivo que uma empresa precisa ter e o que o RH pode contribuir para isso?

Isso dependerá de cada mercado, das condições de competição e das estratégias estabelecidas. Por exemplo, se as estratégias de uma determinada empresa é de preço (menor custo), RH deverá ter papel fundamental como facilitador da padronização de processos. Em uma empresa calcada em pesquisa e desenvolvimento, a gestão do conhecimento deve ser um dos pontos-chave da preocupação de RH, assim como a manutenção de talentos. Enfim, o papel de RH deverá variar de acordo com a estratégia estabelecida pela empresa. Ele deve ter a flexibilidade de quem dança com elefantes e formigas.

7) Em um processo de mudança, o que pode trazer maior temor para os funcionários?

As questões relativas ao aumento de produtividade e de redução de custos. O temor é que este processo tende-se a reduzir o quadro de pessoas, uma vez que a relação básica nestas contas é de mão-de-obra e não cabeça-de-obra.

No final do ano passado passei por esta situação. Durante 5 anos a empresa trabalhou para melhorar a produtividade através das pessoas, ou seja, tornar as equipes mais capacitadas para que pudessem produzir mais e de forma inteligente. Contudo, a posse de uma nova diretoria entendeu que poderia reduzir custos reduzindo o número de pessoas e fez disto uma forma de marcar a sua gestão. Fizeram uma super festa para anunciar as novidades da gestão e o que efetivamente aconteceu foi o corte imediato de pessoas altamente qualificadas. Foi uma comunicação perversa e vejo que hoje a direção tem muita dificuldade em manter a relação de honestidade junto aos colaboradores. A confiança ficou arranhada. A busca do resultado no curto prazo e completamente destituído de valores e senso estratégico deixou uma ferida que ficará latejando por um bom tempo.

Não é possível estabelecer compromissos de crescimento sem uma relação verdadeira de confiança, seja dentro de empresas, seja entre países, como são os atuais acordos regidos pelo MERCOSUL.

8) Como a área de RH pode evitar as resistências às mudanças para que seus funcionários não prejudiquem o andamento das atividades da empresa neste momento tão conturbado?

Para esta questão, cabe uma outra pergunta: Será que o RH deve evitar ou compreender as resistências para permitir a aproximação e as convergências? Evitar a resistência é um caminho disfarçado para a manutenção do status quo - tudo como sempre foi, em sua essência. Não enfrentar a resistência de forma corajosa e compreensiva é conversa pra boi dormir. Já passamos da hora de mudar as nossas empresas e instituições públicas, caso não queiramos conhecer seus maiores efeitos econômicos e de qualidade de vida em um futuro próximo.

Marcus Vinicius Pereira de Oliveira
Psicólogo Organizacional
CRP 75.799
Atua em treinamento e consultoria de empresas
Osasco/SP

Obs: Marcus Vinicius P. Oliveira - Psicólogo organizacional e especialista em Qualidade & Produtividade. Palestrante e consultor de empresas e na área de comportamento organizacional. Idealizador de treinamentos e palestras musicadas para empresas (workshows). Autor do livro de bolso "O passo além da competição". Diretor da Liner Consultoria.

Equipe ou euquipe ???

É muito comum nos dias atuais os profissionais atuarem em suas empresas por projeto independente do status e da posição atual. As organizações precisam se organizar em um período constante de mudanças tecnológicas no efeito da globalização. Com isso, nasce a necessidade de ampliar conceitos na administração estratégica de recursos e politicas de relacionamentos entre clientes, parceiros e fornecedores.

Na comunicação contemporânea, podemos observar que na pratica as empresas buscam profissionais dinâmicos, didáticos, com bom relacionamento para atuarem em projetos, independentemente do tamanho e porte da empresa. Aí surgem os marqueteiros no que se entende por marketing pessoal, de relacionamento, resultados, enfim, uma ampla gama de profissionais que procuram mostrar suas aptidões e habilidades nos projetos.

Quando esses profissionais podem se tornar prejudiciais ? Como agir, e como se comportar com esse perfil de pessoas ? Seriam verdadeiramente diplomatas ? Ou são na verdade "puxadores de tapete" ? Para essas e outras perguntas temos basicamente uma resposta. Pensar em equipe, é a solução para o networking, benchmark, porém esses profissionais que foram destacados, são profissionais que pensam "euquipe" !

Existem técnicas de pnl - programação neuro-lingüística, de mapeamento mental que podem ajudar a distinguir os bons dos maus profissionais. Na verdade a política de gestão que devemos adotar, é manter um comportamento uniforme para todos os escalões da hierarquia em um projeto. Isso mostrará a equipe que a sua palavra é a sua verdadeira condição. O equilíbrio nessa linha de raciocínio é a chave do sucesso. As vezes é preciso uma dose de diplomacia aplicado aos seus valores. Outrora é necessário um pouco de sensacionalismo gerenciado por seu ponto de vista.

Em suma, a boa comunicação é a chave para alcançar os resultados pretendidos pelo projeto, e para isso é necessário pensar em equipe, além de manter um relacionamento produtivo e amistoso utilizando o senso comum de seu comportamento, mas sempre pensando em equipe, e nunca em euquipe que nada mais é que usar o trabalho dos outros membros do grupo na promoção individual de seu sucesso.

Fagner Gouveia Bezerra
Consultor e Palestrante - Palestras e Treinamentos empresariais
Atua em treinamentos e consultoria de empresas
São Paulo/SP

Obs: Graduado em Logística Empresarial pelo Centro Universitário UNIFIEO e pós-graduando em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, cursou extensão cultural em Imagem, Comunicação e Oratória, pela Universidade Paulista UNIP, e participou do curso de extensão em Semiótica e Lingüística, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, além de integrar ao grupo de estudos semióticos da USP. Iniciou sua carreira em trabalhos sociais, proferindo palestras e treinamentos em ONGS e instituições não financeiras. Prestou serviços na Whirlpool Unidade de Eletrodomésticos em São Paulo, onde liderou equipe da gestão de estoques e da gestão de resultados, no trabalho de gerenciamento de indicadores, palestras e treinamentos voltados aos profissionais da área de logística.

O impacto da comunicação nos funcionários

Uma comunicação bem estruturada e efetiva provoca impacto positivo no desempenho individual dos colaboradores

Não obstante todo o progresso tecnológico, é preciso levar em conta uma verdade fundamental. O homem, para produzir e sobreviver, necessita da comunicação. Comunicar-se com seu semelhante está na base de qualquer relacionamento humano. E mais: quanto maior for o entendimento entre as pessoas, melhor será o bem-estar proporcionado a elas e mais produtivas elas serão.

Diante dessa perspectiva, as organizações modernas, de grande ou pequeno porte, devem orientar-se, lembrando que sua maior força produtiva, de muito mais valia do que suas máquinas, são seus funcionários. A eles deve ser dada toda a atenção, para que convivam em harmonia, conheçam os objetivos pelos quais trabalham e possam ser produtivos pela sua atuação em equipe. E o que pode produzir essa ligação entre as pessoas é a comunicação.

Diversos sentimentos negativos podem surgir dentro da organização quando ela não se preocupa em criar um eficiente processo permanente de comunicação com os empregados. Um sistema ineficiente de comunicação pode causar frustração entre os funcionários por se sentirem, de certa forma, menosprezados; e ansiedade por se verem diante do desconhecido, o que acaba provocando medos e incertezas quanto à segurança no emprego.

Em um ambiente fechado de trabalho, no qual centenas de pessoas dependem da confiança que depositam umas nas outras para o cumprimento de suas tarefas, a existência de um quadro psicológico negativo ou inseguro diminui a concentração e a motivação para o trabalho, provocando irritação e muito estresse em quem deve atender a programas rígidos de produtividade.

Hoje, a importância estratégica da comunicação nos negócios tornou-se tão grande que é muito difícil uma organização manter seus níveis de produtividade e lucratividade sem que se institua internamente um excelente processo de informação e diálogo com seus funcionários. A existência de boa comunicação na empresa motiva a boa execução das tarefas, elimina as incertezas, as ambigüidades e produz confiança e segurança.

Para ser eficaz, o processo de comunicação não pode ser tratado como algo sazonal. Ao contrário, precisará ser permanente, acurado, adequado ao contexto em que vivem os colaboradores. Ou seja, os empregados necessitam de uma comunicação "just-in-time", isto é, a informação certa, na medida certa e no tempo certo para executarem com êxito suas tarefas.

A propósito, é bom lembrar um conceito de Michael P. Levine e Wright Kozoles que, "quando os empregados são mantidos informados, tendem a se sentir mais satisfeitos com seus trabalhos, apresentam um moral de nível mais alto e são motivados a serem empregados produtivos". Como se vê, o impacto da comunicação sobre os empregados deve ser avaliado de maneira muito mais profunda e crítica para que as empresas atinjam suas metas em parceria com seus funcionários. Continua sendo verdadeiro afirmar que a existência de um processo de comunicação bem planejado e executado provoca impacto positivo no desempenho individual dos empregados.

Gutemberg Leite
É Mestre em Ciências da Comunicação. Pós-graduado em Recursos Humanos e Administrador de Empresas. Co-autor do Livro Comunicação e Mercado, do Mestrado em Ciências da Comunicação da Faculdade Cásper Líbero e, com Fábio França, A Comunicação como estratégia de Recursos Humanos, Editora Qualitymark. Diretor da Meta Recursos Humanos Ltda.

Orientação Profissional

Psicodinâmica Familiar e Escolha Profissional

A família sempre teve um importante papel por sua função socializadora. Portanto, devemos considerar que a forma como os pais dão significado aos elementos da vida ocupacional sempre estará incluída no universo de representações do filho. Os pais, em geral, têm opiniões sobre o que seria mais ou menos desejável para seu filho e também uma certa visão sobre o que ele poderia fazer bem. Mesmo aquele que diz "o importante é ele ser feliz" possui uma visão mais precisa sobre o que seria melhor para o filho, ainda que subentendida nesse conceito de felicidade. É importante que tais fantasias se explicitem, já que estarão em jogo de qualquer modo.

Os pais preocupam-se com um futuro bem-sucedido e com um trabalho adequadamente remunerado para seu filho. São unânimes em afirmar que é preciso ter um bom salário e estar ativo no mercado de trabalho. Desemprego e salários muito baixos surgem sempre como grandes fantasmas.

Muitos pais ainda operam com as representações tradicionais sobre o que seria uma carreira prestigiada e demonstram aberta ou camufladamente suas rejeições por carreiras que, supostamente, remuneram mal. E, usualmente, ainda consideram as profissões clássicas como as mais promissoras: Engenharia, Medicina e Direito, dentre outras. Alguns pais não percebem, então, que, no mundo atual, é possível tomar um suco na “Casa de Sucos” de um engenheiro ou receber cachorro-quente ou pipoca das mãos de um advogado, por exemplo. Apesar de, na maioria das vezes, trabalharem com critérios como: "ganhar muito dinheiro" e "profissão de prestígio", esquecem-se de adequar estas representações ao mercado atual. Não se dão conta, portanto, de que o mundo ocupacional não pode ser rigidamente dividido entre as profissões que “dão dinheiro” e as que “não dão dinheiro”. Atualmente, boas e más colocações distribuem-se pelas diversas áreas de trabalho.

Observa-se, com isso, que a Orientação Profissional, ao focalizar a vida ocupacional de um indivíduo, estará se inserindo no universo de representações do cliente e de seu grupo familiar sobre o mundo do trabalho e, dentro disso, também em sua visão mais geral de mundo em seu modo de dar sentido à vida.

A escolha profissional pode, ainda, estar enlaçada em conflitos e no modo de operar do grupo familiar como um todo. O jovem mantém-se, por isso, aprisionado a um tipo de escolha, onde ele mais está tentando solucionar conflitos afetivos vividos com os membros da família do que se identificando com o cotidiano do profissional que está escolhendo ser. Assim, não é possível recortar uma visão sobre o cliente de forma descontextualizada e faz-se necessário compreender suas ansiedades em referência ao grupo social (família, amigos, escola, etc.).

Muitas vezes a participação da família em entrevistas de Orientação Profissional pode ser de enorme auxílio no enfoque de determinados aspectos conflitivos, vinculados à escolha ocupacional do jovem. O momento da escolha profissional é muito importante. Embora sempre se possa alterar o rumo tomado, aquilo que o indivíduo escolher se refletirá na totalidade de sua vida. O programa de Orientação Profissional é um espaço importante de reflexão, pela amplitude e extensão que um direcionamento para uma carreira pode ter. Esse trabalho envolve um conjunto de representações mentais com o qual o estudante concebe o seu eu e o mundo ao seu redor – ou seja, com sua própria visão de mundo – ajudando-o a ressignificar sua realidade e a planejar uma estratégia para o futuro.

Atrás de uma escolha profissional encontra-se toda uma dinâmica que envolve a relação que o indivíduo estabelece com seu passado-presente-futuro, em seus aspectos aparentes e latentes. Nesta perspectiva, o que se escolhe e o que se considera ou não ao escolher constitui o eixo da temática a ser focada na Orientação Profissional.

A Orientação Profissional deve voltar-se a este referencial: às fantasias e desejos do sujeito, à sua operacionalidade e às suas implicações na continuidade de sua vida, considerando os desejos dos pais e buscando dar voz ao desejo do jovem em questão.

A escolha profissional é um momento da vida da pessoa em que ela poderá refletir sobre tais expectativas e construir seus próprios valores que podem ou não ser coincidentes com os da família. Os pais devem explicitar suas expectativas (e não escondê-las a título de não influenciar), preferencialmente de forma não autoritária, para que o jovem tenha mais parâmetros para tomar esta importante decisão. A escolha poderá ou não respeitar as expectativas, mas o importante é que foi dado ao jovem mais elementos para pensar na sua decisão.

Às vezes os pais têm dificuldade em perceber que seus filhos crescem rumo a autonomia. O momento de escolha de uma profissão por parte de um membro mexe com toda a família. Os pais revivem e se questionam quanto à escolha que fizeram, os filhos mais jovens antecipam preocupações.

Não é agradável abandonar um curso no meio. Ninguém escolhe uma profissão para depois abandoná-la. Abandonar um curso é uma nova escolha e tão difícil quando a escolha que a antecedeu. A função dos pais, como foi dito anteriormente, é explicitar suas visões para que a própria pessoa tenha mais condições de tomar uma decisão ponderada, coerente e refletida.

Em alguns momentos, a escolha profissional, influenciada pelos dilemas familiares, poderá, mesmo, transformar-se em sintoma de grupo - expressão de ansiedades e conflitos compartilhados. Por isso, a inclusão dos pais (e/ou outros membros da família) em entrevistas com o estudante ou de atividades que promovam o pensar sobre este universo, podem auxiliar o enfoque destes processos, na Orientação Profissional de um jovem.

Sem deixar de considerar o desejo dos pais é necessário estimular a comunicação – das expectativas, dos desejos e medos – que embora seja extremamente relevante, nem sempre é possível ou fácil.

Portanto, a terapia pode então servir como um facilitador dessas expectativas não ditas e com isso contribuir para um melhor posicionamento frente à escolha profissional a ser feita.

BOCK, Ana Mercês. A Psicologia Sócio-Histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. In: BOCK, Ana Mercês, GONÇALVES, Maria da Graça, FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica. SP: Editora Cortez, 2001.

BRIDGES, William O Impacto Psicológico do Desaparecimento dos Empregos. In: Um Mundo sem Empregos; tradução José Carlos Barbosa dos Santos, Makron Books, São Paulo, 1995.

CHANLAT, Jean-Francois – Modos de gestão, saúde e segurança no trabalho . In: DAVEL, Eduardo, VASCONCELOS, João. Recursos Humanos e Subjetividade. Petrópolis. Editora Vozes, 1997.

DEJOURS, Christophe – A banalização da injustiça social , Editora FGV, Rio de Janeiro, 1999.

DEJOURS, Christophe - A loucura do trabalho: estudo de psicopatolgogia do trabalho; tradução Ana Isabel Paraguay e Lúcia Leal Ferreira. - 5ª ed. Ampliada - São Paulo: Cortez - Oboré, 1992.

MIZRAHI, Beatriz Gang - A relação pais e filhos hoje - a parentalidade e as transformações no mundo do trabalho , RJ, Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2004.

ROUDINESCO, Elisabeth - A família em desordem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003 .

SENNETT, Richard – A corrosão do caráter: as conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo; tradução Marcos Santarrita – 7ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2003.

Tatiana Vasconcelos Cordeiro
Psicóloga Clínica
CRP 05/33923
Tijuca - Praça Saens Peña - RJ

Obs: Atendimento Individual e em Grupo para Adolescente, Adulto, Idoso; Terapia de Casal e Família; Avaliação Psicológica; Psicodiagnóstico – adolescente e adulto; Orientação Profissional. Parceria com Colégios e Cursos para: Palestras, Oficinas e Grupos de Reflexão com Pais, Alunos e Professores.

Processo Seletivo em Instituições de Ensino

Há alguns anos atrás, bastava uma indicação de um conhecido e alguma experiência para que a pessoa estivesse empregada, sem falar que o ensino médio completo abria muitas portas. Atualmente, com o advento da sociedade do conhecimento, a escolaridade passou a ter maior representatividade, sendo importante graduação e pós-graduação para o ingresso no mercado de trabalho. Assim, cresce o número de faculdades e universidades pelo país e aliado a isto a crença: "sem graduação e uma pós não se chega a lugar algum".

Com esta crença enraizada, foi possível perceber o crescimento de dois fenômenos: o primeiro é a equiparação da concorrência, ou seja, os currículos estão muito parecidos em termos de escolaridade, o que é positivo, pois sinaliza um aumento no acesso a educação, mas, em contrapartida o que antes era um diferencial, hoje encontra-se massificado. O segundo fenômeno está em enaltecer a informação técnica em detrimento de outros saberes importantes que contribuem para a composição das competências de um indivíduo.

Citando o Professor Vasco Moretto (Especialista em Avaliação Institucional), competência pode ser compreendida como a capacidade de mobilizar recursos visando resolver uma situação complexa. Tais recursos encontram-se distribuídos, basicamente, em três pilares: conhecimento ou saber sobre; habilidades ou saber fazer e atitudes ou saber ser. A competência para realizar algo está na inter-relação destes três fatores.

Neste sentido, as empresas estão cientes e atentas a esta realidade, tornando seu processo seletivo cada vez mais rigoroso, sendo utilizadas dinâmicas de grupo, entrevistas com ênfase em competências, testes psicológicos, situacionais... Tudo para garantir o candidato com o melhor perfil para o cargo.

No entanto, as instituições de ensino ainda deixam a desejar no que concerne a contratação de professores. É possível encontrar escolas que contratam educadores focados em seu conhecimento técnico, não atentando para o fato de que a competência exigida para o desempenho da função de professor vai além do "saber sobre". Planejar a aula, ministrar o conteúdo e avaliar a aprendizagem exigem mais do que entender de História ou Geografia.

O professor possui uma função social muito importante. Ele tem em suas mãos crianças e jovens que o vê como modelo, como referência. O comportamento do professor (saber ser) é de grande importância neste momento. Suas crenças, bem como sua forma de agir e de falar influenciam fortemente a atitude do estudante. Vale lembrar que o professor não transmite somente o conteúdo, mas crenças e valores culturais, além princípios éticos e morais.

Investir na aquisição de conhecimentos teóricos e habilidades é importante: atualizações, capacitações e pós-graduação vêm a somar no conjunto de competências de um profissional, mas o investimento no SER é de extrema valia no desempenho de uma função fortemente voltada para o relacionamento interpessoal como é a função do professor. Neste ínterim, a frase de Sócrates: "conhece-te a ti mesmo" merece ser compreendida em sua totalidade.

Estar ciente de nossas potencialidades, limitações e a relação entre ambas é o primeiro passo para iniciarmos uma educação que, como qualquer outra, não tem fim: a educação emocional, imprescindível para o educador. Assim como não é interessante um professor que não compreende a matéria, também não é interessante um professor que não compreende suas emoções.
Neste sentido, selecionar um educador baseado somente em seus conhecimentos científicos, sem ponderar sobre outros aspectos de suas competências, o que inclui a forma como este se relaciona consigo, com o meio e com o seu papel profissional, pode ser prejudicial para o estudante e para a Instituição.

Assim, faz-se mister as escolas investirem em um processo seletivo eficiente, iniciando pela construção adequada do Perfil de Competências da função, ou seja, quais conhecimentos, habilidades e atitudes que, em conjunto, são imprescindíveis para o bom desempenho da função de professor e, a partir disto, elaborar uma seleção capaz de identificar tais competências nos candidatos.
A missão da escola não é apenas transmitir conhecimento, mas, junto com a família, formar cidadãos éticos, preparados para ser e conviver e o professor é fundamental neste processo, por isso ir além da teoria é condição sine qua non para que a escola tenha profissionais competentes, capazes de articular de forma sistêmica os três pilares que fazem dos educadores, acima de tudo, pessoas cada vez melhores. 

PEREIRA, Marcelo Ricardo. O relacional e seu avesso na ação do bom professor. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira (org.). A psicanálise escuta a educação. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001;
MORETTO, Vasco P. Construtivismo, a produção do conhecimento em aula. 3ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002;
RABAGLIO,Maria Odete. Seleção por competências.São paulo: Educar, 2005.

Milena Aragão
Psicóloga com MBA Gestão de Pessoas
Atua em Psicologia Organizacional
Caxias do Sul / RS

Obs: Psicóloga, Pós-Graduanda em Gestão de Pessoas com cursos de extensão na área da educação. Experiência como Gestora de RH em Instituições de Ensino, Consultora educacional, coordenadora grupal e sócia fundadora da VIDA Capital Humano.

Quem não lidera para servir não serve para liderar

O tipo de liderança autocrática está desaparecendo das organizações uma vez que os gestores estão preocupados com o desenvolvimento e capacitação de seus colaboradores, já que a tendência do mercado nos diz isso, pela velocidade das mudanças organizacionais.

Sob essa curvatura, o exercício de liderança empresarial é bastante amplo e complexo, possuidor de uma magnitude horizontal, e por esse motivo aprendemos constantemente, na carreira profissional, independentemente da posição atual. Com o aumento de experiência, a prática nos faz pensar equivocadamente que já sabemos de tudo sobre liderança, mas precisamos recordar que a aquisição de conhecimento sobre o assunto, habilidades para exercer de forma prática no dia-a-dia, e atitude para motivar pessoas e gerir equipes, adquirimos foco nos resultados mais importantes.

No raciocínio da importância é preciso aplicar essas competências no aprendizado com nossos pares e adaptarmos as nossas características profissionais, para assegurarmos nossa marca registrada, não podendo ser copiada por ninguém, criando uma liderança inovadora e com um verdadeiro diferencial competitivo dentro da empresa. Aprender com os erros, brincar com as situações negativas, encarando-as com seriedade, aprender com o erro da equipe, são fatores primordiais no serviço da liderança.

Servir nada mais é que oferecer soluções para problemas que parecem impossíveis, motivar pessoas com entusiasmo, quando se está numa sexta-feira as 18:00 h para encerrar o expediente, e a equipe precisa esticar a jornada de trabalho, é atribuir as atividades que estejam a altura de suas habilidades, compartilhar coisas agradáveis, saber ouvir também as críticas e reclamações, da mesma forma, que se escuta um elogio.

Tudo isso, produz um relacionamento ético, respeitando as diferenças hierárquicas de forma recíproca, com uma dose de empatia, cria-se a liderança do reconhecimento e valorização profissional, pois quem não lidera para servir não serve para liderar.

Fagner Gouveia Bezerra
Consultor e Palestrante - Palestras e Treinamentos empresariais
Atua em treinamentos e consultoria de empresas
São Paulo/SP

Obs: Graduado em Logística Empresarial pelo Centro Universitário UNIFIEO e pós-graduando em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, cursou extensão cultural em Imagem, Comunicação e Oratória, pela Universidade Paulista UNIP, e participou do curso de extensão em Semiótica e Lingüística, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, além de integrar ao grupo de estudos semióticos da USP. Iniciou sua carreira em trabalhos sociais, proferindo palestras e treinamentos em ONGS e instituições não financeiras. Prestou serviços na Whirlpool Unidade de Eletrodomésticos em São Paulo, onde liderou equipe da gestão de estoques e da gestão de resultados, no trabalho de gerenciamento de indicadores, palestras e treinamentos voltados aos profissionais da área de logística.

Sobram Vagas, Sobram Desempregados

Mercado de trabalho cada dia mais competitivo. Se falta emprego ou se as pessoas não estão qualificadas, essa é uma constatação difícil de ser alcançada. Uma divulgação de números e dados sobre pessoas formadas em universidades ou especializadas em algum campo profissional, como técnicos de informática, designers, auxiliares de enfermagem, mecânicos e outras profissões que exigem, no ato da contratação, pelo menos um certificado de experiência ou estudo (como os que o Senai oferece), não seria o bastante para traçar o perfil do empregado e do desempregado dos dias de hoje.

Por que sobram vagas, mas também sobram desempregados?

Para responder esses questionamentos, foi escalado o especialista em recursos humanos, planejamento estratégico e administração, Marco Aurélio Ferreira Vianna. Autor de 37 livros e, em 2004, apontado pela revista especializada Exame como um dos 10 melhores consultores executivos do País, Vianna mistura respostas típicas de uma entrevista jornalística com a postura de quem está falando sobre um palco, armado de microfone e computador.

Ele ensina não só o que o futuro reserva para o mercado de trabalho e para os trabalhadores, como ressalta fatos atuais que podem ajudar tanto patrões quanto empregados a lidarem melhor com as suas rotinas profissionais. Ser competitivo? Ele acredita que esse pode ser o ponto forte de qualquer profissional. "Basta estar atento às necessidades do mercado", diz. No mercado, muitas vezes, sobram vagas porque não há profissionais qualificados.

Como o senhor avalia esse fato?

Não há dúvida disso. O Brasil vive hoje e, certamente, a América Latina e inúmeros países, um grande paradoxo. Da mesma maneira que falta o emprego tradicional, um número muito grande de formandos universitários não encontra emprego dentro da carreira para a qual se preparam. Por outro lado, há uma carência de talentos e capacitações. Então esse é realmente um fenômeno desta entrada do século XXI, que a gente tem que analisar com muito cuidado, e acredito que cabe à empresa ter uma consciência perfeita disso. Porque nesta época de competitividade, o capital intelectual é fundamental. A pessoa tem que estar extremamente capacitada para enfrentar os desafios.

O senhor não acha que o mercado pode vir a perder em crescimento por conta desses empregos não preenchidos, mesmo sabendo que existem pessoas formadas e teoricamente capacitadas procurando trabalho?

Aumentar a oferta de emprego no País é um problema cuja solução será a longo prazo. O que acontece especificamente com a formação universitária eu não diria que se aplica à formação técnica, visto que há uma grande procura (do mercado) pelos técnicos capacitados do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), por exemplo. Mas o fato é que as universidades crescem muito mais do que a demanda por emprego. É aí, então, que nasce esse paradoxo.

Estudar de quatro a seis anos em uma universidade pode ser considerado uma desvantagem por conta do cenário mercadológico atual?

Eu, de qualquer forma, penso positivo em relação a esse fenômeno. Acredito que, de alguma maneira, para um país como o Brasil, que tem um sistema educacional extremamente deficiente, mesmo com pessoas formadas que não encontram emprego, observa-se uma melhora do nível de capacitação delas. Enfim, acho que o Brasil está produzindo pessoas muito melhores, que a cada dia querem se profissionalizar mais.

O que o mercado quer de um bom funcionário hoje em dia?

Primeiro, que ele não seja funcionário. Que seja encarado como parte da empresa, como um verdadeiro colaborador. Eu diria até mais, como um parceiro. Ou até mais ainda, como um ser humano. Acho que a relação "capital-trabalho" tem que ser baseada em um forte sentido de parceria e de humanismo. Agora, sem dúvida nenhuma, a empresa hoje quer um colaborador diferente. A lista do que o mercado espera de um funcionário é extensa.

O senhor pode citar as características principais que constam nessa lista?

A primeira coisa é que a empresa quer funcionários que sintam vontade de se desenvolver. O Brasil é um país em que a palavra "ambição" é considerada negativa. "Ambição" tem origem na palavra inglesa "desire", que é um desejo muito forte. Não há nenhum campeão que não tenha ambição. O Ayrton Senna tinha ambição. Assim como o Pelé, Oscar Schmidt e a Daiane dos Santos. Ambição é uma vontade de crescer. Mas sem ser ganancioso, que é querer ganhar fácil. Então, em primeiro lugar, a empresa quer empregar pessoas que querem crescer. Segundo, gente que tem forte vocação para o aprendizado. A massa de conhecimento e tecnologia dobra a cada ano. E todos têm que estudar pelo resto da vida. Sinceramente, acho que, ao longo dos próximos cem anos, a mudança continuará e a educação continuada será fundamental em todo esse processo. Resumindo, a empresa quer alguém que queira estudar e aprender, sempre.

E as habilidades sempre avaliadas, como o espírito de equipe?

É claro que o empregador quer alguém com espírito de equipe. Vemos isso hoje até nos esportes coletivos. Esse espírito está nas empresas, organizações não-governamentais e até nos órgãos públicos. Empresários querem que o colaborador esteja disposto e não seja um individualista. Que seja, sim, uma pessoa pronta para criar um clima de harmonia no local de trabalho.

Que tipo de valores pessoais e profissionais o trabalhador deve possuir?

Nós recebemos uma cultura ibérica que nos deixou alguns vícios coloniais sérios. Em relação à educação no sentido de aprendizado, em relação ao trabalho, responsabilidade individual e a essa famigerada lei do egoísmo e de querer ganhar fácil. Eu entendo que a empresa vai querer alguém que já traga isso ou que esteja disposto de uma maneira forte a quebrar os seus próprios paradigmas, a quebrar o seu modelo mental e a se inserir nesse contexto de valores necessários a essa cooperação no século XXI. Estamos falando de amar o que se faz, amor pelo trabalho, mais do que tudo. E de assimilar o fato de que aprender é importante. Que a gente não estuda somente para fazer prova. Enfim, são valores engrandecedores que eu acho que as empresas querem. Mas é claro que as empresas têm de retribuir, oferecendo um ambiente que seja propício, um ambiente onde esses valores possam ser disseminados e assimilados por todos.

A que o empresário deve estar atento para formar um ambiente propício para o melhor aproveitamento de seus funcionários e também para o seu melhor desenvolvimento organizacional?

Infelizmente a grande maioria das empresas ainda não percebeu que seu verdadeiro diferencial competitivo é o ser humano. Sistemas e processos efetivos de comunicação, integração, sinergia, inteligência competitiva, administração do conhecimento, atração e retenção de talentos, capital intelectual, cultura, clima, remuneração variável, evolução de empregados para associados, entre outros, ainda são relegados a níveis ridiculamente baixos e incompatíveis com a necessidade de formação de um conjunto de fatores críticos de sucesso consistente com o momento atual. Quando em minhas palestras exponho minhas idéias sobre a elaboração de um "Balanço da Felicidade do Empregado" nas empresas, muita gente esconde o riso em um misto de uma postura de vergonha e espanto. Cada vez mais, comprova-se que cultura e ambiente humano, acompanhados de um forte conjunto consolidado de crenças e valores, são indispensáveis para a construção do desenvolvimento sustentado de qualquer organização.

Notadamente, as mulheres não recebem o mesmo salário que os homens, ainda que exercendo o mesmo cargo. Com que olhos o mercado enxerga as mulheres? Com desvantagem?

Apesar do grande crescimento das mulheres no mercado de trabalho, algumas pesquisas indicam que elas já ocupam, nos EUA, 30% do corpo gerencial. O composto final do espírito e caráter de uma empresa ainda é predominantemente masculino. Em meu ponto de vista, eu iria até mais longe. Quando se usa, exclusivamente, as competências e qualidades masculinas, estamos jogando pela janela as indiscutíveis capacitações de caráter predominantemente feminino. Mais ainda, o mundo de hoje está necessitando dessas qualificações. Por que não incentivá-las e dar-lhes oportunidades?

Quais, por exemplo?

A intuição feminina é fundamental como ferramenta estratégica para a decisão no mundo da ambigüidade. Sua sensibilidade é imprescindível para gerenciar as emoções, hoje requisito muito acima do controle burocrático. Seu perfeccionismo é arma contundente para o exercício da qualidade e da inovação. E seu amor é a única atitude que gera o comprometimento: indispensável à competitividade destes dias.

O que observar para aproveitar o melhor do trabalhador e da trabalhadora?

A área de Recursos Humanos das empresas tem que colocar como prioridade em sua agenda estratégica a "Política de Otimização do Uso das Competências Femininas". É preciso perguntar-se se esses atributos estão sendo usados devidamente. É necessário ter consciência do balanceamento entre executivos dos dois sexos. Mais que tudo, é preciso fomentar a sinergia entre a capacitação de cada um. A proposta fica longe do confronto: ela é de sinergia, de união. Porque, sinceramente, o coração e o cérebro de uma empresa podem ter, de forma dominante, a essência masculina. Porém, as dimensões da emoção e de sua própria alma, estas sim, são indiscutivelmente femininas.

Em termos de escolha de carreira, existe a profissão do momento? Como escolher melhor o que fazer profissionalmente?

O que faz a diferença não é a carreira, mas sim a competência, a garra de cada pessoa. Agora, há um complemento importante que vai traçar e construir o seu futuro e você mesmo. No campo que você ama existe um leque muito mais amplo de alternativas. No patamar inferior (não que seja ruim, mas é uma escolha) você pode ser um medíocre professor de uma escola primária mal administrada. Se, no entanto, você seguir aquilo que já pensa, o futuro será bem diferente. Estude muito, jogue crença, energia, paixão, comprometimento na sua vida profissional. Crie uma diferenciação.

Marco Aurélio Ferreira Viana
Revista Fibra Empresarial – Ano IV – N26 – Jun/Jul 2006
Entrevista - Luís Fernando Xavier



Medicina e Outras Ciências

Fisioterapia nas Disfunções Temporomandibulares (DTM)

A articulação temporomandibular (ATM), nas suas funções de mastigar, falar, bocejar e espirrar, estima-se que se movam 1500 a 2000 vezes por dia. É uma das articulações mais freqüentemente usadas pelo corpo.

Vários grupos musculares, ligamentos, articulações, ossos e arcadas dentárias são responsáveis pela coordenada e harmônica abertura e fechamento da boca. Qualquer problema que interfira com o funcionamento desse sistema podem resultar em uma Disfunção Temporomandibular (DTM).

As DTMs consiste na ausência ou anormalidade das funções do aparelho mastigatório e nas articulações temporomandibulares. Usualmente apresentam incoordenações aos movimentos mandibulares. Algumas delas são causadas por traumatismos diretos, como acidentes automobilísticos ou quedas, outras são resultantes de anos de hábitos posturais ou orais deficientes, como a postura da cabeça para frente, ou o bruxismo.  Podem ser causadas também por abertura excessiva da boca, artrites ou fixações na articulação temporomandibular, tumores, problemas de crescimento na mandíbula, stress físico e psicológico, alterações hormonais e morfológicas congênitas.

A coluna vertebral cervical e a ATM estão intimamente conectadas. A coluna vertebral esta essencialmente, interposta entre as inserções proximais e distais de alguns dos músculos controladores da ATM. A tensão nesses músculos exerce um efeito na posição da mandíbula. Os sintomas de disfunção entre ATM e a cervical são semelhantes.

Os dentes também estão intimamente envolvidos no funcionamento da ATM. Não apenas a mastigação é uma das funções da ATM, mas o contato dos dentes superiores e inferiores limitam os movimentos da ATM durante os movimentos com a boca vazia.

As DTMs são classificadas em:

  • Dor miogênica: presença ou desconforto nos músculos da mastigação podendo atingir os músculos do pescoço e ombro;
  • Desarranjos internos da ATM: um disco articular pode estar deslocado ou mal posicionado, ou mesmo lesão na articulação;
  • Doenças degenerativas da ATM: como osteartrite ou artrite reumatóide.

Os principais sintomas são: dor nas articulações, cefaléia, estalidos ou rangidos, dificuldade de abrir totalmente a boca, dificuldade de mastigar, mudança na postura da cabeça (cabeça inclinada para frente), dor de ouvido, desgaste dental, zumbido e sensação de mordida torta, desalinhada ou cruzada.

A fisioterapia através da cinesioterapia (exercícios) e aparelhos especializados, tem como objetivo minimizar a dor muscular, melhorar a amplitude de movimento, melhorar a postura, reeducar o paciente em relação ao posicionamento correto da mandíbula e fortalecer o sistema músculo-esquelético.

Fernanda Naily
Fisioterapeuta atuante na Clínica e Home Care
CREFITO-3/91294-F
São Paulo/SP

Fisioterapia na Saúde da Mulher

A Fisioterapia tem evoluído como ciência e cada vez mais, estão sendo desenvolvidos pelos fisioterapeutas novos técnicas e métodos. A fisioterapia na saúde da mulher desenvolve trabalhos de prevenção e de reabilitação nas áreas de oncologia mamária, climatério, gestação e pós-parto, dor pélvica crônica e uroginecologia (incontinência urinária, fecal e disfunções sexuais), visando à melhoria nas condições físicas da mulher através de exercícios especializados de acordo com a necessidade de cada uma.

Câncer de mama:

A mulher passa a ter uma nova realidade de seu esquema corporal após a cirurgia, devido a importantes alterações que ocorreram: anatômico, fisiológico e funcional. A fisioterapia desempenha papel fundamental por apresentar um conjunto de possibilidades terapêuticas suscetíveis, intervindo na mais precoce recuperação funcional até a prevenção e tratamento de seqüelas como dor, restrição de movimentos, diminuição de força muscular, aderência da cicatriz, alterações posturais e linfedema.    

Linfedema é o excesso de fluidos acumulado fora do vaso linfático que provoca inchaço e dor no membro afetado. A fisioterapia regride os transtornos do linfedema e evita que este aumente com o tempo, o que poderia gerar maior risco de infecções.

Climatério:

Climatério é a fase da vida em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, devido à diminuição dos hormônios sexuais produzidos pelos ovários. Essa fase da vida da mulher corresponde um período de intensas modificações em nível psicológico e físico. Esse é um processo natural e inevitável.

A fisioterapia nessa nova fase da mulher tem como objetivo promover o bem estar físico e psíquico combatendo a “sensação” de declínio físico, intervindo na melhoria da auto-estima e evitando crises depressivas.

Gestação e pós-parto:   A gestação é um período sublime na vida da mulher e a fisioterapia irá contribuir de forma saudável, tornando mais fácil à assimilação das alterações pelas quais seu organismo passará, fazendo com que se sinta ativa e participante em um dos momentos mais importantes de sua vida. Através de exercícios específicos estaremos contribuindo para a manutenção das condições físicas previamente existentes, redução de queixas, facilitação do parto e uma recuperação satisfatória e plena de seu organismo e bem-estar no pós-parto.

A Fisioterapia tem como objetivo garantir à gestante uma gravidez mais saudável e tranqüila.

Dor pélvica crônica:

A dor pélvica crônica é caracterizada por uma dor constante ou intermitente, localizada na região pélvica que persiste a pelo menos 06 meses. Essa dor pode ou não ser de origem ginecológica, cabendo ao medico a determinação do diagnóstico ginecológico e indicação ao tratamento clínico ou cirúrgico. A fisioterapia tem como objetivo atuar no tratamento dos sintomas de origem muscular, aliviando, melhorando e corrigindo as alterações posturais produzidas pela dor, reduzir espasmos musculares, melhorando a qualidade de vida da paciente fornecendo orientações que busquem facilitar a realização de atividades de vida diárias.

Uroginecologia:

Incontinência Urinária é a perda involuntária de urina da bexiga em condições impróprias. Não é uma doença, mas um sintoma causado por diferentes razões. Embora as mulheres acima de 40 anos, estejam mais sujeitas à perda de urina, este sintoma pode aparecer em qualquer fase da vida e em qualquer classe sócio-econômica ou padrão cultural. Pode ocorrer a perda de algumas gotas ao tossir, espirrar e aos pequenos esforços ou então o esvaziamento completo da bexiga. A incontinência urinária pode ser tão desagradável que interfere com os aspectos mais simples do dia a dia e pode causar distúrbios emocionais, como ansiedade, depressão, irritabilidade, cansaço, entre outros. Poderá ser tratada por cirurgia, medicamentos, fisioterapia ou combinados.
Incontinência fecal é a perda involuntária de fezes ou gases via anal. É um problema de saúde que atinge cerca de 11% da população mundial acima dos 45 anos.
A disfunção sexual é a perturbação nos processos que caracteriza oi ciclo de resposta sexual ou dor associada ao intercurso sexual. No Brasil 50,9% da população referem alguma disfunção sexual. Tem origem orgânica, psíquica e sócio-cultural. A fisioterapia irá atuar apenas nas disfunções de origem orgânicas. A fisioterapia nestes casos utiliza-se de técnicas preventivas (eletroestimulação, biofeedback, cinesioterapia), de conscientização corporal, treinamento vesical e esfincteriano e fortalecimento da musculatura do perineo do assoalho pélvico (períneo).

Fernanda Naily
Fisioterapeuta atuante na Clínica e Home Care
CREFITO-3/91294-F
São Paulo/SP

Transtornos Emocionais do Envelhecimento

O relacionamento do idoso com o mundo se caracteriza pelas dificuldades adaptativas, tanto emocionais quanto fisiológicas; sua performance ocupacional e social, o pragmatismo, a dificuldade para aceitação do novo, as alterações na escala de valores e a disposição geral para o relacionamento objectual. No relacionamento com sua história o idoso pode atribuir novos significados a fatos antigos e os tons mais maduros de sua afetividade passam a colorir a existência com novos matizes; alegres ou tristes, culposas ou meritosas, frustrantes ou gratificantes, satisfatórias ou sofríveis... Por tudo isso a dinâmica psíquica do idoso é exuberante, rica e complicada. 

Freud afirmava, com notável sabedoria, que os determinantes patogênicos envolvidos nos transtornos mentais poderiam ser divididos em duas partes:

1- aqueles que a pessoa traz consigo para a vida e; 
2- aqueles que a vida lhe traz(2). 

Na senilidade isso fica mais evidente ainda, de um lado os fatores que o indivíduo traz consigo em sua constituição e, de outro, os fatores trazidos à ele pelo seu destino. O equilíbrio psíquico do idoso depende, basicamente, de sua capacidade de adaptação à sua existência presente e passada e das condições da realidade que o cercam.

Disposições Pessoais
As Disposições Pessoais são os elementos referidos por Freud ao se referir àquilo que o indivíduo traz para a vida, ou seja, sua constituição. Ajuriaguerra, ao afirmar que "envelhece-se como se viveu", certamente estava pensando nos traços pessoais de nossa constituição que acabam ficando mais marcantes com o envelhecimento. A casuística da prática clínica tem mostrado, embora nunca de maneira absoluta, que os indivíduos portadores de dificuldades adaptativas em idade pregressa envelhecem com maiores
dificuldades.

Se os acontecimentos existenciais eram sentidos com alguma dificuldade ou sofrimento na idade adulta ou jovem, quando a própria fisiologia era mais favorável e as condições de vida mais satisfatórias e atraentes, no envelhecimento, então, quando as circunstâncias concorrem naturalmente para um decréscimo na qualidade geral de vida, a adaptação será muito mais problemática. Portanto, está correto dizer que quanto melhor tenha sido a adaptação da pessoa à vida em idades pregressas, melhor será sua
adaptação no envelhecimento.

Por outro lado, alguns autores observaram uma significativa melhora em poucos casos de neuroses com o envelhecimento, fato também observável na prática psiquiátrica. Isso nos mostra, de fato, não haver uma desestruturação psíquica no envelhecimento mas sim, uma alteração estrutural na dinâmica psíquica, novos arranjos psicodinâmicos e nova arquitetura afetiva distinta da anterior.

Nestes casos, um ambiente pleno de carinho e atenção em torno do idoso, juntamente com uma serenidade afetiva própria da involução favoreceriam o acomodamento emocional com o envelhecimento. Esta "serenidade afetiva", necessária à acalmia de algumas neuroses no envelhecimento, seria uma circunstância emocional mais tranqüila, possivelmente ausente em épocas anteriores e, cuja falta, poderia contribuir para a manutenção de um antigo quadro neurótico. Tais alterações estruturais benéficas são mais observáveis em alguns casos de transtornos obsessivos, histéricos e fóbicos, porém, não devem ser entendidos como via de regra.

Mais comum na senilidade, entretanto, é o agravamento e não a melhora das alterações psíquicas anteriormente constatadas. No caso das neuroses do idoso, assim como nas demais idades, o transtorno decorre do grande esforço interno em conseguir uma satisfação existencial e uma adaptação à realidade. 

Assim sendo, mesmo diante de circunstâncias existenciais favoráveis para alguns idosos, tal satisfação adaptativa não seria conseguida devido à certa fragilidade emocional própria de seus traços afetivos. Nestes casos não é, absolutamente, a vida ou as circunstâncias ambientais correlacionadas à senilidade quem estaria proporcionando condições necessárias para a eclosão da sintomatologia neurótica mas sim, as condições de personalidade prévia do paciente. Outros idosos, possuidores de melhores condições de adaptação (personalidade), não manifestariam transtornos emocionais diante de iguais condições de vida.
É por causa disso que se envelhece como se viveu.

Dentre as funções psíquicas alteradas com e pelo envelhecimento, a afetividade deve ser destacada. Para melhor entendimento, na abordagem das manifestações neuróticas e distúrbios do humor, é bom relembrar a afetividade como sendo a capacidade de experimentar sentimentos e emoções, como um estado de ânimo que proporciona a tonalidade do relacionamento do indivíduo com o mundo e consigo próprio.

Uma das alterações afetivas do envelhecimento é a Incontinência Emocional . Trata-se de uma forma de alteração da afetividade peculiar à velhice que se caracteriza pela grande facilidade em produzir intensas reações afetivas e uma subseqüente incapacidade para controlá-las (1). 

Além desta Incontinência Emocional podemos encontrar também, Labilidade Afetiva , cuja característica é as mudanças rápidas das emoções. Pode haver hipomania, acompanhada de explosões do humor ou manifestações de cólera diante de estímulos insignificantes. Tais alterações podem ser conseqüentes não apenas ao psicodinamismo reestruturado dos idosos mas, também, às alterações degenerativas do SNC, seja do ponto de vista tecidual, seja circulatório. Nos transtornos degenerativos a afetividade costuma ser uma das mais precoces manifestações. Alonso Fernandes cita a desestruturação afetiva nas fases iniciais das Síndromes Psicorgânicas em três formas distintas:

a) exagero dos traços afetivos pessoais;
b) primitivização da personalidade;
c) esvaziamento afetivo da personalidade.

Acompanhando ou não os estados degenerativos do envelhecimento, as alterações afetivas serão tanto mais proeminentes quanto mais problemática tenha sido a personalidade prévia do paciente. É por causa dessas constatações que a chamada Personalidade Pré-Mórbida tem muita importância em psiquiatria.

Além dos componentes da personalidade sabemos, atualmente, dos aspectos familiares e genéticos atrelados às doenças degenerativas da senilidade. Alguns casos de demência têm significativa concordância familiar, como é o caso da Doença de Pick, da Doença de Jacob-Creustzfeldt, da Coréia de Huntington ou até da Demência Ateriosclerótica.

Assim sendo, a pessoa traz para a vida não apenas a parte de sua personalidade visivelmente conhecida e pesquisada sob o título de "Personalidade Pré-Mórbida" mas, sobretudo, certas peculiaridades genéticas ocultas e capazes de aumentar a probabilidade do desenvolvimento das doenças próprias do envelhecimento.

Diz um provérbio que "teme mais a morte aquele que mais temeu a vida". Trata-se de uma clara alusão ao aumento das dificuldades adaptativas incrementada com o passar dos anos para algumas pessoas. Se, em tempos anteriores quando todas circunstâncias existenciais eram mais satisfatórias, quando toda potencialidade vital era plena, quando o futuro era ainda distante e quando a solidão não tinha sido experimentada, mesmo assim a pessoa passava por momentos de franca dificuldade adaptativa, no envelhecimento então, quando se fazem sentir todas as dificuldades, a capacidade adaptativa anterior só pode mesmo estar piorada. 

As características trazidas pelo indivíduo à vida (sua constituição) se tornarão mais exuberantes com o envelhecimento e, se o indivíduo viveu desadaptadamente durante fases mais prematuras de sua existência, certamente envelhecerá mais desadaptadamente ainda. As pulsões e paixões reprimidas ao longo da vida não encontram mais na velhice energia suficiente para mantê-las em repressão e eclode na consciência um triste e amargo culto ao passado, com suas frustrações, seus pecados, suas angústias e seus rancores.

BALLONE, G J - Alterações Emocionais no Envelhecimento



Psicologia do Adulto

Agressividade

RESUMO
A agressividade existe nas diferentes formas e lugares e não poderia ser diferente uma vez que traz consigo a energia vital. Saber lidar com a agressividade própria e de outrem é que é tarefa a ser ensinada e aprendida.
Este pequeno artigo traz um pouco das diferentes formas e olhares que é possível o psicopedagogo, o educador e pais ter a respeito da agressividade. Seu conceito, suas manifestações, a diferença entre agressividade saudável e manifestação de pulsão (de ato de amor) do ato de violência como algo destrutivo.
A agressividade muitas vezes não se pode evitar e conter; pode sim ser educada.
A escola como espaço de aprendizagem formal e subjetiva, através da figura do professor será o continente para o sujeito resignificar sua agressividade de forma positiva, transformando toda esta energia em criatividade, aprendizagem através da permissão do saber nas autorias singulares de cada um.

PALAVRAS-CHAVES: agressividade, diferentes olhares, educação e psicopedagogia.

ABSTRACT
Aggression exists in different ways and places and it could not be different once it brings along vital energy.
Knowing how to deal with our own aggression and somebody else's is a task to be learned and taught.
This short article brings a few different ways to look at in that it is possible for the psycho educationalist, tutor and parents to observe aggression. Its definition, its manifestation, the difference between healthy aggression and sudden manifestation (act of love) and act of violence as something destructive frequently aggression cant's be avoided, however it can be taught.
The Scholl has room for formal and subjective teaching and the instructor will be the one in charge aggression in a positive way changing all this energy into creativity and learning…
KEY WORDS: aggression, different ways to look at it, education and psycho pedagogy

1 AGRESSIVIDADE

1.1 Diferentes olhares e suas intervenções psicopedagógicas

A palavra agressividade circula nas Escolas com lugar de destaque. Ela está presente na fala dos professores quando estes querem buscar explicações para “o não aprender” de seus alunos.
Circula também nas entrevistas com os pais, quando estes são chamados e comunicados de que seus filhos são indisciplinados, sendo necessária uma intervenção deles, para moderar seus atos agressivos.
A agressividade tem também livre transito entre direção, professores e funcionários. Ela é explicitada constantemente, no espaço escolar, ora de um jeito, ora de outro. Ela se desloca, ora entre os alunos ou grupos de alunos, promove troca de lugares entre o agressor e agredido, como uma verdadeira dança.
Às vezes, aparece sob a forma de turbilhão onde o emocional predomina quase que exclusivamente, marcando com isso, um lugar, onde a inteligência e o simbólico não podem compartilhar. Varias questões pode-se questionar.
Qual a relação entre aprendizagem e agressividade?
Desde quando a agressividade faz parte do currículo escolar?
A agressividade se ensina, se aprende ou se educa?
A agressividade pode aliar-se a outros fatores na escola? Se isso acontece, quais os seus possíveis pares?
A agressividade tem um habitat fixo?
Quem é aquele que suporta a agressividade?
Que posição ocupa o agressor?
Que posição ocupa o agredido?
Será a agressividade um tema pedagógico?
O que ela significa?
O dicionário Aurélio (1986, p.64), define:
“Agressividade: qualidade de agressivo. Disposição para agredir. Dinamismo, atividade, energia, força. Disposição para o desencadeamento de condutas hostis, destrutivas, fixada e alimentada pelo acumulo de experiências frustradas”.

Agressor: diz-se de ou daquele que agride. Agressivo: que agride, ou envolve, ou denota agressão, homem agressivo. Agredido: aquele que sofreu a agressão. Agredir: atacar, assaltar, acometer. Provocar, injuriar, insultar. Ir contra, não levar em conta o evidente. Realista não costuma agredir os fatos. Demonstrar agressividade.
Laplanche (1981), define agressividade como: “Tendência ou conjunto de tendências que se atualizam em condutas reais ou fantasmáticas, dirigidas para danificar a outro, a destruí-lo, a contrariá-lo, a humilhá-lo, etc”.
“A agressão pode adotar modalidades distintas de ação motriz violenta e destrutiva; não há conduta, tanto negativa (recusa de ajuda, por exemplo) como positiva, tanto simbólica (por exemplo, ironia) como efetivamente realizada, que não possa funcionar como agressão. A psicanálise ela atua precocemente no desenvolvimento do sujeito e pontuam o complexo jogo de sua união e desunião com a sexualidade. Busca também explicar a agressividade ligada ao substrato pulsional – o conceito de pulsão de morte”.

É coerente, diz ainda Laplanche (1981), de que Freud reconheceu, com lentidão, a importância da agressividade. A partir de 1920 o conceito de agressividade se amplia e, então, ele desfaz, a noção de agressividade como um modo de relação com o outro. Ele coloca a agressividade em relação ao conceito de atividade. Sobre esta afirmação Lagalche afirma:
“[...] a primeira vista, a atividade aparece como um conceito mais amplo que o da agressividade, todos os processos biológicos ou psicológicos constituem forma de atividade. Por conseguinte, a agressividade, em principio, não significaria outra coisa que certas formas de atividade”.

Por outro lado, é colocado pelo próprio Freud que um comportamento agressivo se dirige para destruir. Deste ponto de vista, a agressividade seria uma força desorganizadora, destruidora. Já que “Eros” vai definir todo o comportamento vital, ele tende a criar e a manter.
Entretanto, o sentido do termo agressão experimenta, na psicologia, uma evolução em relação a sua concepção.
Em seu dicionário de termos psicológicos e psicanalíticos – English – English, observa que sentido da palavra “aggresiveness” foi se debilitando cada vez mais, até converter-se em sinônimo de “espírito empreendedor”, “energia”, “atividade”.

1.2 Agressividade: diferentes olhares e a subjetividade

Diferentes olhares quer dizer que, há vários caminhos onde o tema pode ser estudado sob varias óticas, como o da psicanálise, da sociologia, da antropologia.
A questão que proponho é jogar com os mais variados elementos, uns surgidos da prática, outros da teoria, para juntos, criar instrumentos que possam dar conta, em parte, de um tema tão complexo.
Partindo da idéia de que o caminho se faz ao andar, penso que a construção de instrumentos a respeito da agressividade se faz pela reflexão de nossa prática pedagógica e psicopedagógica.
A agressividade se ensina, se aprende, se educa?
Quais os preconceitos que temos a respeito dela?
Na escola, em sala de aula, quem a usa?
Quem dela abusa?
Dimensionar suas explicações no cotidiano do âmbito escolar, assinalar diretrizes operativas que possam diluir as manifestações agressivas, faz-se necessário.
Algumas hipóteses se fazem necessárias para entender a agressividade no campo da psicopedagogia:
1. A agressividade não é inata, refere-se às conseqüências das manifestações narcisisticas do sujeito e se inicia aos seis meses de vida da criança, como parte da formação do EU e do seu ideal próprio de estádio do e espelho.
2. A agressividade é uma questão de “lugar do sujeito”, tem o predomínio de uma vertente imaginaria despregada numa relação afetiva do EU e do próximo entretenimento da não estruturação de laço simbólico.
3. A agressividade impera nos âmbitos onde a presença da lei e o exercício da autoridade se encontra ausente ou muito fragilizado.
Primeiro seria importante marcar uma diferença da manifestação da agressividade como ato de violência, onde um sujeito toca no corpo do outro. Quero indicar o que, na experiência, consideramos como de “intenção de agressão”. Podemos quase medi-la nas modulações reivindicadoras, nas ações falhas, nas inflexões, nas recriminações, nos deboches, nas transgressões, nas aplicações das regras. O que caracteriza estas intenções agressivas é que não estão em nível do comportamento e sim em nível da fala. Embora na pratica psicopedagógica a agressividade tenha já tomado proporções de atos violentos.
A partir da experiência dualítica e da conceitualização da estruturação do sujeito, podemos situar as origens das manifestações de agressividade, na organização original do EU e do objeto, constituído a partir do estádio do espelho.
É na dialética, que se desenvolve no período de 6 a 18 meses, em que a criança antecipa no plano mental a conquista da unidade funcional do seu próprio corpo, ainda inacabado neste momento, no plano da motricidade voluntária. Anterior a esse período, concebido como um momento de diferenciação com relação ao outro, onde a criança tem a noção do seu corpo, como fragmentado.
Este estádio do espelho tende a manifestar um dinamismo afetivo pelo qual o sujeito se identifica primordialmente com a “Gestalt” visual de seu próprio corpo. Constitui-se nesse momento a primeira matriz identificatória, a partir da imagem virtual simétrica e invertida refletida no espelho, onde a criança se reconhece como ocupando um lugar no espaço. Vemos que este reconhecimento que constrói o EU ao ideal do sujeito será:
1. A partir da imagem do real mais a imagem virtual do corpo refletida no espelho;
2. Que o lúdico que a criança manifesta pelo encontro dela com sua imagem no espelho estão sobredeterminados pelo olhar desejante do outro materno, quer dizer, é o ideal constituído a partir do olhar que a mãe lança sobre o corpo da criança, tomado como objeto fálico.
Conseqüências desse processo:
Diante de a interrogação de todo ser humano: Quem sou eu? - Tentará encontrar sua resposta pela via imaginaria (imagem) e alienante da imagem dele, mesmo idealizada, ou na imagem que tentará obter de seu semelhante.
Toda noção de realidade a partir da concepção de que o corpo - ocupa um lugar no espaço. Visto pelas vias do desejo, este processo acontece num período em que a criança tenta manter-se num lugar único e singular como objeto amado do olhar e do desejo materno.
Toda a relação de identificações - secundaria, que dizem respeito à relação do EU com os outros e com os objetos no âmbito social, têm como matrizes essas primeiras identificações estruturadas no estádio do espelho.
Este processo, além de captar a “imago” da forma humana e da relação do sujeito com sua imagem, também nos transmite toda uma dialética do comportamento da criança em presença do semelhante. Durante este período a criança registra as ações emocionais e os testemunhos de um transitivismo normal. A criança que bate e diz ter sido batida, quando vê a identificação com o outro, mais ainda ela revela um indiferenciação de uma ambivalência estrutural de lugares, como: o escravo identificado como déspota; o ator, como espectador; o agressor, como agredido.
Uma outra manifestação dessa organização passional do EU se caracteriza por uma tensão conflitual interna do sujeito.
Esta tensão vai determinar o despertar do desejo do outro. Por exemplo, a criança passará a desejar incontestavelmente, um presente ou um brinquedo que seu colega recém ganhou.
Nestas situações, há uma precipitação de uma competição agressiva na qual converge a tríade: o EU, um outro e um objeto, colocado como estatuto fálico.
“Quero ter este objeto para mim!”.
Aqui é necessário pontuar um momento estrutural no desenvolvimento da criança, de onde parte a dinâmica dos comportamentos agressivos. Dá-se, justamente, no momento da aparição de um outro, um rival, um irmãozinho. Um outro que possa destituir a criança magnífica que cada um de nos temos internalizado. Este lugar é um lugar especial, singular e único, que cada um de nós tivemos, como objeto de amor da mãe, conhecido como pertencimento.
É, portanto este lugar, um lugar de rei e é na reivindicação dele ou na sua destituição que a criança manifesta sua agressividade em relação ao outro. Esta manifestação se dá através da intenção da palavra.
A agressividade, portanto, não deixa de ser uma demanda de amor e que submete o outro, neste caso a mãe, ao imperativo de explicar e confirmar esse lugar único e especial.
Pude constatar isso quando analisei e escutei professores em diversas situações, para os quais a agressividade em sala de aula era uma preocupação. Em toda situação, num momento primeiro, cada aluno se comporta em relação ao professor da seguinte maneiro:
“O que posso ser ou o - que posso fazer, para ocupar o lugar único e exclusivo no amor e no olhar do professor?” (isto supondo que só existe “um lugar” para ser ocupado por um sujeito).
Este é um momento constituinte da relação professor/aluno; porém, - por outro lado, é alienante, já que se dá em função de um outro idealizado, mas principalmente, porque define sua relação de amor. E toda relação de amor define dois lugares: o lugar do amado e o lugar do amante.
O aluno, na sua demanda de amor, tenta construir uma relação afetiva com prevalência de sua própria imagem idealizada. Quando digo imagem idealizada, me refiro à imagem que se pode apresentar como: a melhor das melhores, ou a melhor das piores. E em ambas triunfa a ocupação de um lugar especial. É por isso que, em muitos casos, uma criança é tomada como o problema da turma, por seus comportamentos agressivos.
Ocupa esse lugar como demanda de amor, ou ainda, porque não recebeu a confirmação desse lugar especial. Então, manifesta duas outras caras do amor: agressividade ou ódio.
Todo sujeito, no lugar do amado, só pede amor. Ele não quer saber nada do saber do conhecimento e, por isso, em muitos casos, junta-se “a fome com a vontade de comer”. São as situações em que o educador seja, por ignorância ou por não sustentar seu lugar simbólico de ensinante, tenta resolver a aprendizagem, o seu processo, por uma relação afetiva.
O professor se apresenta ao aluno como seu “EU”, como um outro com o seu querer como pessoa. Enfim, numa posição imaginaria, onde entram as suas próprias identificações, os seus preconceitos, como substitutas da mãe.
É desta maneira que comumente, um professor privilegia um aluno ou alguns alunos, em detrimento dos outros. Produz, com isso, situações de ciúmes, de invejas, de competições afetivas, que terminam em manifestações de agressividade.
Na medida em que o professor se destitui deste lugar idealizado, deste lugar maternal, pode fazer sua inscrição desde um outro lugar. Este outro lugar é o lugar terceiro da relação dual. É o lugar do simbólico. Nesse lugar, o professor pode, efetivamente, instituir-se como o outro do conhecimento e operar laços simbólicos e efetivos com o saber.
Na medida em que o professor pode se colocar como representante da lei, pe que interdita e possibilita as relações entre os outros. Relações essas em que o professor pode trabalhar desde o seu lugar de autoridade do saber que representa. Com isso, pode direcionar sua ação para o processo da aprendizagem, privilegiando as trocas simbólicas entre estes sujeitos, minimizando assim os efeitos sintomáticos e imaginários da agressividade.
Sabemos que a agressividade faz parte do ser humano tanto quanto faz parte à pulsão de ver, a pulsão e o desejo de saber.
A agressividade é algo inerente a nossa condição de humano. Não deve ser evitada, mas educada.
O uso da agressividade, ou o mau uso dela leva-nos a pensar naquelas ações em que há um dominador e um dominado. É a “pedagogia negra” como a chama a psicanalista Müller (1980 p.17).
A pedagogia negra promove o agredido para agressor.
Num filho agredido, a tendência é repetir o pai agressor.
A pedagogia negra está bem representada no filme “Sociedade dos poetas mortos”. O filme retrata a metáfora da dialética não resolvida entre o desejo e a lei. Entre a lei e o desejo circula um componente alto de agressividade.
A lei é representada por uma instituição escola rígida. A chama da luz do conhecimento circula de mão em mão. As cenas do filme aludem a um conhecimento acadêmico pleno.
Os filhos são entregues por seus pais à escola para que ela os molde segundo seus desejos.
A organização escolar autoritária tende a aniquilar o desejo de seus alunos, onde não há lugar para criatividade, a arte, que é um modo privilegiado de se dizer algo sobre o desejo humano.
Frente à instituição repressiva o desejo deve abrir-se vivenciando fortes resistências.
O filme mostra o caminho pleno de angustia, insegurança, que vai desde a infância até o encontro com o outro sexo.
Aparece o professor ohn Keating, figura risonha, vital, propiciadora de prazer e gozo estético, que promove a palavra enquanto poesia e como meio especial de aludir ao próprio desejo e, por conseqüência, lutar, ser agressivo na conquista do que se deseja.
Keating estimula a produção de palavras próprias, livremente pronunciadas, sem preconceitos, nem temores, levando um processo criador próprio.
O professor estimula as ações que fazem palavras e atos adquirir sentido enquanto sustenta a palavra.
O filme ainda traz outras mensagens, porem o recorte que faço é poder refletir sobre os atos agressivos. Poder, enfim, pensar a agressividade em ação. No caso desta escola, onde poderíamos evidenciar o uso da agressividade em favor dos alunos?
Que momentos ficaram marcados por atos agressores em relação aos alunos?
Quem são os agredidos, neste contexto? Professor? Alunos?
De quem partiu a agressão?
A agressão, às vezes é velada, às vezes expressa. Poderíamos denominar a pedagogia praticada nesta escola como a “Pedagogia de Alice Muller”. Os atos agressivos, velados, sob o signo “é pelo teu próprio bem”. Esse discurso circula na escola e os pais lhe dão seu aval.
Em nome do “próprio bem” circulam mandatos, e os pior, estes mandatos são expressos sob forma de um pedido bondoso. Não é uma ordem é algo mais refinado, envolvente, que mascara a agressão.
Nesta trama de afeto e de sedução o sujeito se envolve e pensa que o que esta fazendo é de ordem de seu próprio desejo quando, ao contrario, ele é ardilosamente convidado a fazer o que outro quer.
É uma armadilha, mais uma manipulação da sua emoção e esta manipulação fica expressa, no filme, através dos diálogos dos pais com seus filhos e do diretor a seus alunos.
O pai de Neill aparece como uma figura distante, cruel, castradora e autoritária que proíbe a aspiração artística de seu filho, obrigando-o a abandonar o teatro. O mandato é tão sutil que Neill não consegue enfrentar o pai e comete uma agressão maior – o suicídio.
Poderíamos nos perguntar: mas a atitude, do professor Keating não colaborou para que este ato extremo de agressividade, não humanizada, desencadeasse uma destruição?
Como foi que o professor levou em conta a agressividade de seus alunos? Havia nele uma maneira de lidar com este componente agressivo usando o processo criador, através da arte, poesia e teatro?
Mas ao usarmos a agressividade temos que levar em conta a questão de limite. Até que ponto, nos professores, sustenta este limite? Como alcançar o justo exercício da função paterna? Até quando ou quanto o sujeito pode confrontar-se com a linha tênue do lugar de herói e a posição de vítima?
Quando um professor precisa resgatar de seu aluno um “quantum” de agressão para que a aprendizagem aconteça? E o “quantum” precisa marcar limites para que esta mesma “força” permita acontecer o aprender?
3. “Não imaginamos o dia-a-dia de uma escola sem que os componentes da agressividade estejam presentes. Sem algum nível de agressividade não há sobrevivência e nem aprendizagem” (TURKENICZ, 1993).
Por que um aluno agride?
Ele agride porque ele imagina que está em perigo. Perigo de quê? Especialmente da valorização de si mesmo em relação à professora, em relação aos seus colegas, em relação aos seus pais, etc.
O que está em perigo é o seu lugar. E isto é um drama. Exemplifiquemos: vamos imaginar um aluno na sala de aula, sendo interrogado pelo professor.
Diante da pergunta o quê pode acontecer? O quê ele vai sentir? Primeiro vamos situar o aluno: tem notas baixas nas disciplinas. Vejamos algumas hipóteses. Quais são os aptos que poderá manifestar? Agrado por ter sido escolhido? Desagrado? Medo? Insegurança? Perda de prestigio junto ao professor? E se ele não responder, está em jogo sua valorização? Seu eu está ameaçado e usa a agressividade para se defender.
Pode responder ou não e fechar-se na impotência imaginaria “não sei tudo por isso não sei nada”. Então ele se permite fazer julgamento a respeito de sua imagem: bom ou mau aluno, inteligente ou não inteligente. Aqui, se re-atualizam os mandatos da infância, por exemplo, ter desvios, ter feito isso, respondido aquilo, etc.
O julgamento inibe a compreensão. Quem julga não compreende. O professor e os colegas podem estar envolvidos nesta trama. O aluno é colocado sob a agressão do deboche. É um drama para ele. Responder ou não a uma pergunta, sair-se bem ou não numa prova será um grande perigo. Perigo sem se verdadeiro porque o perigo não é físico, mas é simbólico. A estrutura dramática da qual pertencemos, é uma rede de contratos que se estabelecem entre seres humanos. Esta mesma estrutura nos une numa simbologia geral. Há uma série de normas que pautam nossa vida, isto é, nosso comportamento. Não é lógico, mas é tão forte como a lógica. Esta é uma cena cotidiana que acontece na sala de aula. É o dramático em ação e, o que dizer quando acontecem as famosas “brigas” tanto em sala de aula como fora, no pátio, no recreio, etc.
Normalmente diante de uma cena assim de briga somos levados a expressar imediatamente juízos de moralidade (não devia ter feito isto, não é assim, está mal.).
Ao julgarmos eximi-nos de explicar e compreender.
Quando por exemplo, digo que um aluno é agressivo, me eximo de escutá-lo.
É preciso, entretanto, abrir-se para a pergunta. A agressão que o aluno dirige para quem quer que seja (a professoram os colegas, a direção, etc)tem uma mensagem e precisa ser escutada. O professor, portanto, não deve fechar-se a pergunta do aluno, mas buscar entender a demanda. A posição do professor parece colocá-lo mais para investigação e ir conhecendo, através das ações de seus alunos para onde dirigir suas perguntas.
Algumas indagações que o professor pode fazer são: como eu vejo meus alunos?
Qual o lugar que lhe dou a cada um? Que imagem faz deles?
Será necessário flexibilizar a rigidez de nossas situações cotidianas. Por exemplo, quando acontecem manifestações de agressividade com os alunos os fatos de retirá-los da sala de aula e conduzi-los a direção, ou ao setor de disciplina poderá resolver o problema?
Aqui entra em jogo a autoridade do professor. Como exercer o justo papel da função paterna de que o professor precisa?
A medição do diretor e do auxiliar de disciplina será necessária? Ou a função simbólica representa o acesso a mediação.
Que quer dizer função simbólica? Neste caso é poder colocar palavras no acontecido. Poder, enfim, olhar o fato de varias maneiras sem buscar culpados, mas levantas hipóteses. Deixar que a turma refletisse sobre o fato. Quais as conseqüências desse ato? É um exercício de reflexão em que o professor pode levar os alunos a se tornarem cúmplices, junto com ele, no exercício da autoridade sem autoritarismo na marcação, do limite, da lei, do exercício da expressão do desejo, enfim a humanização dos atos agressivos.
Será possível ler a agressividade dos alunos em sala de aula?

Dois pontos são aqui destacados:
Um é o esquema da repetição. - É o movimento que repete os esquemas de ação e significação dos atos agressivos em relação ao agressor e ao agredido;
O outro é a permissão de saber, isto - é, o permitir-se saber. Ir buscar as informações que possam explicar os atos agressivos e aproveita-los como um fator importante, um “plus” a mais na nossa ação pedagógica.
Se a agressividade é componente da pulsão e do desejo de saber, então podemos retomar ao que Pain (1987) coloca a respeito da aprendizagem, de como uma pessoa, que não tem o conhecimento pode são: organismo corpo, inteligência e desejo.
Não cabe aqui descrever as instâncias em si, mas fazer algumas reflexões sobre o “habitat” para onde o ato agressor é dirigido, conectado, interceptado.
Este habitat é o corpo. É com ele que se aprende. “[...] o organismo se domestica, se acostuma, se medica, o corpo ensaia, comete equívocos, se corrige, aprende” (PAIN, 1986).
Acredito ser o corpo um ponto que o professor deve observar para saber como o aluno consegue lidar com sua agressividade. Diante desta observação obterá a resposta para:
Quais são os esquemas que ele (aluno sempre repete ao agredir ou ser - agredido)?
Em que ocasiões ocorre? -
Quais são as situações em que ele - repete a agressão e de que maneira o faz?
Porque toda a aprendizagem, aliada a um “quantum” de agressividade, passa pelo corpo, e este vai constituindo os esquemas necessários para aprender. São as estruturas. Estas estruturas se apresentam sob a forma de esquemas de ação, carregadas de afeto. Pois há sempre uma qualidade afetiva própria (PAIN, 1988).
Por isso, para se trabalhar com os componentes da agressividade temos que contar com os afetos que vão tendo sua expressão através do corpo (carícias simbólicas). Os afetos são sinais perceptíveis que vão das forças as ações. Ações essas que vão marcar a repetição. Assim, uma cena agressiva gera outra.
Transcrevo uma pequena parte de um exemplo: “Uma criança de 1ª serie da escola pública, agredia e irritava os colegas, a professora, os vizinhos, a escola inteira. Buscando-se conhecer as causas de sua agressividade, obteve-se a seguinte informação: uma noite ele estava em casa, com os pais e um irmão mais novo, quando homens, armados, entraram e mataram seu irmão”.
Será difícil associar a violência deste menino na Escola com a violência da cena presenciada em casa?
Para digerir, para assimilar e elaborar a experiência, muitas vezes a criança tenta repetir na escola o que sofreu. Torna ativo o passivo: repete a cena, tentando trocar de lugar, ou seja, de agredido para agressor. É na escola que ele encontra o ambiente e os elementos que lhe permitem elaborar sua dor e permite saber sobre seus atos agressivos. Isto vai lhe propiciar dar um termino à repetição. Porque ele pode humanizar, conseguindo assim, assumir a realidade com a qual está vivendo. O importante é colocar palavras e viver, portanto, assumir a agressão.
A esse respeito Dolto (1988) diz: “[...] vive-se à realidade, nisso prova que se assume inconscientemente, mas é preciso apor-lhe palavras, para que essa realidade se torne consciente e seja humanizável”.
A respeito da agressividade, agredido que se prestarmos atenção à “repetição” e insistirmos na “permissão de saber”, estamos avançando.
A permissão de saber vai nos ajudar a sair da “pedagogia de Alice Muller”. Porque, queiramos ou não, ela nos acompanha, livrar-se dela é necessário.
As informações corretas acham-se, às vezes, perto de nós. Precisamos aprender sobre nós, através de nossos alunos e elaborar nossa própria agressividade, quando admitida e experimentada, pode ser educada. Este processo de buscar conhecer nos oferece a possibilidade de dar um fim ao circulo infernal das repetições.
Assim, tomando conhecimento de situações vividas como vitimas e, assumindo esta passagem, podemos aprender a aceitar nosso destino.
Isto significa deixar de lutar contra a culpa. Estaremos, deste modo, educando humanizando os graus de agressividade de cada um.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DOLTO, F. Quando os pais se separam. Rio de Janeiro: Zoar Editores, 1988.

LAPLANCHE, J; PONTAHS, J.B. Dicionário de psicanálise. Barcelona: Editorial Labor, 1981.

MÜLLER, A. Por tu próprio bebem. Barcelona: Tuquetes Edutores, 1980.

FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 21. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1986.

PAIN, S. A função da ignorância-I. São Paulo: Arte Medica, 1987.

Salete Santos Anderle
Camila Lais Valsechi
Maria Cristina Schwiter Veit

Apoio Psicológico a Mulheres com Câncer de Mama

O câncer de mama é com certeza uma das doenças mais temidas pelas mulheres devido à freqüência com que vem ocorrendo e, sobretudo, em função dos seus efeitos psicológicos, pois afetam a sexualidade e a imagem pessoal feminina. É uma doença devastadora tanto em termos físicos quanto psíquicos.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres. A ocorrência de casos novos para 2006 é de 48.930 casos, com um risco de 52 casos novos para cada 100.000 mulheres. Ainda sobre os dados do Inca, aponta-se que a sobrevida após cinco anos da descoberta da doença é de apenas 61%. Como principais fatores de risco apontados estão: a obesidade, o fumo, casos de câncer de mama na família, uso de álcool, estresse entre outras.

O diagnóstico de câncer e todo o processo da doença são vividos pela paciente e pela família como um momento de intensa angústia, sofrimento e ansiedade. O tratamento do câncer de mama pode afetar a imagem corporal das mulheres, uma vez que a imagem que temos de nós mesmos está diretamente ligada ao nosso psiquismo.

A ansiedade de morte e a mutilação, ambivalência, a negação, a hostilidade e a desesperança são os sentimentos mais presentes nas mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Diversos trabalhos constataram que mulheres doentes, submetidas a mastectomia, apresentaram a negação como o principal mecanismo de defesa, utilizado pelo ego, contra a morte.A cirurgia é considerada um fator de estresse uma vez que existe imprevisibilidade dos resultados e sintomas, os quais a paciente não pode controlar através de suas ações.É importante ressaltar ainda que no período pré-operatório existe grande preocupação com a gravidade da doença e os resultados da cirurgia, que são consideradas grandes fontes de medo.

É importante destacarmos também que no Brasil, não há ainda uma cultura voltada para o cuidado preventivo, pois muitas dessas mulheres só procuram ajuda quando a doença está num estágio avançado, sendo muito difícil propor um tratamento menos agressivo. Promovendo a idéia de prevenção talvez possamos diminuir os números absurdos de casos de câncer de mama no Brasil.

Com isso, o apoio de um profissional da Psicologia é indispensável em todos os momentos, desde o diagnóstico da doença, como durante e após o tratamento. O auxílio de um Psicólogo diante de uma doença pode ajudar no entendimento do que está ocorrendo no momento como também pode vir a ser um suporte para a pessoa que enfrenta essa situação.

Vale destacar que os atendimentos, nesses casos, podem ser realizados tanto em consultório, como no próprio hospital durante a internação, trabalho que é indicado ao Psicólogo Hospitalar.

Almeida, A.M.; Mamede, M.V.; Panoblanco, M.S.; Prado, M.A.S. & Clapis, M.J. (2000) Construindo o significado da recorrência da doença: a experiência de mulheres com câncer de mama. Trabalho apresentado pelo Dep. de Enfermagem da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Brenelli, H.B., Shinzato, J.Y. (1994) Terapia de apoio à pacientes com câncer de mama. Em: DIAS, E.N. Mastologia Atual. Rio de Janeiro: Revinter.

Cury, A.F (2000). Aspectos Emocionais da Cirurgia Ginecológica. Revista Femina de Ginecologia. v.28, nº 09, outubro, São Paulo: Ponto Planejamento.

Zecchin, R.N. (2004). A perda do seio: um trabalho psicanalítico institucional com mulheres com câncer de mama. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Renata Goltbliatas
Atua em psicologia hospitalar e clínica
CRP/SP 06/66595
São Paulo/SP

Controle antidrogas nos condomínios residenciais

Sem a presença da policia e cercado de muros e portões altos, muitos condomínio são, as vezes, um local protegido para usuários de drogas. A isso se somam a falta de dialogo familiar e a permissividade por parte de pais, que deixam seus filhos se tornarem fáceis presas das más companhias ou dos traficantes. Isto quando não são os pais os primeiros a dar mau exemplo, expondo seus vícios, publicamente.Como observa o psiquiatra Içami Tiba “Você não pode deixar a decisão nas mãos dos filhos, confiando apenas na educação”. A permissividade pode levar seu filho para o mau caminho.

Igualmente preocupado com o problema e aliando a experiência de ex-sindico a de psicólogo clinico e terapeuta familiar, João César Mourinho de Queiroz, desenvolveu um programa antidrogas para condomínios residenciais. As palestras, que duram um hora, tem obtidos a participação de mais da metade dos moradores, são muito bem recebidas pelos jovens e produzindo ótimos resultados. A palestra é de 40 minutos dedicados a prevenção e o uso abusivo de drogas, e 20 minutos abertos pra pergunta e respostas sobre o tema.

“Procuramos conscientizar os interessados sobre os malefícios dos entorpecentes, bem como formas para seu combate”, afirma Queiroz. Em suas exposições, explica pontos como os que levam os jovens a buscarem o caminho das drogas, o relacionamento com os pais e as formas de prevenção.

Visitando os condomínios, Queiroz concluiu que as principais causas são as curiosidades, fortes emoções, alienação, ausência de dialogo e permissividade. Os interessados podem ter esclarecimento pelo site www.sosdrogasealcool.hpg.com.br ou pelo telefone 9676-6509. outro fato importante é que Queiroz ministra palestras para zeladores e síndicos, através das administradoras de condomínio, objetivando transformá-los em multiplicadores de opinião contra uso abusivo de drogas e a favor da prevenção.

Para os condomínios que tem problemas com as drogas, o psicólogo não aconselha atitudes extremas, como chamar a policia, mesmo que isso envolva adultos. “ O sindico deve procurar reunir a família, dialogar com os envolvidos e alertá-los sobre os perigos que tóxico representa ao jovem e ao próprio condomínio”, afirma. “Isso deve ser feito com muito cuidado, pois, frequentemente, os pais desconhecem o vicio dos filhos”.

Outra recomendação é a realização de atividades esportivas e e de lazer, como campeonatos internos de futebol, gincanas e passeios. Seria como transformar o condomínio em um mini-clube, para praticas recreativas e para o estreitamento de relações. “ Assim, os jovens estarão ocupados com tarefas saudáveis, deixando de usar seu tempo com atividades nefastas” diz Queiroz.

Não se pode esquecer que o exemplo familiar tem grande peso na educação. Pais que fumam terão certamente mais dificuldade em proibir o filho de fumar, Içami Tiba diz que “ descobrir o limite entre a liberdade e o autoritarismo na relação familiar pode não ser muito fácil, mas tampouco precisa se um bicho-papão”. Mas adverte: “Quando os pais permitem que os filhos façam tudo o que desejam, não estão lhes ensinando noções de limites individuais e relacionais”. E ai, as conseqüências se tornam imprevisíveis.

João César Mousinho Queiroz
Atua em psicologia clínica, terapia familiar e orientação vocacional
CRP/SP 213713
São Paulo/SP

Obs: ESPECIALIZAÇÕES: DROGADIÇÃO ( DEP. QUÍMICA DE ÁLCOOL, DROGAS E CIGARROS), DEPRESSÃO e FOBIAS. MULTIPLICADOR DO DENARC. ATENDIMENTOS EM TERAPIAS: INDIVIDUAIS, CASAIS, GRUPAL, FAMILIAR. ATENDIMENTOS A DOMICILIO DESDE 2000. TRABALHO COM FAMÍLIA DESDE 86. PALESTRAS: ESCOLAS, FACUS, UNIVERSIDADES, CONDOMINIOS, EMPRESAS DESDE 86. TRABALHOS FILANTRÓPICOS COM DEP. QUÍMICO, DEPRESSIVOS CARENTES E SEUS FAMILIARES. DESDE 90. AUTOR DO LIVRO: ABORRECENTES E ABORRECIDOS.

Consultor Conjugal: Pra Quê?

Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra!

Segundo o psicólogo David L. Smith, autor do livro "Por que mentimos – Os Fundamentos Biológicos e Psicológicos da Mentira" (Editora Campus/Elisevier, 2005), o ser humano tem duas situações em que mais mente:

•  durante as relações de trabalho, mentimos sobre nossas habilidades e competências;

•  durante a conquista amorosa, quando queremos ser mais atraentes e inteligentes do que realmente somos.

É bem visível aqui a semelhança dos desafios da área de Recursos Humanos com os do consultor conjugal. A diferença é só de clientes, que, em vez de serem empresas, são indivíduos.

Imaginem se, em cada entrevista pessoal ou conquista amorosa, fosse utilizado um detector de mentiras? Talvez não restasse nenhum candidato, nem para uma coisa nem para a outra.

O RH evoluiu durante sua história. De um simples recrutamento, feito antigamente sempre sob os olhos do patrão, sem nenhuma ferramenta, e onde os únicos critérios eram a capacidade física e a submissão, para o que hoje é uma ciência. Atualmente o RH faz uso de diversos recursos de uma gestão moderna. O trabalho de consultor conjugal faz o mesmo para a vida pessoal de quem o procura.

A bem da verdade, legalmente o RH está limitado. Não podendo, por exemplo, fazer uso de testes biomédicos para identificar se um candidato é dependente químico ou não. Já a Consultoria Conjugal, apesar de enfrentar, às vezes, impedimentos de ordem prática, não sofre dessa limitação legal.

Por outro lado, no caso de mentira grave e desconhecimento de cônjuge enganado, o Código Civil brasileiro prevê a anulação do casamento por "erro essencial na pessoa". Já as leis e jurisprudências trabalhistas brasileiras não são assim generosas com o empregador quando um empregado mente. E mesmo assim é prejuízo.

É melhor deixar as coisas claras desde o início. A transparência é muito importante numa relação. Exemplo: em geral casais jovens não falam sobre gestão das finanças conjuntas.

A difícil situação amorosa do trabalhador e trabalhadora solteiros de hoje em dia é o resultado da crise contemporânea do mundo e de suas uniões apressadas. E essa crise deixa muitos profissionais, seres inteligentes, bem-sucedidos e felizes, sob quase todos os aspectos, sem saber agir lucidamente na vida amorosa. Estes profissionais passam mais da metade de seu tempo no trabalho, onde a aproximação amorosa pode dar certo, mas pode também envolver a empresa em caríssimas indenizações por assédio moral ou sexual. Que fazer?

O consultor conjugal é quem melhor vai orientar seu cliente na análise crítica de sua situação atual e construir um planejamento de sua vida conjugal sadia, independente de um credo religioso. Faz parte do trabalho dele prevenir prejuízos financeiros, de tempo, mágoas, estresse, sonhos destruídos, ações precipitadas e tomadas na cegueira da paixão ou ódio.

Quando estamos apaixonados, os níveis de dopamina ficam bem elevados, impedindo a lucidez e o senso crítico. É um efeito idêntico ao de uma droga alucinógena. Ou, como já dizia o poeta Vinicius de Morais, " A hora do sim é o descuido do não ".

Saber escolher a pessoa certa é essencial para ser bem-sucedido, pessoal e profissionalmente, desde achar um vice-presidente para sua empresa, até alguém para morar no seu coração.

Então, quem precisa de um consultor conjugal? Todos nós! Assim como toda empresa precisa de um consultor de Recursos Humanos. Você ainda tem alguma dúvida?

Muitas empresas ainda acham que o RH é custo, quando, na verdade, é investimento. Pensando assim, estão fadadas ao prejuízo em suas contratações de pessoal. Que dizer então das pessoas que encaram, sem orientação, um novo relacionamento?

Por que falar com um consultor conjugal e ouvir o que ele tem a dizer? Porque seu amor e sua vida são tão valiosos, que não têm preço!

Oriente seus colegas de empresa, amigos, familiares a buscarem orientação antes : antes de noivar, de casar, de separar ou de reconstruir a vida.

Igor Rafailov – Reside no Recife, é terapeuta holístico formado na Alemanha, escritor e terapeuta familiar com mais de 20 anos de experiência.

Morte e luto: Perspectivas psicológicas

A morte é considerada a finalização de um ciclo, o fim de tudo. Mas a discussão sobre o que ela é e como ela acontece ainda é  um assunto delicado e muitas vezes até evitado pela maioria das pessoas.

O fato de sabermos que ninguém escapará da morte é o que a torna um assunto tão fascinante e ao mesmo tempo angustiante, pois ela não pode ser evitada. A ciência busca há séculos maneiras de retardá-la e até mesmo suplantá-la, através de seus medicamentos e suas pesquisas, obtendo êxito em algumas áreas. O fato é que a vida e a morte são assuntos complexos e que sugerem discussões polêmicas e acaloradas.

Mas afinal, o que é a morte?

Buscando o significado da palavra morte, encontrei no dicionário de Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1986) a seguinte explicação: “ato de morrer, o fim da vida genital, animal, fim. Grande dor, pesar profundo”.

Pensando na morte como algo mais profundo, Chevalier et al (2002), designá-a como o fim absoluto de qualquer coisa. Enquanto símbolo, a morte é considerada o aspecto perecível e destrutivo da existência, indicando aquilo que desaparece na evolução das coisas. No entanto, ela é ao mesmo tempo revelação e introdução, pois todas iniciações atravessam uma fase de morte, antes de acessar uma vida nova. Portanto, a morte tem um valor psicológico que liberta das forças negativas e regressivas, tornando possível à ascensão do espírito. Ela é considerada filha da noite e irmã do sono, tendo o poder de regenerar, ela é, enfim a condição para o progresso e para a vida.

Para Kovács (1992), a morte está presente em nosso desenvolvimento desde o nascimento, onde a criança, na ausência da mãe, mesmo que temporária, se percebe só e desamparada, o que acaba deixando uma marca profunda na vida desta criança. Portanto, a representação mais forte da morte é aquela tida como ausência, perda, separação e as vivências de aniquilação e desamparo. Outro elemento importantíssimo no entendimento da morte é o da culpa, o que é freqüentemente atribuído à perda real do outro, por conta de nossos pensamentos onipotentes infantis de desejos de morte, onde nos sentimos responsáveis pela morte do outro, estando muitas vezes associados à falta de cuidados, gerando, portanto a culpa. A morte, do ponto de vista biológico e funcional, é tida como o fim da existência e não da matéria, sendo caracterizada pela interrupção completa e definitiva das funções vitais de um organismo vivo.

A morte então está relacionada a tudo aquilo que nos cerca, nos fazendo pensar que não somos eternos, que não somos donos de nossa própria vida, tendo que obedecer ao ciclo natural da vida, ou seja, tudo que é vivo um dia morrerá. A morte também nos remete à doença e ao sofrimento, isto é, pensar na morte muitas vezes está associado ao fato de que essa será sofrida, dolorosa, e muitas vezes em decorrência de uma doença grave. A morte também sinaliza o fim de uma etapa, para o início de outra, como o fim da infância e o início da adolescência, por exemplo.

Ao pensar na morte como perda, é importante ressaltar que a morte do outro se configura como a vivência da morte em vida. É a possibilidade de experimentar a morte que não é a própria, mas é vivida como se uma parte de nós morresse, uma parte ligada ao outro pelos vínculos. Portanto, a perda pela morte é a ruptura irreversível de um vínculo, sobretudo quando ela é real, concreta.

Ducati (1995), discorrendo sobre as perdas enfrentadas no desenvolvimento físico e psíquico do ser humano, ressaltou que esta poderia ser sentida como separação, morte real e definitiva do corpo físico, sentimento de impotência, limite e cortes no decorrer da vida. Ainda sobre a perda, Kovács (1992) observou que a morte envolve sempre duas pessoas, uma que é perdida e a outra que lamenta sua falta, sendo que o outro é em parte internalizado na memória, na lembrança numa situação de elaboração do luto. Quando essa morte do outro ocorre de modo brusco e inesperado, há uma desorganização, uma paralisação e um sentimento de impotência daquele que perdeu.

Esses sentimentos mobilizados pela perda como morte, são possíveis por causa do processo de luto e sua elaboração. Freud, em “Luto e Melancolia” (1917), define o luto como uma reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar desse ente, desânimo profundo, falta de interesse pelo mundo externo e perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor. Ou seja, o objeto amado não existe mais, o que exige que a libido seja desviada para outro objeto, o que causa grande desagrado. Quando finalmente o trabalho do luto termina, o ego está novamente livre e desinibido.

Ainda sobre o processo de luto, convém citar a contribuição da teoria do vínculo de Bowlby de 1985, que descreveu este processo como sendo um conjunto de reações diante de uma perda, possuindo então quatro fases a serem descritas: a) Entorpecimento: é a primeira reação, com choque e descrença, durando de horas a dias, havendo crises de raiva e choro. È comum à presença de distúrbios somáticos e a negação da perda podem estar presentes como forma de defesa; b) Anseio e protesto: emoções fortes, sofrimento e agitação física. Há um desejo de encontrar-se com o morto com crises de profunda dor e choro; c) Desespero: reconhecimento da imutabilidade da perda, havendo grande risco de apatia e depressão com afastamento do meio social e das atividades, persistindo os distúrbios somáticos, d) Recuperação e restituição: sentimentos positivos e menos devastadores, permitindo uma aceitação e o retorno da independência e iniciativa. Ressaltou ainda que o luto pode ser considerado normal ou patológico, mas não significa que não seja doloroso ou que não exija grande esforço de adaptação às novas condições de vida, tanto por cada indivíduo afetado como pelo sistema familiar, seja sua elaboração normal ou não (Carvalho, 1994). O autor enfatizou que a elaboração saudável do luto se dá com a aceitação da modificação do mundo externo, ligada à perda definitiva do outro, e a conseqüente modificação do mundo interno e representacional, com a reorganização dos vínculos que ainda existem. Já a elaboração patológica se dá com a exacerbação dos processos do luto normal, com duração muito longa, com características obsessivas assumindo um caráter irreversível. Dessa forma, duas mudanças devem ser operadas durante o processo de elaboração do luto. Primeiramente deve-se reconhecer e aceitar que a morte ocorreu e a relação agora está acabada, e em segundo lugar deve-se experimentar e lidar com as emoções e problemas da perda para restabelecer sua vida de acordo com a realidade atual.

A morte mesmo sendo comum a todo ser humano, causa muito medo, por ser a única coisa realmente desconhecida e da qual nunca poderemos escapar.

Pode também representar o medo da solidão, da separação de quem se ama, o medo do desconhecido, do julgamento por seus atos em vida, do que ocorrerá com seus familiares e por fim o medo do fracasso na realização de seus objetivos, como se sua “missão” não pudesse ser terminada.

Diante do que foi exposto com relação à morte pode-se dizer que este é um tema que mobiliza muitas questões, por estar ligado à representação da aniquilação, da doença e da separação daqueles que amamos, por conta disso, podemos dizer que este se torna então um fator extremamente estressante, e como tal, pode estar vinculado ao aparecimento de doenças e por isso merece atenção.


CARVALHO, M.M.M.J. e COL. Introdução à Psiconcologia, São Paulo:

Psy II, 1994.

CHEVALIER, J. e COL. Dicionário de Símbolos. 17ª ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.

DUCATI, DCP O Médico frente “a Indesejada das Gentes”. Revista do Hospital Fêmina, nº 01, Porto Alegre, janeiro 1995.

FERREIRA, ABH Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 1ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

FREUD, S. Luto e Melancolia (originalmente publicado em 1917) In Obras Completas de Freud. v. 14, São Paulo, 1997.

KOVÁCS, M. J. Morte e Desenvolvimento Humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

Renata Goltbliatas
Atua em psicologia hospitalar e clínica
CRP/SP 06/66595
São Paulo/SP

Obs.: Psicóloga com Formação em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de São Paulo com habilitação em Pediatria, Oncologia e Neuropsicologia; Aprimoranda em Psicologia Hospitalar no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, com habilitação em Ginecologia. Associada do Ceaap - Realiza atendimento a Crianças, Adultos, Casais e especialmente a pacientes da Oncologia, Acompanhamento Psicológico durante o Pré e Pós Operatório de pacientes da Oncologia; Apoio Psicológico para pacientes submetidos à Quimioterapia e Radioterapia; Apoio Psicológico para familiares e cuidadores destes pacientes. Ministra Palestras na área da Psicologia Hospitalar e Aulas como Profª. Convidada no Curso de Psicologia Hospitalar do Ceaap; Colaboradora na criação e implantação do I Prêmio Ceaap de Produção Científica.

O Casamento Acaba com o Namoro?

Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, realizei uma pesquisa de campo sobre os relacionamentos conjugais. Específicamente, a pesquisa visava entender qual o papel da mulher no casamento. Foram entrevistadas 10 mulheres, escolhidas aleatoriamente, com idade entre 25 e 55 anos e, casadas há pelo menos 5 anos. Achei interessante, portanto, através deste artigo retomar este assunto, tão polêmico e sempre atual.

O anseio de encontrar a alma gêmea, o par ideal existe dentro de todos nós. Para muitas pessoas a felicidade verdadeira está no encontro do amor. É claro que, sendo o homem um ser social, é essencial para o seu desenvolvimento compartilhar do afeto. No entanto, o que se percebe é que as pessoas estão em busca de alguém que preencha os seus “buracos”, os seus “vazios” e não alguém que compartilhe a vida com elas.

É pura ilusão acreditar no par perfeito, mas o que é possível ao homem é se voltar para o seu mundo interno e aceitar que as pessoas não são iguais, e que é a partir das diferenças que podemos crescer, aprendendo a valorizar as diversas formas de expressão dos sentimentos de cada um e tomar consciência de que o problema não é ter conflitos, mas não saber como lidar com eles.

No discurso da maioria das mulheres entrevistadas, em minha pesquisa, notei que o casamento é visto como algo difícil, complicado e, por vezes, enfadonho, ou seja, muito diferente dos primeiros tempos do namoro. A questão que pode ser levantada é: porque no casamento não há espaço para o namoro? Porque o casamento não é visto como um processo de construção e conhecimento do outro e como uma continuação da fase “feliz” dos “primeiros dias”?

O que se verifica é que os casais separam o namoro do casamento, como se fossem duas coisas totalmente distintas. Os parceiros, a partir do momento em que se casam, passam a vestir uma máscara de marido ou esposa ideais, ou seja, a esposa ideal é alegre, comunicativa, entende e completa o marido; é aquela que cuida bem da casa e dos filhos. O marido perfeito é aquele que é o amigo pra todas as horas, companheiro, que sabe o que a esposa gosta e sente, que gosta de diálogo e conversa com ela sempre que ela deseja; é o pai perfeito para os filhos do casal e, além de tudo, é o que traz o sustendo para dentro do lar. Isso significa que a leveza e a espontaneidade do namoro já não tem espaço, pois não existe flexibilidade nos papéis assumidos, somente uma rigidez absurda do que é ideal ou não no casamento.

Desta forma, não se tem mais possibilidades de descobrir e ser descoberto, e essa “mesmice” faz com que a relação vá minguando até que não exista mais nada a ser feito por ela. Acredito que grande parte dos conflitos existentes no casamento seriam solucionados se cada pessoa pudesse ser livre para ser o que quiser, livres para serem elas mesmas.

Para finalizar, mencionarei uma frase de Carl Rogers, que gosto muito e que expressa a liberdade de sermos nós mesmos e ainda assim, amarmos e sermos amados:

Eu talvez possa descobrir mais do que sou realmente em meu íntimo e chegar mais perto disso – sentindo-me às vezes, encolerizado ou aterrado, às vezes amante e solícito, de vez em quando belo e forte ou desordenado e medonho – sem esconder de mim mesmo esses sentimentos. Eu talvez possa estimar-me como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez possa ser espontaneamente mais essa pessoa. Nesse caso, poderei viver de acordo com os meus próprios valores experimentados, conquanto tenha consciência de todos os códigos da sociedade. Nesse caso, poderei ser toda esta complexidade de sentimentos, significados e valores com meu companheiro – suficientemente livre para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. É possível, então, que eu venha a ser uma pessoa real. E espero poder incentivar meu companheiro a seguir o seu caminho na direção de uma personalidade única, que eu gostaria imensamente de compartilhar” (Rogers, 1985).

ROGERS, CARL R. Novas Formas do Amor – O casamento e suas alternativas. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1985, 7ª edição.

Daniela M. P. de Azevedo
Psicóloga
CRP/SP 80.896
Atua em Psicologia Clínica
Osasco/SP e Alphaville/SP

Poder, anormalidade e homossexualidade

A homossexualidade como uma construção da modernidade

Poder, anormalidade e homossexualidade
Aportes de Kinsey e Foucault

Este artigo é uma homenagem a dois grandes guerreiros modernos, que a seu tempo e de seu modo contribuíram para a visão que temos hoje, sobre a sexualidade humana e  a  seus atuais seguidores.

Um dos primeiros estudos modernos, sobre a  homossexualidade como fenômeno socialmente significativo, que recebeu destaque nos meios acadêmicos foi o realizado  pelo biólogo e sociólogo americano Kinsey, nos Estados Unidos entre 1948 e 1953. Em 1948, Kinsey publicou o primeiro relatório sobre o comportamento sexual dos homens, seguido pelo de mulheres em 1953. Os resultados das pesquisas descritos nos "Informes Kinsey" trouxeram a luz pública dados considerados inimagináveis à sociedade americana puritana da época. Um deles foi a descoberta de que 92% dos homens e 68% das mulheres que participaram da investigação, afirmaram que se masturbavam ou que já  tinham se masturbado, esta informação surpreendeu o mundo e os americanos. 

Com relação ao objeto erótico afetivo da população masculina incluída no estudo, 50% relataram manter relações sexuais exclusivamente heterossexuais, 46% afirmaram ter tanto relações heterossexuais como homossexuais e 4% dos participantes afirmaram manter relações exclusivamente homossexuais, este último grupo foi definido por Kinsey como "homossexuais absolutamente homossexuais".Obs: com relação à porcentagem de homossexuais, estudos atuais estimam que entre 5 a 10 % da população mundial seria composta por homossexuais.

 As conclusões de Kinsey apontaram que a homossexualidade seria uma variação natural da expressão sexual normal do ser humano, e que não estaria relacionada a aspectos psicopatológicos, além de que todas as pessoas seriam capazes de responder eroticamente a estímulos sexuais provenientes de pessoas do sexo oposto ou do seu mesmo sexo. Para alguns, Kinsey  é considerado um sábio que demonstrou a hipocrisia reinante na época, e colocou os holofotes sobre o tema da repressão sexual. Para outros, ou seja, seus detratores (e eles ainda existem), ele seria um dos responsáveis pelo decaimento da moral e bons costumes reinantes na atualidade.

Sobre a discussão científica e social acerca da normalidade ou anormalidade da sexualidade humana, outro detrator da repressão sexual, o filósofo Francês Michael Foucault afirma que a sexualidade humana, através da história, esteve sob a suposta ameaça de ser dominada por  processos patológicos, o que teria levado  as ciências e a religião a intervir, atuando tanto ao nível de prevenção como de cura e normalização. Dentro deste processo a igreja católica, as ciências médicas e a sexologia definiram a homossexualidade como uma patologia, um desvio da conduta sexual normal, buscando deste modo mudá-la para a heterossexualidade dominante.

Foucault afirma, que o poder social  estabeleceu e ainda estabelece os limites entre o normal e o patológico, o racional e o irracional, assim como do sano e o insano, seria um poder normalizador, que exclui o que não se enquadra dentro dos parâmetros formais de normalidade. Este poder social/normalizador teria suas bases no complexo saber/poder, ou seja, um vínculo direto entre o saber e o poder, em uma relação que potencializa o saber na sua busca da normalidade, e que esta normalidade seria uma ferramenta de dominação. Segundo Foucault, devido a este poder normalizador/dominador  podemos observar através do tempo como as pessoas foram (e continuam sendo) julgadas, classificadas, condenadas, obrigadas a viver de um certo modo e até a morrer por não desistir de suas convicções.

Normalidade sexual

Não é fácil definir onde está localizado o limite entre a sexualidade humana normal e a anormal, já que estes conceitos estão mais relacionados a atitudes sociais do que a dados científicos. Alguns autores afirmam que os conhecimentos científicos que temos a respeito do tema ainda são inconcretos, e seria um erro tentar definir rigidamente a normalidade sexual. Com relação à saúde mental dos homossexuais, eles podem não ter nenhuma dificuldade psíquica e estar perfeitamente adaptados ao trabalho e a sociedade, ou por outro lado, apresentar uma ampla variedade de transtornos psíquicos exatamente igual aos heterossexuais. A perseguição e repressão da sociedade aos homossexuais, fariam uma parte da população deste grupo sofrer de distintos graus de neurose, mas estas não teriam relação com a orientação sexual, mas sim com a dificuldade que representa ser homossexual em nossa sociedade.

A homossexualidade como uma construção da modernidade

O caráter histórico das práticas sexuais, sua dimensão simbólica e seu caráter dialético, configuram elementos que nos permitem compreender a relação indivíduo/sociedade/sexualidade. Até o final do século XVIII, o direito canônico, a lei civil e a pastoral cristã estabeleceram o lícito e o ilícito dos atos sexuais, colocando no núcleo do seu discurso a família e seu papel reprodutivo, objetivando, deste modo, a ordem e o controle social através da regulamentação das práticas sexuais.

Com o inicio da modernidade e o avanço das ciências, o foco de atenção sexual deixou de ser o matrimonio e se concentrou nas sexualidades periféricas, ou seja: a sexualidade dos loucos, das crianças, dos criminosos e no prazer homoerótico. As sexualidades, ditas periféricas, não surgiram na modernidade: sempre estiveram presentes durante épocas anteriores, porém a diferença é que agora elas passam a ter uma visibilidade e são apresentadas como entidades específicas que devem ser estudadas, avaliadas e controladas.

Através deste processo ocorreu a implementação das perversões pela ciência, que se encarrega de controlar, classificar e inseri-la dentro de uma realidade permanente e analítica. Estas novas classificações e especificações criaram uma nova identidade, um novo tipo de indivíduo: o sujeito homossexual , diferente dos outros sujeitos da sociedade por estar fora da norma dominante.

Esta construção moderna da homossexualidade como uma identidade, impossibilitou uma visão total do indivíduo, que passou a ser fragmentado com sua sexualidade predominando seus atos. O sodomita de épocas anteriores era um relapso, o homossexual do início da modernidade é uma espécie.

Atualmente, as ciências e a sociedade civil organizada deram grandes passos no sentido de desmistificar o prazer homoerótico e o preconceito social que o acompanha. Mas o caminho é longo e difícil, pois a tolerância alcançada através de árduo trabalho não é a falta do preconceito, mas sim, o preconceito congelado, escondido, à espera de uma oportunidade para surgir e estabelecer suas normas e pautas de controle e normalidade sexual.

Paulo Bonanca
Psicólogo, Sexólogo
CRP 05/30190
Atua em Psicoterapia e Sexualidade Humana
Rio de Janeiro - RJ

Obs: Psicólogo com especializacao em sexualidade humana, transtornos e disfuncoes sexuais. Coordenador do Aconselhamento em HIV-AIDS Grupo Pela VIDDA/RJ. Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana). Conselheiro em Direitos Humanos pela Ágere Cooperação em Advocacy

O Psicoterapeuta e a causa GLS

Homoerotismo feminino e visibilidade social

O Psicoterapeuta e a causa GLS

Como uma reação frente ao preconceito social, no meio GLS esta se tornando comum, a prática de buscar um terapeuta sintonizado com as necessidades dos seus membros, sejam elas individuais ou grupais.

 A busca de um profissional que aceite e acolha a orientação, a prática sexual e o objeto erótico-afetivo do cidadão(ã) GLS como uma expressão da capacidade afetiva dos seres humanos, ou uma expressão natural dos desejos, é fundamental para que ele não se encontre na difícil situação de ser discriminado por este profissional, ou seja, que reedite em seu trabalho o discurso homofóbico social.

Quando trago o tema da "psicoterapia" ou "terapia para gays", não estou colocando em discussão a homossexualidade ou bissexualidade como causa de transtornos psicopatológicos, já que independente do objeto de desejo, qualquer pessoa poderá apresentar em um determinado momento de sua vida dificuldades em seus relacionamentos, com sua auto-estima, auto-imagem ou outros problemas emocionais e afetivos.

Nos Estados Unidos a APA (Associação Americana de Psicologia), divulgou uma lista com alguns critérios que devem ser observados pelo publico GLS no momento de buscar apoio psicológico. Devido às diferenças culturais, não sou a favor de nenhum tipo de tradução por mais bem intencionadas que sejam, mas enfim, abaixo seguem alguns itens, use seu próprio critério e assertividade.

Com respeito à figura do terapeuta a associação americana recomenda:

- Que o psicólogo respeite e valorize como positivos os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

- Que o psicólogo seja consciente das dificuldades que os membros do grupo GLS enfrentam devido ao estigma social, a violência física e a homofobia, e que estas dificuldades podem colocar em risco o bem-estar e a saúde mental deles.

- Que para o psicólogo, a orientação sexual de tipo homossexual ou bissexual não configura indicadores de enfermidade mental.

- Que o psicólogo seja consciente de suas próprias dificuldades, limitações e preconceitos, e que esteja sempre alerta frente à possibilidade de atuar frente ao paciente.

- Que a homofobia social é um fator relevante na auto-estima e na auto-percepção do paciente, e podem afetar a forma com que ele chega a terapia, assim como o processo terapêutico

- Que o conceito de casal e família do psicólogo seja amplo, e não restrito a duas pessoas de sexo oposto.

- Que a revelação da orientação sexual pode vir a ter um impacto negativo na relação do individuo com sua família, compreendendo as possíveis dificuldades que podem surgir tanto para o individuo que informa quanto para os familiares.

Como saber se o psicólogo tem as características mencionadas anteriormente?

Em caso de necessitar apoio psicológico e não conhecer um profissional que trabalhe o homoerotismo de modo afirmativo, as ONG's, revistas e jornais gays podem ser uma valiosa fonte de informação, assim como amigos que estão/estiveram em processo terapêutico também pode ser de boa valia.

Caso não tenha a quem perguntar, utilize os itens mencionados anteriormente, transforme-os em perguntas. Não tenha medo de perguntar, seja franco e honesto com você mesmo e com as suas necessidades e não aceite menos por parte do psicólogo.

Homoerotismo feminino e visibilidade social

A luta das mulheres por seus direitos, independência e autonomia faz parte de um processo histórico digno de estudos e teorias. Através da história mulheres fortes, valentes e destemidas enfrentaram e ainda enfrentam a discriminação e o preconceito. Tópicos como: violência, abuso sexual, liberdade reprodutiva, orientação e assédio sexual hoje transcendem as cátedras universitárias e se perfilam como temas de abrangência social.

Matérias polêmicas - antes tratadas como temas distantes dos espaços de atuação social - começam a ser vistas em espaços de direito ocupados pela sociedade civil organizada e trabalhadas desde uma ótica mais ampla, direcionada para temáticas e relações mais íntimas, vinculadas ao corpo e aos afetos. Estes processos de apoderamento e reivindicação visibilizam os espaços e os instrumentos de poder que influenciam a determinação do sujeito, sua sexualidade, sua moral e seus desejos.

A luta dos movimentos que reivindicam a visibilidade da mulher de orientação sexual homolésbica enfrenta hoje uma dupla batalha: uma frente à sociedade patriarcal, determinista, estruturalista, centrada na figura da dona de casa submissa ao esposo, mãe dedicada, despojada de autonomia econômica e liderança social. A outra dificuldade dessas mulheres - que lutam por seus direitos ao amor e ao afeto, é encontrar apoio e solidariedade junto a outros que lutam por direitos semelhantes, e que levam a mesma bandeira colorida do arco-íris como símbolo de unidade e diversidade.

O processo de visibilidade das mulheres trás consigo a necessidade social de uma análise dos discursos e das práticas em todos os níveis. Os dogmatismos sexuais devem ser expostos, apontados, trabalhados e mobilizados para que a visibilidade seja plena, não somente na área pública, mais sim na sua representação mais importante; a que cada sujeito leva dentro de si, em seus atos e não somente em suas palavras. 

Paulo Bonanca
Psicólogo, Sexólogo
CRP 05/30190
Atua em Psicoterapia e Sexualidade Humana
Rio de Janeiro - RJ

Obs: Psicólogo com especializacao em sexualidade humana, transtornos e disfuncoes sexuais. Coordenador do Aconselhamento em HIV-AIDS Grupo Pela VIDDA/RJ. Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana). Conselheiro em Direitos Humanos pela Ágere Cooperação em Advocacy

Sexualidade e Modernidade – Bareback: sexo anal sem preservativo e Dark-Room

Bareback: sexo anal sem preservativo

De um modo amplo podemos entender o bareback (tradução literal; montar a pelo) como a prática do sexo anal sem preservativo, seja ele praticado entre homossexuais, bissexuais ou heterossexuais. Consiste em uma prática sexual difundida principalmente nos Estados Unidos e Europa, mas com simpatizantes também no Brasil.

Alguns aspectos importantes a serem observados sobre esta prática, segundo seus seguidores, seriam: a camisinha não foi idealizada para a realização do sexo anal, o preservativo priva os indivíduos de um "sexo real", pois impediria o contato da pele do pênis com o ânus, a utilização do preservativo tira a intimidade da relação, impõe  um distanciamento afetivo, que a camisinha deve ser utilizada por opção e não por imposição, entre outros.

Os indivíduos e grupos que incentivam o bareback como prática sexual alegam que devido aos avanços atuais relacionados ao tratamento anti HIV (terapia anti-retroviral) e ao acesso a ele, em caso de contágio sua qualidade de vida não sofreria qualquer tipo de impacto negativo, já que os medicamentos ao inibir a reprodução do vírus e potencializar o sistema imunológico, impediria o surgimento de enfermidades oportunistas (AIDS). Outro aspecto positivo alegado pelos praticantes do bareback é que a ansiedade e a angústia frente ao possível contágio pelo HIV desaparecem uma vez que se sabem soropositivos, e uma vez soropositivo a utilização do preservativo passaria a ser descartada.

Praticantes do bareback relatam que uma vez constatada a soropositividade (contágio), se sentiram mais livres na prática sexual, além de perceberem um aumento significativo tanto no prazer como na  satisfação e na performance sexual.

Os grupos, para a prática do bareback, podem se configurar como mistos  (pessoas soropositivos e negativas) - onde não se sabe quem vive com o vírus e quem não, ou por grupos de soropositivos. Membros dos grupos mistos relatam que a possibilidade de seu parceiro ser soropositivo aumenta a adrenalina da relação e que o contágio não seria relevante, vindo a ser em alguns casos um alivio, o fim da preocupação frente ao HIV e o fim do uso do preservativo nas relações.

O bareback se configura de algum modo como um fenômeno e prática sexual moderna, com impacto a vários níveis, tanto social como individual. Ainda se fazem necessárias investigações mais profundas para entender os processos que estariam operando em sua base, mas creio que alguns elementos já poderiam ser abordados. Abaixo alguns questionamentos pessoais sobre a prática do bareback no Brasil:

- O bareback surge nos Estados Unidos e Europa, locais que concentram os indivíduos economicamente mais favorecidos do mundo, com possibilidade de financiar seu próprio tratamento, exames, consultas médicas e internações. Além de contar com os melhores seguros sociais do planeta. Podem os praticantes do bareback brasileiros contar com estas facilidades?

- O programa HIV/AIDS do Governo Brasileiro é reconhecido internacionalmente como  um dos melhores do mundo, mas não está isento de problemas e dificuldades. Frente ao constante numero de novos casos registrados anualmente e ao baixo número de óbitos decorrentes do HIV, até quando a qualidade do programa poderá se manter e oferecer para toda a população soropositiva os anti-retrovirais, exames e consultas de modo funcional? E quanto às hospitalizações?

- O preservativo não é barreira de proteção somente para o HIV. O bareback nega a existência das outras  DST'S.

- Os anti-retrovirais, sozinhos, não representam nem são responsáveis pela qualidade de vida do individuo soropositivo, outros aspectos psicossociais importantes operam nesta situação. Exemplo: sem adesão ao tratamento, dificilmente se obterá o distanciamento das enfermidades oportunistas.

- O soropositivo, frente a relações sexuais de alto risco, se coloca na possibilidade de re-contágio do HIV, o que dificulta em muito o tratamento e tem impacto negativo na qualidade de vida.

- O que sabem os incentivadores e praticantes do bareback sobre os efeitos colaterais dos medicamentos a curto e largo prazo. A lipodistrofia, (acúmulo de  gordura em determinadas partes do corpo), que pode ocorrer devido ao uso dos medicamentos, se configura como uma preocupação para eles?

Colocar-se frente à possibilidade de contagio do HIV através da prática do bareback traz consigo motivações psicológicas que podem ir do sadismo ao masoquismo. A idealização de uma relação sexual  mais livre, com um maior contato íntimo e afetivo poderia estar encobrindo uma idealização suicida que começa com o contágio por um vírus e pode ter continuação na idéia de que o medicamento não permite a livre expressão do organismo, ou que os exames, as  consultas médicas e a busca mensal de medicamentos  tem impacto negativo no seu bem-estar.

Apodere-se do seu corpo, ele único e te pertence. Informe-se, reflita, pense e decida o que você quer e deseja para a sua vida, é uma decisão exclusivamente sua, assim como as conseqüências.

Dark-Room: Vamos acender a luz?

....Quarto escuro, corpos desnudos ou quase, sussurros, mãos, pernas, bocas, pênis, sujeitos incógnitos, braços e abraços, beijos, sexo oral, anal, grupal.  A situação privilegia o tato, a visão é descartada,  vale o prazer sem limite, um , dois, três, quatro.... enfim, viemos para isto e não para outra coisa, façamos sem barreiras, limitações, juízos de valor ou repressões, afinal é imaginar que somos atores/personagens do teatro do desejo, encenando a peça: "nos domínios do baú do porão"....

Todos internamente levamos necessidades e desejos a serem satisfeitos, que necessitam ser atuados, praticados, precisam entrar no campo de possibilidades. Algumas destas necessidades e desejos além do prazer geram medo, susto, raiva, taquicardia, despertam angústia. Ser sexualmente visível, 100% presente, real, completo também é ser alvo de avaliações, preconceitos, padrões estéticos, além da possibilidade de ter o desempenho sexualmente avaliado. Uma solução? Refugiar-se no escuro, guardar-se no baú fechado e escondido no porão do seu ser ou de alguma sauna ou local noturno.

Poder ver o baú, poder olhar a si mesmo e o outro de frente é vencer o medo, enfrentar a fatalidade temida é sair da negação. A negação é um grande incentivo a fazer o que se teme, é desviar do caminho, mas subjetivamente, continuar trilhando no mapa. A morte, a doença, a falta de afeto, a solidão, o medo à rejeição e a discriminação  entre outros são partes do escuro. Esconde-se no escuro, mas o escuro é o domínio do baú do porão; e aí está a ambivalência. É no escuro do quarto que se atua o que assusta, lá onde todos são incógnitos se encontram consigo mesmo e com os seus fantasmas, formas sem nome, sem identidade ou cobranças.

Será que o sexo revoga a sexualidade?  Ou é o anonimato que  dá força e permite atuar o desejo?  Permite-se somente o anonimato ou  também ser visto e acima de tudo ver o seu reflexo nos olhos do outro? Existem outros modos de satisfação ou o anonimato se tornou uma camisa de força, uma prisão, os olhos que não  vêem negam as mãos e os dedos que  apontam?  Para chegar ao baú  é necessário descer ao porão, simbólicamente ir para trás, controlar a ansiedade, cada degrau que se desce é um encontro consigo mesmo, disfarçado, mas reconhecido, a marca esta lá, em cada um deles, as necessidades e os desejos negados subindo os degraus, escapando do porão, fugindo do baú.

Paulo Bonanca
Psicólogo, Sexólogo
CRP 05/30190
Atua em Psicoterapia e Sexualidade Humana
Rio de Janeiro - RJ

Obs: Psicólogo com especializacao em sexualidade humana, transtornos e disfuncoes sexuais. Coordenador do Aconselhamento em HIV-AIDS Grupo Pela VIDDA/RJ. Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana).

Sensibilidade masculina a toda prova?

Mudanças na sociedade propiciam transformações também nos homens
Entrevista concedida a www.padremarcelo.com.br em 01/09/2006, por Rodrigo Herrero

Os homens têm se mostrado mais sensíveis hoje em dia?
Sensibilidade é uma característica inata, tanto para o homem, quanto para a mulher. A diferença é que os homens eram impossibilitados de se sensibilizarem a ponto de se expressarem, como por exemplo, com choro. Hoje em dia, os homens têm se sentido mais livres para expressar seus sentimentos, porque a partir da década de 90 houve uma modernização dos papéis masculinos e femininos. Foram permitidas expressões de afeto e sentimento sem que a sexualidade fosse envolvida.
 
Por que o sexo masculino tem certa dificuldade de mostrar sua sensibilidade?
A história da humanidade mostra que o homem sempre executou tarefas com utilização da força e cumpriu deveres de suprir a família e a comunidade através da sua produtividade. Não havia espaço para atuar expressando delicadeza. Isso dificultou ao homem assumir seu lado afetivo, treinar o relacionamento emocional, tendendo, assim, a reprimir sentimentos muito mais do que as mulheres. A partir da era da globalização conhecemos outras culturas e vimos que cada uma tem características e comportamentos diferentes, não sendo a sensibilidade o principal influenciador do fato de ser ou não homem. Ficou mais fácil chorar, se permitir magoar e demonstrar sentimentos. Lembramos também que esse fato também trouxe um rebaixamento da censura moral, possibilitando haver maior liberdade sexual, emocional e de formação da personalidade dos indivíduos.
 
Até seguindo essa linha, por que a sociedade tem também essa dificuldade de aceitar a exposição da sensibilidade/fragilidade masculina?
A sociedade tem misturas de cultura, os mais velhos não aceitam esse novo comportamento, mas para os mais novos, isso é normal. Os meninos já crescem vaidosos como as meninas, aprendem a se expressarem com mais facilidade, porque já não são criados como antes. Os pais, na tentativa de se atualizarem, estimulam essa nova cultura.  Não podemos esquecer que tudo que é demais faz mal. Homens muito sensíveis e mulheres pouco sensíveis são extremos que merecem atenção. Devem realizar avaliação de sua saúde emocional para checar o que está em desarranjo.
 
A mudança na relação, mostrando a mulher muito mais independente que o homem, complica para essa situação atual?
Há uma mudança geral, não só na sensibilidade do homem. A mulher ocupa espaço também que pertencia aos homens. Há uma mistura de papéis e uma igualdade maior entre os sexos. O que a mulher aprendeu a fazer – sair para trabalhar – não difere do aprendizado do homem, que também aprendeu a cuidar da casa. No fim, os dois acabam executando as mesmas tarefas – é a igualdade de papéis.
 
As mulheres realmente preferem homens mais sensíveis ou isso é um mito?
Como já se diz no ditado, cada panela tem sua tampa. E assim surgem relações diferentes das quais estamos acostumados a ver. Nesse mundo grande, existe de tudo e procuramos alguém que nos complete para fazer par. No intuito de facilitar o encontro de parceiros mais compatíveis existem centenas de sites que promovem o relacionamento. Também é necessário que o mundo evolua e com isso, vem a nossa adaptação. Pessoas mais velhas estranham esses valores e as mais novas criam outros. Para lidarmos bem com isso, é importantíssimo respeitar as diferenças de cada um. A cada novo tempo, novos comportamentos virão, não acaba por aqui...
 
No fim das contas, a mulher acaba por preferir um “homem com H” que dê segurança para ela, e acaba se irritando quando o homem se mostra muito sensível?
Se “homem com H” for símbolo de conservadorismo, este é capaz de proteger mais mulheres submissas, mas a mulher independente de hoje não tolera mais o autoritarismo antigo. Homens muito sensíveis são capazes de dar mais amor e entender mais de questões emocionais, mas podem proporcionar menos segurança. O bom é ter tudo na medida certa. O homem não deixa de possuir capacidade de prover proteção e segurança só porque é sensível. A mulher vai preferir o homem que mais se adapte ao seu coração.

Claudia D'Andretta
CRP 67.808
Atua em Psicologia Clinica e Organizacional
São Paulo – SP

Obs: Psicóloga clínica de seguindo a linha breve de orientação psicanalítica e consultora de carreira e RH. Mantenedora deste site.

Trabalho e Família - Novas Formas de Trabalho e Relação Familiar

Mudanças no Mundo do Trabalho

O trabalho flexível que possibilita ao homem e à mulher trabalhar em casa, trouxe uma falsa sensação de que é possível trabalhar com mais liberdade, no entanto, o que podemos perceber como já foi dito no primeiro capítulo é que as pessoas que trabalham em casa talvez sejam mais controladas do que as que estão no escritório, pois o chefe não tem um controle direto sobre a sua presença e o tempo que dedica às suas tarefas.

Além disso, a expectativa de que dessa forma seria possível dar mais atenção à família caiu por terra, quando se percebeu que era muito difícil dividir o espaço doméstico com o trabalho e ser ao mesmo tempo pai e funcionário.

Temos ainda uma outra forma de se misturar a vida privada com o trabalho, quando apesar do homem ou da mulher trabalharem fora, levam ao final do dia, tarefas para serem concluídas em casa, muitas vezes porque já está muito tarde e estão cansados ou têm outros compromissos. Ao se chegar em casa com essas tarefas, o rádio da empresa, celular, lap-top e o que mais for possível, não há possibilidade de se relaxar e brincar com os filhos ou conversar com a mulher ou marido. A casa se torna um prolongamento do trabalho e as necessidades da família – inclusive e principalmente afetivas – ficam em segundo plano, geralmente para o período de férias.

Mudanças na Família

A partir da emancipação da mulher no séc.XX, as alterações familiares foram sendo feitas, entre outras razões porque a mulher passou a ter o poder sobre o seu próprio corpo e portanto sobre uma possível gravidez, tirando do homem a decisão quanto à procriação.O surgimento dos métodos anticoncepcionais deu a esta mulher o direito ao prazer de desfrutar de sua sexualidade.

A família começou a se confrontar e interagir com o aborto, a pílula, a inseminação artificial e o divórcio e aquele modelo que por tanto tempo nos foi imposto como universal (pai, mãe e filho) foi sofrendo novos arranjos, alterações e hoje temos vários modelos de família convivendo,entre eles, a família monoparental (mãe e filhos, ou pai e filhos), a família recomposta (mãe, padrasto e filhos do 1º casamento convivendo na mesma casa com filhos do 2º casamento), homoparental (casais homossexuais que adotam um filho).

A família fracassou na tentativa de se manter como um refúgio, isolada de todos os males da sociedade e do trabalho, pois ela é, a todo momento, bombardeada por novos estímulos, exigências regras e modelos de educação, cultura, beleza, enfim, modelos de homem e mulher.

Além disso, ao perder o seu status de refúgio e proteção, surge uma nova função familiar como nos aponta Mizrahi:

“(...) Se o trabalho protege menos, a única “proteção” que o refúgio familiar pode ainda oferecer aos filhos é desprotegê-lo o mais rápido possível. Assim, o espaço privado parece devorar a si mesmo como espaço protetor, na medida em que se mostra cada vez menos capaz de influenciar o mundo do trabalho.” ( Mizhari,2004, p;81)

Existe uma expectativa por parte da empresa que não só o homem, mas também que a mulher não deixe o seu rendimento e a sua produtividade ficarem prejudicados por conta de suas obrigações parentais. Dessa maneira, a gravidez, a amamentação, a entrada da criança na escola ou creche bem como o seu acompanhamento nas reuniões de pais não são consideradas justificativas para faltas e mesmo os direitos garantidos por lei como licença à maternidade não são respeitados. A mensagem que fica subentendida é que a empresa precisa da sua força de trabalho e não dos seus problemas familiares, pois estes são de ordem pessoal, da vida particular, a mesma vida particular que ironicamente é invadida pelo trabalho quando necessário, e na maioria das vezes é.

Além disso, no que diz respeito ao afeto e aos vínculos entre pais e filhos, assim como as relações superficiais estabelecidas no ambiente de trabalho, os pais podem optar por uma relação mais distante com os filhos como forma de se defender do sofrimento inevitável no momento de uma separação por conta do trabalho.

Experiências de Desemprego

Um homem ou mulher que estejam vivenciando uma situação de desemprego, por mais que guardem peculiaridades em suas formas de entender, vivenciar e exprimir o que estão passando, são iguais numa coisa, estão sofrendo. E não há como ser diferente já que estamos falando de sujeitos sociais que tiveram a sua subjetividade fortemente marcada ao longo do tempo pelo trabalho. Ou seja, o homem aprendeu a se reconhecer e ser reconhecido e valorizado através de sua função para a sociedade, através de seu trabalho. Diante dessa situação que joga homens e mulheres no desvalor é normal buscar por outros papéis sociais que lhe resgatam a identidade e a auto-estima.

“(...) em que medida, ao perder o emprego, o sujeito pode como recurso extremo, ver nos papéis de pai e mãe formas últimas para tentar ainda garantir seu reconhecimento e valorização? (Mizhari, 2004, p.102-103)

É bom lembrar que essa manobra é sempre mais fácil para a mulher (que por muito tempo teve o seu papel como mãe e “do lar” valorizado) do que para o homem que historicamente é visto como o provedor da família. Porém, mesmo as mulheres não se livram da sensação de ficarem ultrapassadas quando optam por cuidar apenas da família ou quando ficam desempregadas.

Outras questões foram surgindo; como os conflitos entre o papel do homem e da mulher, do pai e da mãe e o relacionamento entre pais e filhos. Além das questões relativas à culpa e medo pelo excesso de trabalho e mudanças nos vínculos afetivos por conta das exigências das empresas.

Penso que questões que envolvem e mobilizam tantas forças e tanto sofrimento não podem ser ignoradas pelos psicólogos que não atuam senão nessa mesma sociedade onde esses conflitos surgem. Como nos aponta Bock 10 “A Psicologia não tem sido capaz de, ao falar do fenômeno psicológico, falar de vida, das condições econômicas, sociais e culturais nas quais se inserem os homens”.

É praticamente impossível pensar em subjetividade sem considerar as condições de trabalho ou situações de desemprego que ora estamos mergulhados enquanto psicólogos ora como trabalhadores que também somos. Não podemos perder essa dimensão do trabalho - a dimensão do trabalho que fazemos dia a dia - nos consultórios, nas escolas, nos hospitais, Postos de Saúdes, Juizados, Conselhos Tutelares, enfim, em todas as nossas entradas.

Ter uma escuta que considere o sujeito à nossa frente como um sujeito sócio-histórico, atravessado por todas as problemáticas econômicas e políticas de seu tempo, é respeitar o que em nós há desse sujeito. Por outro lado, fechar os olhos para um contexto no qual se estabelece um conflito, seja ele familiar ou político e querer trabalhar com o sujeito singular, individual, é negar o que em nós também pulsa como sofrimento pela nossa própria condição de trabalhador à deriva, no momento em que os nossos consultórios não mais estão cheios e que ter um nome ou muitos anos de carreira não é mais sinônimo de estabilidade.

Não podemos evitar que os conflitos do trabalho atravessem as questões familiares, mas através de uma escuta sensível e honesta, poderemos agir como facilitadores de comunicação e propor o debate, a discussão, a resolução do impasse que incomoda e para o qual temos feito vista grossa. Talvez não seja possível mudar o mundo do trabalho nem ao menos fazer psicologia sem ideologia. Mas que seja então uma ideologia do bem comum e uma psicologia humanitária. Porque sem ideologia não há sonho que se sustente e sem sonho, não há trabalho que valha à pena.

Como já dizia o poeta Cazuza “(...) ideologia, eu quero uma pra viver...”.

E eu também.

10 BOCK, Ana Mercês. A Psicologia Sócio-Histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. In: BOCK, Ana Mercês, GONÇALVES, Maria da Graça, FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica. SP: Editora Cortez, 2001.

BOCK, Ana Mercês . A Psicologia Sócio-Histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. In: BOCK, Ana Mercês, GONÇALVES, Maria da Graça, FURTADO, Odair (orgs.). Psicologia sócio-histórica. SP: Editora Cortez, 2001.

MIZRAHI, Beatriz Gang - A relação pais e filhos hoje - a parentalidade e as transformações no mundo do trabalho , RJ, Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2004

ROUDINESCO, Elisabeth - A família em desordem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003

Tatiana Vasconcelos Cordeiro
Psicóloga Clínica
CRP 05/33923
Tijuca - Praça Saens Peña - RJ

Obs: Atendimento Individual e em Grupo para Adolescente, Adulto, Idoso; Terapia de Casal e Família; Avaliação Psicológica; Psicodiagnóstico – adolescente e adulto; Orientação Profissional. Parceria com Colégios e Cursos para: Palestras, Oficinas e Grupos de Reflexão com Pais, Alunos e Professores.

Um Olhar Sobre a Vida e a Morte

O novo e o desconhecido é algo que assusta a todos nós. E como pensar no novo e no desconhecido sem pensar na morte?

Todos os dias vivemos pequenas mortes que nos fazem refletir na capacidade de enfrentarmos uma nova situação, uma nova questão que ainda não havíamos experimentado. Portanto, falar de morte nos remete a pensar na vida, a refletir sobre como temos vivido, como temos sentido, como temos aproveitado nossos potenciais e, principalmente como vivemos sabendo que somos mortais e que, mais dia menos dia, também “viveremos” a experiência da morte.

Um dos maiores desejos do homem é o da imortalidade, já que a morte não é encarada como parte da vida e sim como algo antagônico a ela. O fim da existência sempre preocupou o homem. As religiões, as ciências, as artes e a filosofia tentaram responder as questões relativas à morte, porém nenhuma delas conseguiu respostas completas e universais.

A nossa sociedade, ainda hoje, considera a morte um tabu. Esse tema é evitado e ignorado, fazendo com que vejamos a morte como algo que acontece com os outros e não conosco. A questão principal é que não temos coragem de encarar nossa finitude, pois ela nos faz sentir que não somos tão importantes ou tão especiais assim.

Durante um longo período histórico, acreditava-se que a morte mandava avisos e quem estivesse doente poderia perceber consigo uma “alma de outro mundo”, pois havia a crença de que os mortos estavam presentes entre os vivos. Havia um certo ritual para esperá-la e, a morte repentina era considerada desonrosa, assim como a morte por acidente ou assassinato, uma vez que, para esta, não era permitido sepultura cristã, justificando que não havia tempo para o arrependimento dos pecados (Kovács, 1992*).

Do século V até o final do século XVIII, o homem aceitava a morte com certa familiaridade, em contraposição aos dias de hoje, que nem se ousa pronunciar seu nome. Havia simplicidade nas cerimônias, pois existia o simbolismo do morto estar reunindo seus familiares. Além da familiaridade com a morte, havia também a resignação, aceitando a mesma como fatalidade (op.cit.).

Nos séculos XIX e XX, tem inicio a influência da medicina na história da morte, que passa a ser considerada como algo negativo, pois é estudada em função da doença (op.cit.).

Surge o Espiritismo e médiuns intermediam a comunicação entre vivos e mortos. Allan Kardec destaca-se como codificador da Doutrina Espírita, que é hoje discutida nas Universidades e nos cursos de Teologia. Com os médiuns observa-se a busca da compreensão das leis da vida após a morte (op.cit.).

Já no século XX, a morte não é vista como horrível, nem agradável, torna-se simplesmente ausente, torna-se um evento solitário, que muitas vezes, é transferida para os hospitais, onde se vêem os sintomas, as doenças, mas não a proximidade da morte, nada se falando a respeito. O avanço da medicina faz com que a morte não podendo ser suprimida seja estendida, tendo-se a falsa idéia da onipotência e vitória. A duração da morte passa a ser um acordo entre médicos e familiares, deixando de ser um processo natural (op.cit.).

Na atualidade, se estivermos numa roda de amigos e surgir o tema morte, perceberemos que existe uma grande resistência em falar sobre o assunto. Obviamente que todos nós temos dificuldades com este tema, mas o que se percebe é que, com raras exceções, é tratado com defesa, ou seja, fala-se somente o essencial, como se falar pouco mascarasse o medo e a dor de pensar e encarar o assunto.

Pensar no morrer incomoda, porque viver também incomoda, afinal o homem vive em busca de um significado para a vida e tenta inutilmente encontrar significado “fingindo” que é imortal e que a morte nunca vai chegar, pois com tal fantasia haverá muito tempo para procurar (e encontrar) um sentido para a vida. Desta forma, nega-se a única e grande certeza que temos na vida: SOMOS MORTAIS e podemos lidar bem ou mal com a morte, mas não podemos fugir dela.

A morte, portanto, é uma etapa da nossa existência com a qual temos que conviver. Não podemos mudar o fato de que vamos morrer um dia (aliás, desde o primeiro minuto de vida já trazemos conosco a possibilidade de morte), mas podemos mudar a maneira como lidamos com ela; podemos encará-la e assim encaramos nossa finitude, ou podemos negá-la (como fizemos até agora).

Acredito que a questão principal sobre a morte e o morrer é o medo do desconhecido, é a dor de não poder controlar algo que é infinitamente maior que o desejo humano. Diz o dito popular: “Teme mais a morte, quem mais temeu a vida”. A pergunta que surge diante dessa questão e, que cabe a cada um de nós encontrar uma resposta é: será que vivemos com desapego? Será que lidamos bem com nossas “mortes diárias”? Será que lidamos bem com aquelas pequenas questões que, por vezes, minam nossa satisfação perante a vida?

Falar de morte significa falar de vida, pois o medo da morte e a dificuldade de enfrentá-la nos leva a refletir sobre nossas possibilidades na VIDA.

Creio que, quando conseguirmos abrir mão do apego à vida, a morte será considerada realmente como o fim de uma etapa boa e aí viveremos plenamente, com muito mais intensidade e com uma dose muito maior de valor à vida. É nos entregando para a possibilidade da morte que podemos viver realmente, pois se entregar para a possibilidade de morte é se entregar para a vida. Não quero dizer com isso que precisamos pensar na morte, nem tampouco fantasiar sobre todas as possibilidades diante dela, muito pelo contrário.

Penso que todos os dias podemos nos preparar para a morte. Pode parecer até mórbido insistir tanto nisso, no entanto, NOS PREPARAMOS PARA A MORTE VIVENDO. Não vivendo de maneira autônoma ou indiferente, muito menos negando nossa finitude, mas vivendo dignamente, plenamente e, principalmente aceitando a vida em toda sua totalidade e finitude.

Kovács MJ et al. Morte e Desenvolvimento Humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

Daniela M. P. de Azevedo
Psicóloga
CRP/SP 80.896
Atua em Psicologia Clínica
Osasco/SP e Alphaville/SP



Psicologia Infantil e Adolescente

Considerações a cerca da criança no ambiente hospitalar

A hospitalização na infância é um processo que muitas vezes pode acarretar algumas dificuldades no desenvolvimento infantil e requer muita paciência e investimento, tanto da criança quando dos pais.

Esse processo desencadeia emoções muito peculiares e aspectos inerentes a este tipo de situação, tais como: sensação de abandono, medo do desconhecido, sensação de punição e culpa, limitações das suas atividades e aparecimento ou intensificação da dor física, podendo variar sua intensidade conforme o período de desenvolvimento da criança. (Chiattone, 1984)

Sensação de abandono:

A criança que permanece internada sem a presença de um familiar se sentirá abandonada. Este sentimento é mais intenso e freqüente na faixa dos 0 aos 3 anos de idade. A partir dos três anos, geralmente existem melhores condições de contornar esta sensação de abandono, pois nesta idade ela amplia sua capacidade verbal, ampliando também sua capacidade de compreensão. Isto não quer dizer que crianças maiores de três anos podem permanecer sozinhas durante a hospitalização, mas estas têm melhores condições de elaborar esta situação.

Vários “efeitos” puderam ser observados em decorrência da separação da criança doente e sua mãe, tais como: retardo do crescimento e do desenvolvimento, suscetibilidades à infecções, perturbações nutritivas e digestivas, dermatoses, manifestações psicossomáticas, distúrbios do sono, manifestações de desadaptação, hiperemotividade e variações de humor, diminuição da afetividade, desorientação, distúrbios de comportamento, indiferença, agressividade, depressão, regressão e perturbações da personalidade.

Na maioria das vezes a criança (e os pais) só fica sabendo da necessidade de internação no momento de ir para o hospital, o que complica ainda mais a elaboração desta situação.


Medo do desconhecido:

Este medo pode ser causado por alguns fatores, um deles é o fator primeira internação, uma vez que o hospital passa a ser um lugar bastante assustador à criança, por ser um ambiente totalmente novo. Lá ela encontrará uma cama diferente, quarto diferente, equipamentos estranhos e pessoas desconhecidas, ou seja, um ambiente a primeira vista amedrontador. A criança que já internou outras vezes também poderá apresentar este medo, uma vez que é possível deparar-se com procedimentos, equipamentos e pessoas estranhas.

O manejo desta situação poderia ser mais simples se a criança fosse informada, anteriormente à internação, sobre os procedimentos à que poderá ser submetida no Hospital, sendo mais fácil a elaboração destas informações.


Sensação de punição e culpa:

A criança poderá ver a doença como uma agressão externa, podendo sentir-se culpada, achando que é merecedora de tal situação dolorosa. Ela pode pensar que “errou” em alguma coisa e que o momento da internação é o momento da punição, do castigo, gerando grande sofrimento.

Muitas famílias reforçam este sentimento de culpa, por exemplo, quando dizem que se acriança andar na chuva ficará doente e terá que ir para o hospital. Entretanto, somente quando ela entender o verdadeiro sentido do aparecimento da doença poderá aliviar seus sentimentos de culpa.


Limitação de suas atividades:

A doença tende a limitar a movimentação das crianças por causa de dores físicas ou até mesmo pela dor psíquica.  Há então, a necessidade da criança brincar em ambientes mais livres, como uma salinha de recreação. Por este motivo, a equipe não deve desestimular estes comportamentos (as brincadeiras) da criança na Enfermaria, sendo esta uma maneira dela elaborar seus sentimentos, vinculando com outras crianças e adaptando-se ao novo local.


Surgimento ou intensificação da dor física:

A equipe de saúde da pediatria deveria estar preparada a atender as necessidades das crianças, procurando minimizar ao máximo seu sofrimento.

Algumas vezes as crianças são internadas com dores, sendo, então, submetidas a procedimentos dolorosos e assustadores, mas que acabam diminuindo ou amenizando as dores iniciais. Estas crianças conseguem aceitar melhor a internação, uma vez que seu sofrimento físico foi aliviado, sem, no entanto, deixarem de continuar assustadas.

Em outras ocasiões, a criança é internada sem queixas de dores; tendo dificuldade em aceitar a internação, e sendo submetida a procedimentos muitas vezes dolorosos, o que, para a criança, é difícil elaborar estas questões, pois muitas vezes esta não “sente-se” doente e não entende o porquê de ter que ser privada de tantas coisas. Nesta situação, torna-se difícil explicar para criança que deve permanecer no hospital ou que está doente. Nesse caso, a criança pode ver a equipe e a família como culpada pela sua dor e apresentar um comportamento hostil.

Diante disto, Chiattone (1984) afirma que os efeitos negativos causados pela  hospitalização às crianças e a tentativa de se humanizar esse atendimentos tem sido considerados e debatidos. Sabe-se que a hospitalização precisa ser bem compreendida pela criança, que se deve evitar sempre que possível situações difíceis e traumáticas durante esse período, que a criança necessita receber um suporte verdadeiro por parte da sua família e de toda a equipe de saúde envolvida em seus tratamento, para que, assim, ela possa ter condições de escolher como reagir à situações e como seguir seu caminho.


CHIATTONE, H. B. de C.  Relato de Experiência de Intervenção Psicológica Junto a Crianças Hospitalizadas. In: ANGERAMI, V. A. (ett ali)  Psicologia Hospitalar:  a atuação do psicólogo no contexto hospitalar.  São Paulo: Traço, 1984.

Milena Aragão
Psicóloga atuante na Clínica
CRP: 07/15716
Caxias do Sul/RS

Desobediência pode revelar outros problemas

Entrevista concedida a www.padremarcelo.com.br em 24/06/2006, por Rodrigo Herrero

O que pode levar uma criança não obedecer a seus pais?

Hoje em dia, por muitos momentos, a comunicação entre pais e filhos é prejudicada pelas tarefas do dia a dia, fazendo com que se crie uma discrepância de interesses comuns dentro de uma família. A criança, quando é entendida e segura, valoriza e necessita de regras, e tende a obedecê-las, pois se sente protegida pela autoridade dos pais. No caso de desobediência, dois fatores podem estar provocando a negação das regras: o primeiro é o não entendimento, por parte da criança, daquilo que está sendo imposto ou o não diálogo e atenção dos pais para que a criança saiba o porque da regra imposta. O segundo é a negação da regra por parte da criança, onde entram os comportamentos de rebeldia. Neste segundo momento, esses comportamentos significam que a criança não está sendo ouvida o suficiente e que as regras impostas não sentidas como proteção, mas como castigo e desrespeito, resultando em birras e malcriações. Neste momento, a responsabilidade de esclarecer e orientar os filhos é totalmente dos pais. A bíblia ensina os pais a respeitarem seus filhos: Efésios 6:4 - E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. Colossenses 3:21 - Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.

O problema pode estar na criança ou na educação dada pelos pais?

Cada pessoa, adulto ou criança, tem um nível diferente de tolerância às frustrações e isso é o que caracterizam as reações frente as limitações da vida. Uns são bem tolerantes, outros não toleram nada.

Já nascemos com algumas características dessas, mas cabe aos pais mostrar – delicadamente e de forma muito bem explicada – que nem tudo é feito conforme nossa vontade e que devemos respeitar os limites impostos pela sociedade para convivermos de forma saudável com o mundo afora. Isso não quer dizer que não existam crianças com nível de tolerância muito baixo, que não suportam ouvir a palavra “não”. Assim sendo, os psicólogos disponibilizam tratamentos adequados para que o nível de tolerância da criança seja desenvolvido e ela aprenda a lidar com as regras. Também não podemos esquecer que o comportamento dos pais é o grande influenciador – não há como ensinar limites se na nossa vida não soubermos lidar com eles, não respeitarmos e não sermos respeitados.

Como ganhar o respeito da criança?

A proximidade e a escuta íntima e verdadeira dos pais em relação aos filhos os deixarão seguros para confiarem em suas decisões. Quando confiamos em alguém, fica mais fácil respeitarmos e levarmos em consideração o que esta pessoa nos diz. É a mesma coisa com a criança. Para exigir respeito, devemos respeitar também.

Estabelecer regras e dar recompensas pelo cumprimento delas pode ser uma saída?

Não é a saída mais saudável, porque a criança só cumprirá a regra barganhando e nem sempre ganhamos algo em troca quando respeitamos limites, às vezes o cumprimento da regra ou tarefa já possui uma recompensa embutida. Dessa forma, obedecer a regras gera recompensas imediatas e não há necessidade de recebermos além do que é proporcionado, para não desvalorizarmos o resultado do nosso bom comportamento.

Por exemplo: ao não atravessar um semáforo vermelho automaticamente se respeita aos pedestres e aos automóveis do cruzamento, mas se não o fizermos, receberemos uma penalidade, que é a multa.

Usar a velha “palmada” ou a repreensão através da bronca ajuda ou prejudica?

Segurar com força os braços de uma criança ou dar umas palmadas significa que o diálogo fracassou e que foi necessário impedir fisicamente que ela continuasse a se comportar de modo inadequado. A bronca com gritos também tem o mesmo significado, pois fazemos a criança ouvir “à força” o que queremos. A melhor solução é usar a cabeça – conversar, entender e se fazer entender. Não podemos esquecer, porém, que cada caso é um caso e que as situações são sempre particulares e pedem condutas diferenciadas. Para saber que condutas são essas, deve-se procurar orientação de um psicólogo, que avaliará o caso e irá propor o tratamento adequado.

A melhor forma de educar continua sendo pelo amor?

Pelo amor e pelo ouvir. Ouvir de verdade as necessidades de seu filho fará com que ele se aproxime de você, confie e respeite. Se você é capaz de ser um pai ouvinte, terá um filho seguro e confiante.

O que os pais devem fazer para reverter essa desobediência?

Comecem tudo de novo a cada dia. Comecem a ouvir, a respeitar, a ter tempo de discutir assuntos, de contar histórias, de delegar tarefas e realizar juntos. Com o tempo a desobediência enfraquece e dá espaço ao diálogo. Você pode mudar de idéia conversando com seu filho, porque às vezes, a regra imposta por você não tem valor ou objetivo nenhum, saiba o que seu filho acha dela e você aprenderá uma outra forma de viver. Confie no seu filho. Ele será seguro e feliz.

Claudia D'Andretta
CRP 67.808
Atua em Psicologia Clinica e Organizacional
São Paulo – SP

Obs: Psicóloga clínica de seguindo a linha breve de orientação psicanalítica e consultora de carreira e RH. Mantenedora deste site.

Estresse Infantil

Até tempos atrás, o Estresse era tido como exclusividade dos adultos, sendo as crianças imunes porque "elas não tinham problemas". Entretanto, recentes pesquisas mostram que, hoje em dia, elas também têm sido acometidas ou, como se suspeita, hoje em dia elas passaram a merecer também atenção quanto ao seu conforto emocional.

Entre as principais situações relacionadas ao Estresse Infantil considera-se importante: as perdas familiares, mudança de cidade ou escola, separação dos pais, brigas entre os pais, violência doméstica, quando um dos pais bebe e fica violento, exigência exagerada de desempenho escolar, social ou no esporte, nascimento de irmãos, doenças e hospitalização.

O Estresse Infantil tem sintomas físicos e psicológicos. Entre eles podemos encontrar:

Sintomas Psicológicos
- Pesadelos
- Ansiedade
- Impaciência
- Medo excessivo
- Choro excessivo
- Introversão súbita
- Agressividade
- Desobediência
- Hipersensibilidade

Sintomas Físicos
- Diarréia crônica
- Tique nervoso
- Dor de cabeça
- Gagueira
- Tensão muscular
- Ranger de dentes
- Falta de apetite
- Dor de barriga
- Náusea
- Xixi na cama à noite

Geralmente o Estresse Infantil acomete crianças a partir dos 6 anos de idade e, com freqüência, é primeiramente suspeitado quando começam os problemas de adaptação na escola. Pode ainda se manifestar como agravamento de quadros pré-existentes, como por exemplo, asma, obesidade, problemas de pele, alergias, recaídas de gripes e resfriados. Uma criança estressada pode ser preditiva de futuro quadro depressivo na adolescência, de futuras dificuldade de adaptação e auto-estima rebaixada.

Ballone GJ - Informática e Psiquiatria

O “Ficar” dos Adolescentes

Todos nós passamos pela chamada fase da adolescência que é o período entre a infância e a fase adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde esse período é estabelecido entre os 10 e 20 anos de idade, já o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece outra faixa etária: dos 12 aos 18 anos. É um período no qual o indivíduo passa por muitas mudanças físicas, psicológicas e tem como características as chamadas “revoltas”, manias e várias outras atitudes. É nesse momento que os jovens começam a conhecer a relação entre um homem e uma mulher.

Existem vários tipos de relacionamento afetivo, mas o “ficar” é o mais presente na vida desses jovens. Designa num relacionamento episódico e ocasional, na maioria das vezes com duração de algumas horas durante uma festa ou num momento de diversão. A prática mais comum envolve beijos, abraços e carinhos, tendo com característica importante a não implicação de compromissos futuros e é visto como algo passageiro, sem conseqüências ou envolvimentos.

Esse tipo de relacionamento tem características que coincidem com o comportamento desses jovens. Por ser algo que não implica em compromissos sérios significa que o adolescente não está pronto para assumir responsabilidades e eles encaram o “ficar” com muita naturalidade exatamente por esse motivo. Lembrando sempre que nos referimos aos adolescentes de uma forma em geral.

Porém, existe uma diferença entre meninos e meninas quanto à preferência ou não de “ficar”. Geralmente os meninos são mais adeptos a esse hábito enquanto que as meninas preferem namorar a “ficar”. Talvez isso demonstre que as meninas amadurecem mais cedo que os meninos. Seja qual for a preferência entre os sexos, o “ficar” é um modo de explorar e experimentar sentimentos, parceiros e situações de escolhas para tomada de decisões que exigem mais responsabilidade, pois muitos desses adolescentes relatam que o “ficar” é um primeiro contato que poderia levar a um namoro.

Por mais conservador que possa parecer nos dias de hoje, existe uma certa recriminação em relação àqueles que “ficam” com freqüência, principalmente para as meninas pois elas são vistas como “galinhas”, “não-sérias” e “não confiáveis”, passíveis de rejeição tanto por parte dos meninos como das meninas.

O “ficar” é como um estágio para futuros relacionamentos afetivos, mas é preciso ter cautela e saber se preservar.

Ana Luiza Ferraz
Psicóloga atuante na Clínica
CRP/SP 68640
São Paulo/SP

A Questão do Limite

O limite é muitas vezes um grande problema nas relações entre pais e filhos. De um lado, estão os filhos sempre querendo mais, testando até onde podem ir. De outro, os pais, procurando impor limites nos desejos dos filhos. Uma questão importante que se levanta aí é: qual o papel do limite? Qual a sua importância? Essa questão deve nortear sempre a imposição de limites, uma vez que fará você refletir sobre o porquê de estar tomando determinada decisão sobre o comportamento de seu filho.
O limite serve para conter. Serve para formar uma barreira de proteção. É para isso que ele deve existir. Tanto as crianças quanto os adolescentes estão sempre pedindo limites quer seja quando querem algo ou quando aprontam. Este é o jeito deles de saber até onde podem ir. Se o limite não lhes é dado, eles ficam sem parâmetros uma vez que, em sua grande maioria, ainda não têm maturidade suficiente para escolher o que é melhor ou não para si.

É preciso observar com cuidado a ocorrência de muito choro, bagunça exagerada e agressividade, pois podem ser um pedido de ajuda de seu filho. A criança por não ter ainda vocabulário suficiente para expressar exatamente o que sente, pode fazer isso através de ações. Assim, dificuldades sentidas, por exemplo, com os muitos desafios enfrentados no cotidiano e a frustração em querer fazer coisas que nem sempre consegue, podem suscitar acessos de raiva, tão comuns dessa fase da vida. Tentar descobrir as causas dessas ações e nomear os sentimentos envolvidos, irá ajudá-la, aos poucos, a se manifestar através das palavras.
O papel dos pais (assim como o dos professores, e de todos os adultos que convivem com crianças) é de auxiliá-las a compreenderem seus limites. O limite, nesse momento, tem que vir de fora (dos responsáveis), porque o limite interno ainda não está bem estruturado. A construção do limite interno da criança ocorrerá de acordo com os limites que lhe serão dados ao longo de seu desenvolvimento. Obviamente, isso pode ocorrer de forma contrária, se não for algo equilibrado e saudável. Filhos de pais extremamente rígidos podem vir a ser pessoas rígidas, como também muito liberais, para compensar toda a rigidez vivida anteriormente. Portanto, deve-se sempre buscar o equilíbrio e a reflexão de por que este limite está sendo colocado. É para proteção e cuidado com a saúde da criança? Ou é por ter receio de que ela cresça e que você não possa mais protegê-la? Tomar uma decisão com esse segundo pensamento em mente, é estar prejudicar muito mais do que auxiliar.

A imposição de limites é uma questão de bom senso. Pensar em qual será e como deverá ser colocado, é algo de grande importância. Dar um tapinha simbólico em seu filho pequeno, para lhe mostrar que ele fez algo de errado, pode ser uma atitude saudável, uma vez que este ainda não consegue compreender claramente o que se quer dizer com certas palavras (falta de domínio da língua); as ações e demonstrações de emoção, lhe são mais fáceis de entender. Assim, um tapinha de leve e a demonstração de que se está triste ou bravo (a) irão ajudá-la a compreender seus próprios sentimentos e ações, além das suas reações aos comportamentos dela; é algo que dará bons frutos no futuro, pois ajudará a criança a associar os sentimentos com as palavras.
Quando se optar por algum castigo, que este seja compatível com a falta, e que construa, ao invés de destruir. Ex. A criança foi mal em uma prova porque não estudou. Pode-se dizer que não irá assistir televisão durante determinado tempo e que irá sentar junto com você para refazer a prova. Explicar a razão do castigo também é algo muito importante, para que este não seja sentido como vingança ou arbitrariedade.

Os filhos, como já dito, na maioria das vezes repetem o comportamento dos pais. Assim, você deve pensar em como é o seu comportamento no dia a dia, tanto com ele como com outras pessoas e refletir se é assim que você quer que ele se comporte no futuro. Dê o exemplo: ele funciona muito mais do que palavras e castigos. Seja carinhoso e mesmo quando o filho estiver tomando uma bronca, sentirá esse carinho por trás dela, e saberá que o papel desse limite é educá-lo.

Dizer NÃO, é muitas vezes uma forma de cuidado consigo mesmo e com os outros a sua volta. É uma demonstração de amor e de coragem.

Thaís Petroff Garcia
CRP 06/774010

Trabalhando a hospitalização através do lúdico: grupo operativo com crianças em enfermaria pediátrica

O grupo operativo com crianças é uma atividade que busca proporcionar um espaço onde a criança possa, além de obter informações e esclarecer dúvidas, expressar suas ansiedades e fantasias decorrentes da doença e da hospitalização, visando tornar a situação hospitalar menos traumática.

Nela, as crianças interagem entre si, mediada pela psicóloga, utilizando brinquedos que imitam instrumentos hospitalares, desenhos, argila e com o material lúdico pedagógico confeccionado pelo setor de psicologia.

Geralmente, para esta atividade, os grupos devem ser formados por no mínimo três crianças maiores de quatro anos de idade, que estejam liberadas a sair do leito. A presença das mesmas é voluntária. Sugere-se que estes encontros ocorram pelo menos uma vez por semana, tendo aocmpanhamento e avaliação nos dias seguintes.

Abaixo será relatado um encontro ocorrido no hospital, com a finalidade de exemplificar o funcionamento de um grupo operativo.


Participantes:

J. 10 anos, diagnóstico: Pneumonia

  L. 11 anos, diagnóstico: diabete

C. 09 anos, diagnóstico: ceborréia e bicho de pé

  K. 07 anos, diagnóstico: pneumonia

A atividade iniciou-se com a psicóloga apresentando-se e explicando sua função. Em seguida foi perguntado para as crianças o nome delas, e o que estavam fazendo no hospital. K respondeu que estava com afta, pois tinha pequenas feridas em sua boca (sendo que seu diagnóstico era pneumonia), C. disse estar com cobreiro no pé, J. não soube dizer o nome de sua doença, mas disse que era no pulmão. L. disse que tinha diabetes.

Depois que todos nos apresentamos, passamos para atividade de desenho. Foi desenhado um boneco grande numa folha de papel pardo e foi pedido para que as crianças o completassem, desenhando também os órgãos internos. J. desenhou um pulmão e uma “mangueira” que ligava-o ao coração; desenhou também o joelho e, em seguida desenhou veias por todo o corpo do boneco, J. interligava todos os órgãos, segundo ele “é um caminho para passar o sangue”. Quando questionado sobre o motivo de tantas veias, ele disse: “Quando for pegar, dói aqui, não dói em mim”. L. desenhou o coração, dois fígados (no lugar dos rins) e a costela segurando “os fígados”. L. desenhou também o umbigo, unhas, língua, bexiga e cérebro. K. com a ajuda de C. desenhou os olhos, o nariz, o cabelo, a boca, a orelha, e pintou as unhas do boneco. Ela disse que a doença do boneco é dor de cabeça. Foi perguntado se ela sentia muita dor de cabeça e ela disse que sim, principalmente no hospital. Perguntamos então, onde se dá a dor de cabeça, J. respondeu que era na testa e L. disse ser no cérebro. C. disse que o boneco estava com dor na barriga, perguntamos se ela sentia essa dor, ela disse que um dia foi internada sentindo muita dor na barriga e o médico deu um remédio e passou. Para L. dor na barriga é na verdade dor na bexiga. Quando perguntado o que fazer para melhorar, ele disse: “dá remédio oras”. J colocou: “dá é injeção”

Num segundo momento, para encerrar grupo, foi proposta a visualização dos órgãos do corpo em um boneco confeccionado para que as crianças pudessem conhecer o corpo humano e interagir com as órgão dele, os quais são removíveis, a fim de tirarmos algumas dúvidas e vermos se o boneco que eles desenharam está muito diferente do outro boneco.

Nesse momento, eles puderam manipular os órgãos e aprender como era o corpo por dentro, ao mesmo tempo em que era realizado um trabalho de comunicação diagnóstica, ou seja, trabalhando-se no sentido, também, de apresentar os órgãos que estavam comprometidos em decorrência da enfermidade que tinham, para poderem tornar mais concreto algo até então tão virtual. Quando se depararam com alguns órgãos, as crianças comentavam: C. “o rim parece uma árvore.”, K. “isso parece um sapato”, falando do fígado.

O grupo foi finalizado com uma avaliação de todos sobre como se sentiram realizando esta atividade.



Discussão da atividade

Através da realização do grupo foi possível proporcionar a criança um espaço onde ela tivesse a oportunidade de obter informações, esclarecer dúvidas, interagir com outras crianças e expressar suas ansiedades e fantasias decorrentes da doença e da hospitalização, tornando a situação hospitalar menos traumática e proporcionando maior participação da criança no seu processo de tratamento.

Assim, na medida em que as crianças puderam manipular aquilo que acreditavam ser uma cópia de seu próprio corpo (por meio da projeção), passaram a ter maior controle sobre o que estava acontecendo com elas, saindo da posição passiva e adotando uma posição mais ativa diante da doença. (Oliveira,2000)

A brincadeira é uma atividade universal, através dela a criança consegue apreender o mundo adulto e treinar para as atividades posteriores, é um veículo de adaptação da criança, um meio pelo qual pode elaborar suas dificuldades internas em confronto com as exigências exteriores. A brincadeira é considerada uma forma de comunicação. A maneira de brincar de uma criança revela seu mundo interior, mostra um equilíbrio entre a fantasia e a realidade. Quando elas não podem modificar a situação real, são capazes de suportá-la, porque podem refugiar-se no mundo do faz de conta. (Winnicott, 1985)

Para o trabalho da psicologia, o brinquedo serve como um instrumento de comunicação com a criança. Na preparação para exames e procedimentos a utilização de material lúdico permite desmistificar as fantasias acerca dos procedimentos e diminuir a ansiedade. A utilização da brincadeira como auxiliar na comunicação de diagnósticos e no trabalho de outros conteúdos, que surgem no contexto hospitalar, também tem grande relevância. (Souza,1992)

A comunicação com a criança possibilita que ela expresse sua compreensão e fantasias sobre a doença. O boneco, como um instrumento concreto e facilitador da transmissão das informações devidas, respeita as capacidades de compreensão da criança. A atividade lúdica, realizada nessa situação específica, encerra significados correspondentes à experiência emocional do momento. (Souza, 1992)

Um instrumento lúdico aliado a uma linguagem simples e adequada, escolhendo palavras que já façam parte do vocabulário da criança, respeitando os sentimentos e opiniões desta, incentivando-a a expressar o que está pensando e sentindo, é uma das maneiras de ajudá-la a enfrentar e elaborar os assuntos difíceis, propiciando à adesão ao tratamento e favorecendo a sua recuperação.

SOUZA, R. P. Nossos filhos: a eterna preocupação. 5 ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1992. 272p.

OLIVEIRA, M. F. et al. Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia.  Campinas: Papirus, 1995.

WINNICOTT,  D.  W.   A criança e seu mundo.  Trad. de Álvaro Cabral.  6.ed.  Rio de Janeiro:  Zahar, 1985.

Milena Aragão
Psicóloga atuante na Clínica
CRP: 07/15716
Caxias do Sul/RS

Valores Humanos e Festas Infantis

Há pouco tempo atrás tive oportunidade de participar de algumas comemorações de aniversário.As festas aconteceram todas em buffets infantis e as crianças, em sua maioria, eram da mesma sala de aula. A escola, por sua vez, adota uma filosofia de não exclusão e integração. Portanto, se algum aluno decide convidar um colega de classe, tem que convidar todos.

O que observei nestas festas, ao contrário da proposta inicial, foi a falta de integração das crianças. Fascinadas pelos brinquedos diversos, muitas chegavam e nem cumprimentavam os aniversariantes.  Sem falar na caixa reservada para o depósito dos presentes, parecendo mais um passaporte para as horas de entretenimento. O aniversariante não abriu quase nenhum pacote e quando o fez, foi tempos depois de ser entregue. Por conseqüência não sentiu aquela emoção deste gesto, ou seja, de receber o carinho de um amigo ou conhecido (talvez aí estivesse uma oportunidade para estreitar os laços com os "menos chegados" da classe).

Aprendemos que aniversário é uma data especial, ocasião para confraternizar com as pessoas que gostamos e reforçar os laços de amizade. Entretanto, o que ocorreu nestas festas parece ter distorcido este sentido. Parecia mais um evento de lazer que um encontro humano. Impessoal. Não estariam aí alguns valores sendo transmitidos de uma forma oculta -  Ou seja: " o outro vale pelo que tem" , “o outro me serve como degrau ou instrumento para um benefício próprio"? Quantas vezes não somos testemunhas de atos na vida adulta que trazem esses pressupostos?

Daí surge a dúvida: então o que fazer? Convidar todos ou apenas aqueles "mais chegados"? Trazer pessoas para casa ou alugar um buffet?

Diante destas escolhas, vale lembrar que as crianças absorvem idéias e sentimentos todo o tempo.  Que tipo de mundo queremos para nós e para elas?

É necessário resgatar o sentido e a importância da amizade e suas formas de celebração, para não transmitirmos, de forma inconsciente, valores que muitas vezes combatemos.

Thelma C. de Canhete
Psicóloga especializada em Psicopedagogia

Obs: Atualmente desenvolve trabalhos em saúde pública e Orientação Vocacional, tendo atuado também como educadora em ONGs e escolas.

As 5 Regras de Ouro do Emagrecimento

Se você está disposto a emagrecer, deve estar se perguntando o que deve fazer para alcançar este objetivo.

Comer de forma moderada e fazer exercícios físicos são, certamente, atitudes necessárias para a perda de peso. Entretanto, apenas isto não basta, pois outros fatores podem vir a interferir no processo de emagrecimento. Assim sendo, abaixo estão listadas as 5 regras de ouro para a perda de peso:

1-) Avalie se você possui algum problema orgânico: considerando que o emagrecimento depende do ritmo metabólico do organismo, é importante que você se certifique de que não possui nenhum problema físico que possa interferir na perda de peso. Um organismo que funciona de maneira correta, deve responder, mais cedo ou mais tarde, aos esforços da reeducação alimentar. Se você perceber que, mesmo com uma alimentação correta e com a realização de exercícios físicos, o emagrecimento não acontece, é hora de consultar um médico para avaliar o problema.

2-) Trate as dificuldades emocionais: o emagrecimento pode ser muito prejudicado pela presença de problemas emocionais. Transtorno de ansiedade,, depressão, compulsão alimentar e transtorno bipolar são algumas doenças que trazem grande prejuízo à vida do indivíduo e que têm forte impacto sobre a perda de peso. Todos estes problemas podem ser tratados, desde que um psicólogo ou psiquiatra seja consultado.

3-) Tenha auto-disciplina e constância: o processo de emagrecimento depende da reeducação dos hábitos alimentares e da realização de exercícios físicos. Tudo isto exige uma reorganização da rotina e das práticas diárias. O sucesso destas mudanças depende da auto-disciplina e da constância das atitudes. Sem elas, o emagrecimento não passará de uma simples intenção.

4-) Promova o envolvimento familiar: é importante que a família esteja ciente e contribua com a sua decisão de emagrecer. Obviamente, não é necessário que toda a família adote hábitos semelhantes aos seus, mas ela deve estar disposta a colaborar e facilitar seu processo de emagrecimento.

5-) Saiba perdoar os próprios erros: Ainda que você adote novos hábitos e que se esforce para manter a constância de suas atitudes, é importante que você compreenda que lapsos e recaídas fazem parte do processo de emagrecimento. Se você cometer algum deslize não o encare como uma derrota: tente compensar o excesso com exercícios físicos e volte a se alimentar de forma saudável. Aprenda com os erros e siga em frente!

Com estas 05 regras em mente você poderá transformar em realidade o emagrecimento que tanto deseja!

Flávia Leão Fernandes
CRP 06/68043
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia pela Universidade de Londres, Inglaterra e especialista em Psicologia Hospitalar com enfoque em obesidade.

Bullying e Resiliência

O Bullying é um fenômeno mundial que cresce a cada dia, gerando medos e angústias tanto por parte de quem pratica, quanto por parte de quem sofre ou mesmo pelas pessoas que presenciam.

Notadamente, este fenômeno pode ocorrer em qualquer contexto, no entanto, na maioria das vezes, ocorre no ambiente escolar, local onde crianças e jovens passam grande parte do dia e interagem com outras pessoas de outras culturas, raças, valores e crenças, e também entre os adolescentes, já que nesta fase cheia de transformações e conflitos há uma constante busca pela identidade e suas condutas são movidas pelas ações. Portanto, torna-se necessário um olhar mais apurado, para que os prejuízos emocionais sejam superados e/ou amenizados.

O papel do psicopedagogo é o de identificar os obstáculos e os elementos facilitadores à aprendizagem, detectando possíveis problemas e intervindo de forma preventiva, objetivando favorecer os processos de integração.

A resiliência no campo das ciências humanas é considerada pela habilidade de se acomodar e de se reequilibrar constantemente frente às adversidades, pela capacidade de resistir para encontrar a força necessária à saúde mental durante a vida. O sujeito considerado resiliente é aquele que possui a habilidade de reagir, de deixar o sofrimento para trás e recuperar-se.

Nota-se que, a atuação do psicopedagogo é de facilitador para que os adolescentes envolvidos com o bullying estabeleçam a resiliência como forma de amenizar os prejuízos causados por este fenômeno, através da valorização dos aspectos positivos e do aproveitamento dos recursos próprios de cada indivíduo, assim como sensibilizar os educadores para as diferenças individuais e promover a saúde na educação.

Daniela Borba Lambiasi
Psicóloga e Psicopedagoga
CRP/SP 65.309
São Paulo/SP

A Formação de Grupos na Adolescência

Uma massa pode possuir um grau elevado de ética dos indivíduos que a compõe ou ser apenas grupos excessivamente emocionais, impulsivos, violentos, apresentando apenas as emoções rudes e os sentimentos menos refinados. Em sua formação, a individualidade do sujeito é recalcada em prol de uma psicologia de grupo. É comum observarmos um indivíduo num grupo fazendo ou aprovando coisas que teria evitado no seu cotidiano, vemos que o sujeito perde seu poder de crítica e deixa-se deslizar para a mesma emoção que move o grupo. Através do contágio, os membros do grupo realizam os mesmos movimentos, é notável a intensificação da emoção, ditos que repetem e vão dominando, impondo como significante mestre.

Para que essa massa se constitua, é fundamental que haja certo grau de continuidade de existência do grupo, o indivíduo pertencente a ele precisam estar em busca de um mesmo ideal, ou seja, o grupo deve possuir uma essência que justifique sua formação, tradição, costumes e hábitos tais que determinem a relação de seus membros uns com os outros e uma estrutura definida, que especifique a função de cada membro.

A identificação, conhecida na psicanálise como a mais remota expressão de um laço afetivo com outra pessoa, também pode ser encontrada nos membros de uma massa. Segundo Freud, a identificação simbólica se faz por três vias: identificação histérica, ao pai ou por um traço - cada sujeito de um grupo se identifica com aquilo que lhe é semelhante, seja pelo líder ou pelo ideal. Sendo assim, as identificações serão diferenciadas em cada indivíduo.

Hoje, há vários movimentos de grupos formados por adolescentes, uns duradouros outros não, que vão do baile funk as comunidades do orkut . Em 2006, houve uma turnê no Brasil de um grupo de atores-cantores mexicanos, conhecidos como Rebelde (RBD), que enlouqueceu os adolescentes, uma febre nacional. Em todo lugar se ouvia músicas do grupo, apresentação de couvers, adolescentes vestidos a caráter, etc. Nos shows realizados, observou-se o que mencionamos sobre o contágio, os adolescentes vibravam, gritavam e choravam, todos a uma só voz, o nome dos ídolos.

O que levou esses adolescentes a se identificarem com este grupo?

O que mais chama atenção nesse movimento é o que eles são capazes de vivenciar para chegar o mais perto possível desse ideal. Numa tarde de autógrafos, no Estado de São Paulo, em fevereiro de 2006, quarenta e duas pessoas ficaram feridas e três morreram após tumulto ocorrido no evento, realizado pelo grupo Rebelde. Não era uma massa organizada, com costumes, tradições e atribuições específicas, mas ali estavam todos, com seus sonhos e ideais.

Assim como a identificação pelo grupo Rebelde, vemos vários adolescentes apaixonados pelo programa "Malhação", que passa no canal da Rede Globo. Quando criança, o sujeito busca identificar-se aos pais idealizados na infância, porém na fase da adolescência ocorre a perda dos pais infantis, o adolescente passa a perceber que assim como ele, seus pais não são perfeitos como imaginava.  Essa é uma fase de escolhas, marcada por conflitos, mudanças corporais, lutos infantis. Muitos grupos de adolescentes se constituem por esse ponto em comum, outros apenas por diversão, a 'balada', como eles costumam dizer, os amigos se encontram, se divertem, falam sobre o sucesso do momento. Enfim, inúmeros são os exemplos que podemos encontrar na atualidade.

Diante disso, supomos que a formação de grupo na fase da adolescência acontece pela busca do sujeito em encontrar uma segunda identificação, uma identificação em que a causa é a relação com o outro semelhante, com o outro da mesma geração.

ALBERTI, Sonia. Esse sujeito Adolescente. RJ: Jorge Zahar Editor, 2004.
FREUD, Sigmund.(1921) Psicologia de grupo e analise do ego. In. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. RJ: Imago Vol. XVIII.

Vanessa Portão
CRP 32.477
Atua em Psicologia Clínica
Rio de Janeiro - RJ



Qualidade de Vida

Antes de Dar Corda no Seu Relógio

Muito se fala sobre Livre Arbítrio, sobre a capacidade de escolher com liberdade e conscientemente. O Livre Arbítrio é uma das conquistas mais valorizadas em nossa espécie. Por exemplo: em época de férias, é você e você apenas quem escolhe a hora de acordar, conversar, comer e dormir, certo?

Errado.

Para dar corda ao assunto, me deixe explicar por quê.

Imagine seu corpo como um grande relógio. Melhor ainda, como um aglomerado de mais de 100 relógios sincronizados, determinando a hora de sentir sono, fome, ir ao banheiro, etc. Estes relógios internos existem de verdade e determinam um ciclo chamado Ritmo Circadiano (desde já: circadiano significa “ciclo de um dia”). A ciência que os estuda possui até mesmo um nome: Cronobiologia.

O Ritmo Circadiano mantém seu corpo alerta durante as horas de claridade e ajuda a relaxar à noite. É capaz até mesmo de lhe acordar na hora certa pela manhã quando você se esquece de ajustar o alarme na cabeceira. Infelizmente, este mesmo relógio lhe acorda nos dias em que você poderia dormir até um pouco mais tarde...

Nos mamíferos – e você quase certamente é um deles -, o relógio biológico localiza-se numa porção do cérebro chamada Hipotálamo. Mas não perca tempo tentando encontrar o seu. Apenas certifique-se de que ele continue funcionando por mais algumas décadas. Em alguns insetos, o relógio biológico está na retina dos olhos. Nos pássaros, ele pode ser encontrado no hipotálamo ou na glândula pineal.

Em todos os casos, estes relógios estão vinculados a receptores sensíveis que sincronizam o relógio interno com a luz do sol. Funciona da seguinte maneira: ao atingir receptores na retina, a luz solar desencadeia estímulos que viajam por fibras nervosas até o cérebro, dando corda no seu mecanismo de horários. Estas fibras também transmitem sinais que afetam níveis hormonais relacionados ao ajuste do relógio interno.

Por exemplo: os níveis de Cortisol (um hormônio relacionado ao metabolismo e ao sistema de imunológico), são maiores entre 6 e 8 da manhã, diminuindo gradualmente durante o dia. Ao mudar o padrão de sono, os níveis de Cortisol também se alteram. O hormônio do crescimento (GH), por sua vez, aumenta com o sono em crianças – os níveis máximos são atingidos nas primeiras duas horas de sono. Se a criança apresenta distúrbios do sono, a produção de GH cai, prejudicando seu desenvolvimento.

Os derrames e os ataques cardíacos são mais comuns no período da manhã do que em qualquer outro horário do dia. Muitas pessoas podem pensar que não é seguro, então, exercitar-se pela manhã. Todavia, a culpa não está no exercício, mas nas alterações do Ritmo Circadiano: entre outras coisas, os níveis elevados de Cortisol fazem com que o sangue se coagule mais rapidamente por volta das 8 horas da manhã. A pressão também se eleva neste horário, permanecendo assim até o final da tarde, quando começa a cair, atingindo seu ponto mais baixo durante a noite.
Ainda, atletas experimentam picos de temperatura, força e flexibilidade no final da tarde – e este é o melhor período do dia para competirem. À tarde, a sensibilidade à dor também é menor.

O relógio interno pode ser regulado por estímulos não-luminosos, como exercícios, drogas, remédios e hormônios. À medida que envelhecemos, o marcapasso cerebral perde células, alterando os ritmos circadianos – e isto, associado ao uso de vários remédios e à falta de atividade física regular, pode explicar o relógio “desregulado” de pessoas mais idosas.

Dormir uma ou duas horas mais tarde além do horário habitual também pode causar problemas. É mais difícil acordar na manhã seguinte e não raramente passamos o dia irritados e com dor de cabeça. Isto pode não ser simplesmente “falta de uma noite bem dormida”, mas uma alteração no padrão do ritmo circadiano. Neste caso, a pessoa está em um ritmo onde o corpo quer descansar das 4 da manhã até às 5 da tarde. E aí, seu dia de praia foi-se.

Manter um horário regular para o sono e as refeições, praticar exercícios durante o dia (e não à noite, quando você aumenta a carga de adrenalina e prejudica o sono) e relaxar por alguns minutos antes de ir para a cama são táticas que ajudam o bom funcionamento do seu relógio biológico.

Agora sim, dê corda à vontade.

Alessandro Loiola
Médico, Escritor e Palestrante
CRMMG 30.278
Belo Horizonte/MG

A Obesidade nos Dias Atuais

OBESIDADE: DEFINIÇÃO E INFORMAÇÕES RELEVANTES

A obesidade pode ser definida como um aumento na porcentagem de tecido adiposo corporal acompanhado de aumento de peso, de cuja magnitude e distribuição depende a saúde do individuo.
Sendo considerada como uma doença universal, a obesidade vem evoluindo de forma crescente e adquirindo proporções alarmantemente epidêmicas, representando um dos principais problemas de saúde pública da sociedade. A obesidade acarreta um risco aumentado de inúmeras doenças crônicas.
Nas últimas décadas, a incidência de obesidade duplicou. A obesidade está associada a conseqüências negativas para a saúde incluindo dislipidemias, inflamações crônicas, aumento da tendência a coagulação sangüínea, resistência a insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, complicações ortopédicas, alguns tipos de cânceres, apnéia do sono, além de quadro psicológico conturbado, com a diminuição da auto-estima, a depressão e o distúrbio da auto-imagem.
O ambiente familiar influência o desenvolvimento da obesidade, hábitos de ingerir \"fast-food\", modificações da composição dos alimentos com ingestão de alimentos densos, ricos em gordura, refrigerantes, porções de alimentos ricos em açúcar com altos índices glicêmicos e aumento da porção das refeições são hábitos da família que podem levar a obesidade.
Existe um consenso mundial de que a obesidade se desenvolve ao longo do tempo e, uma vez estabelecida é de difícil tratamento, com os resultados em médio e longo prazo desalentadores.
A proporção da população obesa é atualmente tão grande que não há recursos para oferecer tratamento a todos, sendo assim, é lógico concluir que a prevenção do ganho de peso, ou a reversão de pequenos ganhos seria mais fácil, mais barata e potencialmente mais efetiva do que tratar a obesidade já instalada.


FORMAS DE TRATAMENTO

O tratamento da obesidade pode compreender três formas: comportamental, farmacológica e cirúrgica. Devemos entender que o tratamento comportamental é importante e deve acompanhar os outros métodos terapêuticos. A tentativa de mudanças nos hábitos de vida das crianças obesas torna-se essencial, promovendo o estímulo para a prática de exercício físico, assim como estimulando a realização de refeições mais saudáveis e melhor equilibradas.
Baixos níveis de atividade física estão associados com um aumento dos riscos da obesidade. O ambiente da sociedade moderna tem um papel desencorajador para a prática da atividade física como, por exemplo: os avanços tecnológicos na área do lazer (televisão, eletrodomésticos, computadores, controles remotos) aumentando o tempo diário em atividades sedentárias.
A atividade física incentiva o compromisso do paciente no controle alimentar e propicia a melhora da auto-estima.
Diversos estudos demonstram que o aumento da freqüência da atividade física é determinante para a perda de peso. Assim, é fundamental o desenvolvimento de estratégias para adesão ao programa de atividade física.
Muitos obesos apresentam percepção negativa de sua imagem corporal. Um aspecto importante do tratamento é modificar a atitude que eles têm em relação ao próprio corpo. O questionamento dos estereótipos negativos associados à obesidade e a modificação das crenças disfuncionais sobre aparência física parecem ajudar nesse sentido.
A eficácia do tratamento depende da escolha de metas de peso realista e da adequação das técnicas utilizadas ao perfil do caso.



Guia Prático de Obesidade (n.d.) ABESO – Associação Brasileira para o estudo da Obesidade
Junqueira, M. F. ( 1999 ). O Brincar e o desenvolvimento infantil. Pediatria Moderna – vol XXXV nº 12
Ribeiro, M. ; Silva, A. G. ; Vilares, S. M. ( 2004 ). Obesidade infantil e exercício[ on line ]. Disponível :

Erica Fugazza
Psicóloga Clinica
CRP/SP 75736
São Paulo/SP

A Capacidade da Superação: Resiliência

Você sabe dizer não?
Se não sabe, já está na hora de aprender!


Algumas pessoas têm dificuldade em dizer não. Por receio de parecerem egoístas ou de serem rejeitadas, elas seguem deixando-se sobrecarregar por se sentirem incapazes de dar um bom motivo para sua recusa. Aprender a dizer não, entretanto, é essencial para o nosso bem estar. Muitas vezes, ao dizer não para alguém, estamos dizendo "sim" para nós mesmos e, dessa forma, evitando um estresse emocional em nossas vidas.  Ser uma pessoa prestativa e disponível para fazer um favor a alguém é algo inteiramente diferente de se deixar explorar. E há pessoas que sabem ser excessivamente insistentes.

O "Sim" e o "Não" são conceitos interligados e permanentes em nossa vida. Um depende do outro, um ajuda ou prejudica o outro e, por sua vez, ambos estão relacionados com os temas negociação e administração do tempo. Para efeito de simples exercício mental tente responder, o mais rápido possível, as três questões a seguir:

. O que pode ser feito ou já ocorreu antes do contato com meu interlocutor e que pode tornar o NÃO mais fácil de ser aceito por ele e/ou ajudar na obtenção de um SIM.
. Qual foi o NÃO ouvido por mim, que aceitei com mais facilidade, que me causou menos trauma, que não prejudicou meu relacionamento com a outra parte (e até me aproximou mais dela).
. Qual foi o SIM mais importante que consegui, que métodos/cuidados usei? Como e por que ele foi conseguido?

Em muitas situações, há quem prefira dizer "sim" apenas por medo de que, se não fizerem o que é pedido, deixarão de ser amadas. Com certeza um firme, mas delicado não logo de início, dá chance para que a pessoa encontre outra alternativa e será melhor para todos já que evita constrangimentos e estresse de ambas as partes.
Todos nós desejamos ser queridos e apreciados e não queremos parecer ineficientes.
Ao invés de calar-se e sucumbir à pressão do outro podemos, ao dizer-lhe um não, contribuir para que esta pessoa tome consciência da dimensão de suas exigências, perceber o tempo e o esforço que seu pedido exige e aprender a respeitar as prioridades alheias.

Por que é tão difícil dizer não?

Uma das principais razões, talvez até a mais importante é a baixa auto-estima.
Muitos de nós fomos educados na convicção de que a modéstia é uma virtude. Mas você tem direito de orgulhar-se pelas coisas que conseguiu e pela pessoa que se tornou. Adquirindo o hábito de recordar-se destes êxitos estará mais fortalecido diante de quem quiser menosprezá-lo.
Faça uma lista das coisas que fez e das quais se orgulha. Todos temos alguns talentos e capacidades, nem que seja saber fazer um bolo delicioso ou ter vencido o medo de viajar de avião! A idéia da lista não é torná-lo um vaidoso ou um convencido e, sim, melhorar a opinião que tem a seu próprio respeito. Evidentemente, que se sua autoconfiança está devidamente alimentada, a probabilidade de se deparar com qualquer situação e poder dizer um não com segurança é muito maior.

Culpa, outra razão

A culpa é uma das mais destrutivas emoções. Sofre-se de culpa tanto pelo que se fez como por algo que se deixou de fazer. A sensação é desagradável e, talvez por isso, quando nos pedem algo que não queremos fazer, hesitamos em recusar com medo de depois nos sentirmos culpados.
Você pode analisar o que o faz sentir-se culpado. Claro que cometemos erros no passado. Qualquer um de nós pode olhar para trás e lembrar de algo que não gostaria de ter feito, palavras que não gostaria de ter dito. Mas só vale a pena olhar para os erros do passado se eles servirem como aprendizado. Olhar para trás para reviver as angústias e continuar a se sentir culpado não vale a pena. Use estas experiências para entender o mecanismo da culpa em sua vida e assim terá condições de não se deixar pressionar na hora em que precisar dizer não.

Necessidade de ser apreciado

De uma coisa pode estar certo: mesmo que seja perfeito, nem todo mundo gostará de você. Concordar com tudo que lhe pedem para que todos gostem de você é tarefa fadada ao fracasso! Se você não se gosta, não se valoriza, ninguém o fará e, muito menos, porque você faz tudo o que lhe pedem. Logo algumas pessoas perceberão que a única razão pela qual você faz tudo que lhe pedem é o seu anseio desesperado de ser apreciado e vão tirar cada vez mais proveito disso. Dizer não quando é isso que quer dizer é seu direito.

Dizer não cria certeza nas relações, seu interlocutor pode não gostar, mas respeitará você porque o não (tal como o SIM) é parte da vida.

Passo a Passo para dizer "Não”

1. Pergunte-se se o pedido é ou não razoável e se quer aceitá-lo ou recusá-lo. Se tiver dificuldade em decidir é porque, provavelmente, quer recusá-lo.
2. Se achar que precisa de mais pormenores, peça-os.
3. Se chegar à conclusão de que quer dizer não, diga não.
4. Seja breve, dando uma explicação, mas não uma série de justificativas. Há muitas maneiras de dizer não, mas a única que permite fazê-lo sem perder o amor-próprio é ser direto. Muitas vezes, as pessoas acabam por arranjar desculpas - que com freqüência são mentiras - para evitar fazer uma coisa que preferem não fazer.
5. Não se desculpe. Se começar por dizer \"lamento muito, mas...\" estará dando margem a que a outra pessoa possa tentar manipulá-lo, jogar com seus sentimentos de culpa.

Enfim, dizer não no momento certo é respeitar a si mesmo e também o outro. Além disso, dizer não é ter pleno conhecimento de seus limites e também de sua capacidade. Enfim, dizer não pode ser difícil, mas muitas vezes necessário. É um aprendizado. Experimente, você pode fazer um bem a si mesmo. Pode ser o começo de uma viagem de autodescoberta.

Katia Horpaczky
CRP 41.454-3
Atua em psicologia clínica e organizacional
São Paulo/SP

Desentendimentos

O mundo está formado de grupos que se olham com desconfiança crescente. O egoísmo, medo, orgulho não estão espalhados no ar, estão dentro das pessoas que não tem coragem de remover as barreiras que os separam.

Nos relacionamentos é freqüente vermos separações por mal entendidos, as pessoas afastam-se magoadas pela falta de compreensão, enfrentando a irritação do parceiro que julga a sua atitude como obstinação e leviandade. Tímidos um perante o outro, começam a seguir caminhos diferentes.

É o medo que leva a esse caminho, esconde os enganos e os fracassos, o indivíduo toma ares despreocupados quando absolutamente não está tranqüilo. Tem medo de ser enganado em seus negócios, em suas aspirações, teme abandonar algum hábito ou mesmo seu comodismo, não quer dar oportunidade ao outro e então disfarça suas intenções. E assim vai contribuindo para a criação desta atmosfera de suspeitas e desconfianças.

Franqueza, confiança, compreensão, amor, carinho, aconchego, nada disto pode existir entre pessoas que se escondem umas das outras. Só pode haver tais emoções se despir à máscara e abandonar o fingimento, deixar que o outro o conheça como é realmente. E isso exige coragem.

Viver dissimulando levanta barreiras, enclausura, cria o afastamento o isolamento e pensamentos mórbidos, que causam doenças.

Quando o indivíduo resolve viver às claras consigo mesmo e com outros, provoca uma verdadeira revolução. Um político que pede desculpas pela violência de um discurso, provoca o entendimento imediato entre partidos. O presidente de uma empresa reconhece o lucro excessivo, propõe aos concorrentes uma baixa de preços. Um pai que conta a um filho suas próprias dificuldades. Um casal, ha muito separado, resolve falar com franqueza, abrir o coração. Então tudo volta ao normal.

Duas pessoas não podem conviver, a menos que haja, entre eles, confiança recíproca. É este apego aos próprios fins, aos próprios interesses, que afasta e divide as pessoas em facções antagônicas por que só permanecem unidas enquanto os seus interesses não entram em conflito.

O indivíduo que tenta se vingar de uma pseudo-agressão que jamais existiu, através do comportamento, da raiva, das atitudes inconseqüentes, das mentiras, dos gestos antipáticos, das provocações, do orgulho, o que consegue é matar na outra o respeito por si mesmo gerando o afastamento em um círculo vicioso de magoa e ressentimentos.

O homem só vence estas dificuldades quando das profundezas de seu eu, sobe a tona sua força interior para libertá-lo. Sabemos que não possuímos bastante energia para quebrar de uma vez os moldes no qual nos enquadramos. Mas, pelo menos podemos reconhecer que somos senhores de algumas de nossas ações.

Carmen N. Kuroviski
Psicóloga

HIV-AIDS, Familia e Discriminação

HIV-AIDS

A Aids, "Síndrome de Imunodeficiência Adquirida" do inglês Acquired Immuno Deficiency Syndrome, e considerada pela Organização Mundial da Saúde uma enfermidade de caráter epidêmico, e ate o momento não foi encontrada uma vacina eficaz para o seu tratamento. A Aids é o resultado das infecções  do organismo pelo vírus HIV, ele afeta o sistema imunológico  que perde sua eficiência progressivamente abrindo caminho para infecções  oportunistas e certos tipos de câncer. Em síntese, a Aids é um conjunto de signos e sintomas que advertem a etapa mais avançada da infecção  pelo HIV.


A origem do vírus HIV "Vírus da Imunodeficiência  Humana", ainda e incerta, mas sua propagação teve inicio anos antes do surgimento dos primeiros casos devidamente registrados como tal. Como os sintomas da AIDS podem demorar anos em aparecer, neste espaço de tempo ele pode ser transmitido a outras pessoas, sem que o soropositivo, pessoa que vive com o vírus HIV, este consciente de seu estado de saúde.


O primeiro diagnóstico de infecções oportunistas decorrentes do HIV foi publicado em junho de 1981 no boletim  do Centro de Controle de Doenças na cidade de Atlânta nos Estados Unidos.  Em 1983, o Instituto Pasteur da Franca  e o instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos isolaram o vírus dando inicio a pesquisas que permitiram em 1996 o surgimento da terapias anti-retrovirais, mais conhecidas como "coquetel". A eficácia destes novos medicamentos resultou em uma diminuição de 80% dos casos de internação hospitalar e diminuiu significativamente o numero de óbitos.

Os medicamentos a disposição das pessoas portadoras do vírus HIV si por um lado tem conseguido diminuir a incidência das infecções  oportunistas, por outro, ainda não são capazes de eliminá-lo do organismo. A AIDS ainda não tem cura, a informação e a prevenção ainda são as melhores armas contra o vírus, mais a informação não é tudo, é necessário fazer uso dela e encarar o HIV de maneira responsável. Existe um mundo de diferença entre o que eu sei, e o que eu faço.



A AIDS não tem cara


Desde a sua identificação em 1984, o vírus causador da AIDS "Síndrome de Imunodeficiência Adquirida" vem sendo estudado e combatido com firmeza pela ciência. Na atualidade o portador do vírus HIV "Vírus da Imunodeficiência Humana", encontra na terapia anti-retroviral um aliado, colocando o soropositivo - "pessoa que vive com o vírus HIV" - na situação de portador de uma enfermidade crônica tratável.


Infelizmente, parte da população desinformada, acredita que a Aids mata mais do que qualquer outra doença, e de maneira vergonhosa, pois o soropositivo segundo eles seria uma \"espécie\", e tentam identificá-los por atributos corporais como: magreza tosse constante, pele amarelada, olhar fundo e melancólico, manchas na pele (Sarcoma de Kaposi), gânglios e caroços. Neste caso os atributos do indivíduo ficam submetidos à doença, de forma que tudo aquilo que ele possa ter e/ou representar para a sociedade é visto sob um olhar refratário, que impõe entre a sociedade e o soropositivo uma barreira, um sinal de diferenciação.


Este olhar refratário, alem de preconceituoso constitui uma dificuldade extra para a prevenção do HIV, pois para as pessoas desinformadas o aspecto físico seria um referencial seguro para a utilização ou não do preservativo em um encontro sexual. Corpos "sarados", "rostos bonitos" não são barreiras para o HIV ou outras DST'S, ame com camisinha e coloque a prevenção em primeiro lugar.


Família e HIV-AIDS, derrubando a discriminação


Desde a sua identificação em 1984, o vírus causador da AIDS "Síndrome de Imunodeficiência Adquirida" vem sendo estudado e combatido com firmeza pela ciência. Na atualidade o portador do vírus HIV "Vírus da Imunodeficiência Humana", encontra na terapia anti-retroviral um aliado, que se por um lado não consegue eliminar o vírus do organismo, coloca o soropositivo "pessoa que vive com o vírus HIV" na situação de portador de uma enfermidade crônica tratável.

Infelizmente, mesmo com os avanços obtidos no tratamento e com os meios de contágios identificados, a sociedade continua a evitar o soropositivo como se o mero contato social fosse capaz de transmitir o vírus, o que infelizmente coloca a pessoa portadora do HIV frente a dois desafios: um seria manter o seu estado de saúde e por outro lado lutar contra o preconceito e a discriminação da sociedade que ainda confunde a evitação do vírus com a evitação do portador do vírus, como se pessoa e vírus fossem a mesma coisa, fundidos em um só estado de existência e identidade.


Devido ao choque que pode causar o diagnostico positivo para o HIV dentro da família, algumas pessoas escondem seu estado de saúde, na maioria dos casos por medo a uma reação negativa por parte dos familiares. Por outro lado o apoio da família afeta de maneira positiva a auto-estima, a autoconfiança e a auto-imagem do soropositivo e trás benefícios ao tratamento, fortalecendo o sujeito e o preparando para dar continuidade a sua vida, já que ser portador do HIV não é motivo para aposentadorias, trancamento de matriculas de estudo, abandono de atividades sociais, entre outros.


A aceitação do sujeito e a troca de informações dentro da família geram um apoio emocional que fomenta a adesão ao tratamento e diminui o  nível de estresse, que tem influencia direta na ação do sistema nervoso central, que é responsável pela ativação das defesas do organismo e, sobretudo possibilitam a expressão de emoções e sentimentos que são comuns às pessoas de diagnóstico positivo para o HIV, tais como, a depressão, a culpa, a raiva a negação. A família surge então como um espaço de proteção e contenção, tanto físico como emocional.

A família bem informada sabe que o vírus HIV não se transmite no contato social, ou seja, através de ações comuns do dia a dia. Se você convive com uma pessoa soropositiva, saiba que o vírus não se transmite através do uso de copos, talhares, pratos ou outros objetos que se utilizam para a alimentação. A utilização do mesmo vaso sanitário, chuveiros, bancos, cadeiras não coloca os familiares em contato com o vírus. Beijo, abraço, suor, lagrimas, tosse, espirro intercambio de roupa não se meios de contagio. A demais é fundamental que os familiares se informem sobre as características do HIV, do aceso gratuito aos exames e tratamento no sistema publico de saúde, assim como dos efeitos colaterais dos medicamentos.


Se você tem um portador do HIV na sua família, ame-o, respeite-o, o que mudou nele foi a sorologia, um aspecto do seu sistema imunológico, não seu caráter, sua identidade ou sua forma de amar os seus familiares.  Não deixe que o preconceito e a discriminação falem mais alto que o amor e a amizade, as doenças são parte da vida, assim como a alegria e a saúde, e lembre-se existe tanta dignidade na saúde como na doença. A doença não é a representante do lado escuro da vida, é um aspecto dela, nem mais nem menos que isto.

Paulo Bonanca
Psicólogo, Sexólogo
CRP 05/30190
Atua em Psicoterapia e Sexualidade Humana
Rio de Janeiro - RJ

Obs: Psicólogo com especializacao em sexualidade humana, transtornos e disfuncoes sexuais. Coordenador do Aconselhamento em HIV-AIDS Grupo Pela VIDDA/RJ. Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana).

A Importância do Auto-Conhecimento

Por que se conhecer? Esta é uma pergunta que só você poderá responder. E este é um dos próprios motivos que me leva a olhar constantemente para dentro. É olhando para o nosso interior, examinando e transcendendo nossos padrões herdados de nossos pais, de nossos familiares e da própria cultura e sociedade que poderemos encontrar um sentido em nossas vidas, uma resposta para a pergunta que a maioria de nós tem na mente: "Para que estamos vivos?” ·


O auto-conhecimento nos leva a uma profunda viagem ao nosso interior, fazendo nos compreender por que reagimos a uma determinada situação, tornando-nos capazes de fazer uma escolha mais consciente, e que conseqüentemente nos levará à uma satisfação e sentido de vida cada vez mais significativo.

Desde a mais tenra infância, fomos criando "couraças" para proteger nossa verdadeira essência. Fomos adquirindo padrões sócio-culturais que quando são rígidos e inflexíveis bloqueiam nosso processo de desenvolvimento. Vamos "levando" a vida, escutando apenas o que os outros, a sociedade e os nossos padrões nos dizem para fazer, muitas vezes, não dando ouvidos à nossa própria voz que vem do nosso coração, do nosso interior.

Muitos nem sequer tem consciência dessa voz interior, outros tentam silenciá-la a qualquer custo. Estão ainda iludidos pelas pressões, determinações e medos impostos pela sociedade e pelo próprio ego: "Mas o que vão pensar de mim se eu fizer isto?”.


Certas pessoas têm medo do que pode vir a acontecer, mas esquecem que a vida está presente no agora. E é no agora que o coração, que o Ser clama para que o sigamos, confiando e fluindo, pois é aí que está a verdadeira evolução e o verdadeiro aprendizado que trará a paz e a satisfação interior.

Assim, o auto-conhecimento nos leva ao desenvolvimento de nossa Consciência, transcendendo as "couraças" e indo em direção da nossa verdadeira essência de Amor, uma viagem que exige mais coragem do que segurança.

Saulo Nagamori Fong
Educador Terapeuta

Inclusão Social e Inclusão Escolar

Nossa vida possui muitas dimensões e precisamos cuidar de cada uma delas para mantermos uma boa qualidade de vida. Assim, a dimensão social de nossas vida, que inclui lazer e laços de amizade, precisa ser cuidada; a dimensão familiar também, uma vez que reconhecidamente a família foi e continua sendo o suporte do indivíduo. Apoio familiar é importante para que as pessoas sintam-se seguras. Para tanto, a família precisa ser apoiada pelo Estado, a fim de que tenha condições de ser um porto seguro para cada um de seus membros. Por fim chegamos ao cerne de nossa tese: a vida no trabalho precisa ser gratificante e prazeirosa. Para tanto, o profissional em seu ambiente de trabalho precisa encontrar mecanismos de motivação, criatividade, e crescimento; precisa fazer um exercício de reflexão para encontrar dentro de si o que mais lhe agrada e atrai no trabalho que exerce, o que lhe dá prazer no trabalho que realiza. Cada uma das instâncias de nossa vida está interligada, a qualidade em uma delas ajuda a levar à qualidade nas outras e o contrário também é verdadeiro: a falta de qualidade em uma das instâncias da vida pode levar a desmotivação e insucesso nas demais também.

Quando pensamos em inclusão, também pensamos em seu antônimo: exclusão. Para incluir precisamos admitir que alguém está excluído. Mas quais foram os processos sociais que levaram à exclusão de indivíduos? Que tipo de seleção tem sido feita para excluir ou incluir pessoas? Em todas as faixas etárias vemos diferenças pessoais entre os indivíduos. Uns têm mais facilidade em algumas coisas, outros em outras. Uns estão mais de acordo com o conceito de beleza vigente na época, outros menos. Uns têm mais saúde, outros menos. Mas estas diferenças interpessoais constitiuem a humanidade, é graças a estas diferenças que temos identidade, que somos únicos no mundo. Quando começamos a nos comparar com os outros começamos a valorar as nossas diferenças e semelhanças. Então começam a aparecer os conceitos de mais e de menos, de melhor e de pior, e se não tomamos cuidado, perdemos nossa auto-estima porque passamos a vida toda ouvindo que éramos menos inteligentes ou menos bonitas ou bonitos. Então podemos acabar nos afastando das pessoas, num processo de auto-exclusão. Como reverter este processo?

Hoje em dia temos ouvido falar muito em Inteligência Emocional. Pois é, a inteligência emocional é que nos possibilita a viver em sociedade sem que sejamos anti-sociais, isolados, acuados, mas pelo contrário, a inteligência emocional nos capacita a nos relacionarmos bem com as outras pessoas, sem que fiquemos nos comparando e nos sentindo superiores ou inferiores aos outros. A diferença é saudável e faz parte da vida. Ninguém é perfeito, mas também ninguém é totalmente imperfeito. No ambiente escolar, as crianças podem ser orientadas para esta visão e postura ante a vida, a fim de se tornarem adultos tolerantes e flexíveis, tanto com os outros como consigo mesmas.

Na cultura da diversidade as pessoas valorizam suas diferenças e unem-se para trabalhar em grupo, unindo as potencialidades de cada uma. Em um grupo, há quem seja mais extrovertido e quem seja mais introvertido, mas ambas as características podem ser aproveitadas pois ambas têm suas vantagens, dependendo da situação. É na convivência com o diferente que perdemos o medo e deixamos de nos sentir ameaçados pelo outro, é na convivência com o outro que passamos a assimiliar as suas características que mais nos chamam a atenção. Isto tudo ocorre de modo natural, fruto da convivência e da troca de experiências.

Em uma sociedade mais cooperativa podemos observar a diminuição dos abismos sociais e das desigualdades econômicas. Os abismos sociais incentivam a competição e a valoração dos indivíduos, uns valendo mais e outros menos. Assim, vemos pesquisas que indicam que os salários das mulheres são menores do que os dos homens em cargos semelhantes.

Quando lidamos com as crianças, temos a oportunidade ímpar de educá-las para a diversidade e tolerância. Em uma dada sala de aula pode haver uma criança superdotada, madura e autodidata. Como lidar com esta criança? O ideal é trabalharmos com ela no sentido de ajudá-la a desenvolver suas potencialidades em seu grau máximo sem que ela se sinta diferente das outras crianças, nem inferior, nem superior.  Se for uma criança muito boa nas matérias extas, biológicas e humanas, incentivá-la também a trabalhar o corpo nas aulas de educação física. E ao contrário, se for uma criança fortemente habilitada para atividades esportivas, uma possível futura medalhista, por exemplo, incentivá-la a trabalhar também as disciplinas oferecidas dentro da sala de aula, sem contudo, deixar de auxiliá-la a desenvolver ao máximo suas potencialidades.

E quando acontece o contrário, como podemos lidar com crianças portadoras de deficiência mental na sala de aula no ensino regular?  Para isto os professores e de preferência os demais profissionais da escola precisa e têm o direito de receber capacitação continuada para poder acompanhar o desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno incluído.

A capacitação continuada é o caminho para uma educação verdadeiramente inclusiva, é um direito do professor e do aluno, é papel social do Estado.

 

Sugestões de Leitura

• Educação Inclusiva - O que o professor tem a ver com isso? - Da jornalista e escritora Lia Crespo e ilustrações do cartunista Ricardo Ferraz. Apresenta experiências, conhecimentos e informações sobre como as escolas podem integrar crianças com algum tipo de deficiência. O texto foi complementado por informações do site da Rede SACI ( www.saci.org.br ).

• Dorina Viu - De Cláudia Cotes e ilustrações de Dimaz Restivo. Inspirado na vida de Dorina Norwill, narra o cotidiano de uma criança que não enxerga e aborda seu sentimento e vivência do mundo que a cerca. Cláudia é presidente da ONG Vez da Voz, que desenvolve materiais didáticos e lúdicos para a interação entre crianças deficientes e não-deficientes. O livro conta com impressão em português e braile. Dessa forma, a criança cega poderá ler sozinha e a que enxerga poderá conhecer o funcionamento do sistema braile. A publicação, editada pela Paulinas, integra a série Fazendo a Diferença, que aborda a deficiência de forma positiva e lúdica.

• Que será que a bruxa está lavando? e A bruxa mais velha do mundo - Da professora Elizete Lisbôa, graduada em Letras pela UFMG, e ilustrações de Maria José Boaventura e José Carlos Aragão. Com impressão que une o braile à tipografia comum, os livros podem ser lidos por crianças com ou sem deficiência visual. O objetivo dos lançamentos, segundo a Editora Paulinas, é ajudar na inclusão social das crianças com visão deficiente ou subnormal.

Rosemar Prota
CRP 66915
Atua em Psicologia e EAD
São Paulo/SP

Nudez Gratuita - forma de exibição por defesa ou não de uma causa

A nudez ou o nu é a condição ou o estado pessoal em que, parcial ou totalmente, encontra-se uma pessoa sem cobertura de roupas. É usada muitas vezes para designar o uso de menos roupa do que o esperado por uma convenção cultural, particularmente no que se refere à exposição das partes íntimas, torso ou membros. Há também o chamado nu artístico, que consiste na reprodução de uma pessoa sem vestimentas.

Como perspectiva histórica, na Grécia antiga a nudez era bem aceita, pois soldados espartanos combatiam nus. Nos Jogos Olímpicos, atletas competiam nus e os juízes estavam geralmente despidos como forma de verificar de que não haviam mulheres presentes nestas cerimônias. No Império Romano, a nudez era habitual nos banhos públicos.

Hoje em dia e principalmente no Brasil, a nudez parece que virou algo obrigatório em determinadas situações. Ao começar pela televisão, desde novelas, passando pelos reality shows e até mesmo comerciais, se vê uma pessoa (geralmente mulher) com pouca roupa ou quase nenhuma.

O exemplo mais recente é o Carnaval. Por mais que seja uma festa popular, alguns meses antes as mulheres se preparam com dietas, exercícios físicos, alimentações especiais para poderem desfilar seus corpos mais perfeitos possíveis. E isso a cada ano vai aumentando... o que pode acarretar também na competição entre as mulheres para ver quem tem o melhor corpo, quem fez mais plásticas, quem \"retocou\" o corpo e o rosto também mais vezes, entre outras coisas. Antigamente mostrar a canela já era motivo de escândalo.

Mas por que agir assim? Por ganhar audiência ou pura apelação mesmo? Será que a mulher não tem mais nada a oferecer do que um corpo nu ou quase nu? E porque só as mulheres podem se comportar dessa forma? Será que se um homem se portar dessa maneira vai estar perdendo a masculinidade?

É importante lembrar que estar nu ou quase, pode ser uma forma desenvolver dois desvios sexuais: exibicionismo e o voyeirismo (também chamados de fantasias sexuais). O primeiro se define como desvio sexual manifestado pelo desejo incontrolável de obter satisfação sexual no fato puro e simples de exibir os órgãos genitais a outros. E o segundo é uma prática que consiste num indivíduo obter prazer sexual através da observação de outras pessoas em atos sexuais, nuas ou com qualquer vestuário que seja apelativo para o indivíduo em questão, o voyeur.

Por mais que sejamos donos dos nossos próprios corpos, existe uma questão importante a ser ressaltada, que é o respeito. Respeito pelo nosso corpo, que apesar de ser bonito – e como diz o ditado: “o que é bonito, é pra se mostrar“ – tem ligação com vergonha e muitas vezes pudor. Sem falar que deve haver também o respeito para com as outras pessoas que não são obrigadas a assistir e presenciar certas coisas. É necessário ter senso crítico e saber se posicionar nos lugares sempre respeitando a todos.


Referências Bibliográficas

www.wikipedia.org.br

Ana Luiza Ferraz
Psicóloga Clínica
CRPSP 68640
São Paulo - SP

Razões para desencadear a desmotivação nas pessoas são diversas

Rodrigo Herrero, da Redação do Portal www.padremarcelo.com.br

Esta entrevista está disponível em http://www.padremarcelo.com.br/?system=News&action=ler&id=8089

A desmotivação é um belo breque no nosso dia a dia. Algo não dá certo, uma expectativa é quebrada, um sonho não alcançado, ou, simplesmente, um dia em que você não acordou bem, são elementos que podem trazer a desmotivação para o seu cotidiano.

A falta de muitas coisas que desejamos ou esperamos é o que torna a desmotivação um prato cheio para entravar ainda mais nossa vida. E para falar melhor sobre o tema, o Portal Pe. Marcelo Rossi entrevistou por e-mail a psicóloga Claudia D'Andretta. Leia a conversa na íntegra.

Portal Pe. Marcelo Rossi - Qual é a característica que indica uma pessoa estar desmotivada?
Claudia D'Andretta -
O desmotivado é pessimista, preguiçoso e não está pronto para nada. Não vê ganhos em suas ações e se sente desvalorizado. Até em serviços mais simples vê empecilhos e, o principal, é que tem certeza de que qualquer esforço o levará a lugar algum.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - O que leva as pessoas a ficarem desmotivadas?
Claudia D'Andretta -
Inadequação ou falta de recompensas, reconhecimentos, elogios e falta de amor pela vida e pelo que faz trazem a qualquer um a desmotivação. A própria palavra DES + MOTIVAÇÃO já se explica por si só. Quem está nesta condição não tem MOTIVO para levar adiante determinada ação. Nossa vida é permeada por alegrias, desejos, satisfações, frustrações e tristezas. Que pode desencadear a desmotivação é a prevalência de sentimentos negativos sobre os positivos. É também um sintoma de transtornos mentais como a depressão e a melancolia, que provocam um rebaixamento da energia vital.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - Desmotivação e desânimo podem ser considerados a mesma coisa? Se não, o que difere um do outro?
Claudia D'Andretta -
A desmotivação é a falta de interesse em algo e o desânimo é mais profundo, está ligado ao espírito à pulsão de vida e à vontade. O desânimo pode ser uma das causas da desmotivação.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - A vida é feita de sonhos, muitas vezes, difíceis de serem alcançados. A não-realização daquele sonho é o que pode desmotivar a pessoa e fazê-la esquecer das outras coisas importantes de sua vida? Como evitar isso?
Claudia D'Andretta -
Tudo depende do grau de importância dado ao sonho não realizado e do grau de tolerância a frustrações que o indivíduo possui. Normalmente, diante de uma perda, entramos em estado de luto e leva um tempo para que a pessoa se engaje em outro objetivo e se sinta motivada novamente. Cada pessoa elabora um processo de luto diferente, uns levam mais tempo, outros menos. É bom estar ciente de que a vida tem seus altos e baixos e é permeada por fases. Um único problema afetar todos os aspectos da vida de alguém não é saudável.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - Como é possível identificar que uma pessoa próxima está desmotivada?
Claudia D'Andretta -
Raramente se vê alguém completamente desmotivado, sempre há uma ligação com algum tipo de ação. Estas pessoas não têm interesse em realizar nada e muitas vezes não sabe a causa dessa desmotivação. São negativistas e não têm expectativas positivas. Muitas vezes também tem sua fé enfraquecida.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - Qual a importância da motivação no ambiente de trabalho?
Claudia D'Andretta -
A motivação é o ingrediente principal no ambiente de trabalho. A partir dela o profissional se mobiliza a buscar resultados bons e ser reconhecido. A motivação também é de responsabilidade da empresa, pois a falta dela certamente causará prejuízos.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - A falta de motivação, expectativa dentro de uma empresa costuma ser apontado como uma das causas do baixo rendimento profissional. Como reverter isso?
Claudia D'Andretta  -
Para que não falte motivação em grandes empresas, por exemplo, são implantadas promoções, políticas de participação nos lucros e resultados e recompensas. No caso de pequenas empresas, o reconhecimento do trabalho competente não se fixa somente em bonificações em dinheiro, mas também podem ser providos dias de folga, viagens, festas ou apenas o cumprimento do chefe.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - A desmotivação pode ser um passo para a depressão?
Claudia D'Andretta  -
Não necessariamente, pois pouco ocorre desmotivação geral em alguém, ela sempre vai estar ligar a um determinado aspecto da vida. A depressão é falta de energia vital e esta sim poderá ser a causa da desmotivação. A depressão se estende à pessoa como um todo.
 
Portal Pe. Marcelo Rossi - O que a senhora indicaria para uma pessoa que se encontra desmotivada?
Claudia D'Andretta  -
Primeiro, identificar a fonte da desmotivação e logo modificá-la para algo atrativo. O emprego, estudo, rotina diária, seja o que for, tudo é passível de mudança, afinal somos seres humanos e gozamos do livre arbítrio. A fé também é crucial para motivarmos, e, como diz em Hebreus 11:1, Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem...

Claudia D'Andretta
Psicóloga
CRP 67808
Atua em Psicologia Clinica e Organizacional
São Paulo – SP

Obs: Psicóloga clínica de seguindo a linha breve de orientação psicanalítica e consultora de carreira e RH. Mantenedora deste site.

Relacionamento entre Irmãos Gêmeos

Se educar um filho já é complicado, imagine dois vindos de uma só vez...às vezes até três ou mais...

Muitas famílias apresentam dúvidas e dificuldades em criar filhos gêmeos. Sabemos que não existe manual de instruções, mas alguns comportamentos podem ser exercidos para a melhor relação dessas crianças com a família, sociedade, amigos e até entre eles.

Allgumas mães, ainda com os filhos no útero, começam um processo de diferenciação, alegando quer um é mais inquieto ou mais dorminhoco que o outro. Normalmente os localizam e identificam pela posição que ocupam no útero. Perceber as diferenças entre os filhos desde o útero pode ser algo muito útil no sentido de se diferenciar a individualidade de cada bebê, mas extremamente negativo se a partir daí começar as comparações entre os gêmeos.

Cada filho tem um lugar na constelação familiar que lhe é peculiar, e é importante que os pais estejam atentos a isso.

Apesar de sabermos o quanto a educação familiar é importante para a construção de valores e crenças, essa não é a única forma de moldar a personalidade das crianças porque o cérebro, na infância, funciona como uma esponja absorvendo tudo ao seu alcance.

Uma das coisas mais comuns entre crianças gêmeas, é vê-las vestidas de forma igual. Isso pode ser até bonitinho, mas mesmo quando são pequenos de certa forma prejudica a formação da personalidade de cada um. Vestindo as crianças com roupas iguais, os pais contribuem e dificultam que cada criança tenha sua própria individualidade, dificultando também a diferenciação dos filhos.

Os brinquedos e objetos de cada um deve ser etiquetado com seus nomes ou guardados em lugares diferentes, para que eles saibam o que é de cada um e também a diferenciação. É importante que cada um disponha dos seus brinquedos, pois se tudo pertencer a ambos, é difícil que os gêmeos possam pensar em si mesmos como pessoas diferentes.

Cada criança tem seu nome e é importante que eles sejam chamados pelos mesmos e não “os gêmeos”. Para eles, esse rótulo, pode causar uma baixa auto estima, pois desde cedo sentem que não podem exercer sua própria identidade.

Assim como qualquer relacionamento entre irmãos é normal existir atritos e competições, porém num relacionamento entre irmãos gêmeos, a rivalidade pode ser maior, afinal eles dividiram até o lugar dentro do útero. A partir daí, os pais precisam pensar que não é porque são parecidos ou iguais que devem fazer as mesmas coisas. É muito importante lembrar que cada um é cada um, com seus defeitos, qualidades, vontades, desejos e aspirações diferentes.

É sempre importante ressaltar que a imposição de limites cabe para a criação de um, dois, três filhos vindos um de cada vez e principalmente para gêmeos, principalmente se os pais o tratem de forma igual. Não tendo limites, as crianças gêmeas se aproveitam desse fato e muitas vezes se tornam crianças rebeldes dificultando a criação deles e o relacionamento com todos.

Ana Luiza Ferraz
Psicóloga atuante na Clínica
CRP/SP 68640
São Paulo/SP



Transtornos Associados a Disfunções Fisiológicas e a Fatores Físicos

Anorexia Nervosa

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma conseqüência dessa distorção doentia do esquema corporal.

O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar.

A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anorética mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

A pessoa que pesa menos que 85% do peso considerado normal para a idade e altura costuma ser um dado valioso para se pensar em anorexia. A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) recomenda que a pessoa tenha um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou inferior a 17, 5 kg/m2 sugestivo de anorexia. O IMC é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Essas medidas ou índices são apenas diretrizes sugeridas para o clínico, pois não é razoável especificar um padrão único para um peso normal mínimo aplicável a todos os pacientes de determinada idade e altura. Ao determinar um peso normal mínimo, o médico deve considerar não apenas essas diretrizes, mas sobretudo a constituição corporal e a história ponderal do paciente.

A perda de peso nas pessoas com Anorexia Nervosa é obtida, principalmente, através da redução do consumo alimentar total, embora alguns pacientes possam começar "o regime" excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente calóricos. De modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas alguns poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adota métodos adicionais de perda de peso, os quais incluem auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes ou diuréticos e prática de exercícios intensos ou excessivos.

As pessoas com este transtorno têm muito medo de ganhar peso ou ficar gordos e este medo geralmente não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal freqüentemente aumenta à medida que o peso real diminui.

A vivência e a importância do peso e da forma corporal, como dissemos, são distorcidas nesses pacientes. Alguns deles acham que têm um excesso de peso global, independentemente dos resultados contrários da balança. Outros percebem que estão magros, mas ainda assim se preocupam com o fato de certas partes de seu corpo, particularmente abdômen, nádegas e coxas, estarem "muito gordas".

Na Anorexia Nervosa os pacientes podem empregar uma ampla variedade de técnicas para estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como "gordas". A auto-estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição.

As mulheres que já menstruam costumam apresentar supressão das menstruações (amenorréia) quando acometidas de Anorexia Nervosa. Isso é devido a níveis anormalmente baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez, devem-se a uma redução da secreção de hormônio folículo-estimulante([FSH) e hormônio luteinizante (LH) pela pituitária. Essa ocorrência indica séria disfunção fisiológica na Anorexia Nervosa. A amenorréia em geral é uma conseqüência da perda de peso mas, em uma minoria de pacientes pode precedê-la. Em jovens pré-púberes, o aparecimento de menstruações (menarca) pode ser retardada pela doença.

Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente busca auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento subjetivo acerca das seqüelas físicas e psicológicas da inanição. Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto a este. Por isso, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Um estranho comportamento em relação à comida pode ser exibido por alguns desses pacientes. Eles costumam esconder comidas pelos armários, banheiros, dentro de roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares. Ou ainda, podem procurar empregos como garçonetes, cozinheiros ou simplesmente colecionar receitas e artigos sobre comida. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no consumo. Assim, intensifica o medo de ceder ao impulso de comer e aumentam as proibições contra ela. Padrões de pensamento pré-mórbidos assumem um novo significado, um estilo de raciocínio de tudo-ou-nada leva a conclusão de que um grama de peso ganho significa uma transição de normal para gordo.

Causas

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.

Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.

Os modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje são vistos mais como mantenedores do comportamento do que como causais.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes freqüentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.

Tipos
Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa.

Tipo Restritivo .
Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo .
É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos..

Transtornos Associados
Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para Transtorno Depressivo Maior. Muitos dos aspectos depressivos podem ser secundários às seqüelas fisiológicas e clínicas da desnutrição. Os sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma recuperação completa ou parcial do peso.

Características Obsessivo-Compulsivas, tanto relacionadas quanto não relacionadas com comida, com freqüência são proeminentes. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa preocupa-se excessivamente com alimentos, como dissemos acima.

Observações de comportamentos associados com outras formas de restrição alimentar sugerem que as obsessões e compulsões relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os pacientes com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, pode haver um diagnóstico conjunto e concomitante de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

Outras características ocasionalmente associadas com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.

Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de semi-inanição deste transtorno pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia sangüínea, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.

Os níveis de hormônio tiroideano (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalãmico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.

O eletrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O eletroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, refletindo uma encefalopatia metabólìca, conseqüente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com freqüência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorréia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (constipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargia. Também pode haver queda significativa na pressão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do tronco mais finos desenvolvem (lanugo). A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A anorexia nervosa pode levar à morte em conseqüência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias à desnutrição e desequilíbrio eletrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. Sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crônicas com inúmeras internações e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função direta da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel materno mal elaborado, adaptação profissional ruim e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, notadamente a depressão.

Características da Cultura, da Idade e do Sexo
A Anorexia Nervosa parece ter uma prevalência bem maior em sociedades industrializadas, nas quais existe abundância de alimentos e onde, especialmente no tocante às mulheres, ser atraente está ligado à magreza. O transtorno é provavelmente mais comum nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e África do Sul, mas poucos trabalhos examinaram a prevalência em outras culturas. Os pacientes que emigraram de culturas nas quais o transtorno é raro para culturas nas quais o transtorno é mais prevalente podem desenvolver Anorexia Nervosa, à medida que assimilam os ideais de elegância ligados à magreza.

Fatores culturais também podem influenciar as manifestações do transtorno. Por exemplo, em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, podendo a motivação expressada para a restrição alimentar ter um conteúdo diferente, como desconforto epigástrico ou antipatia por certos alimentos.

A Anorexia Nervosa raramente inicia antes da puberdade, mas existem indícios de que a gravidade das perturbações mentais associadas pode ser maior nos pacientes pré-púberes que desenvolvem a doença. Entretanto, também há dados que sugerem que quando a doença se inicia durante os primeiros anos da adolescência (entre 13 e 18 anos de idade), ela pode estar associada com um melhor prognóstico. Mais de 90% dos casos de Anorexia Nervosa ocorrem em mulheres.

Epidemiologia
A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de 1% e, destes, cerca de 90% dos casos são em mulheres. A doença acomete mais freqüentemente classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após dieta de emagrecimento; em 40% por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbelteza com realizações, e populações especiais (notavelmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco incomumente alto para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidência de Anorexia Nervosa tem aumentado nas últimas décadas.

Curso
A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes se recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos pacientes baixados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é em torno de 10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio eletrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

Meninas com nove anos já fazem dieta
Uma investigação conduzida no Reino Unido revela que, aos nove anos, são já muitas as crianças que se preocupam com o seu aspecto físico. Os cientistas da Universidade de Leeds chegaram à conclusão que uma e cada cinco meninas com nove anos de idade fazem dieta porque, na escola, os colegas troçam do seu aspecto físico.

O investigador principal do estudo, Andrew Hill, alerta para o risco que estas crianças correm de vir a desenvolver desordens alimentares durante a adolescência. Isto porque a forma encontrada pelas meninas para reduzir o peso passa, muitas vezes, por saltar refeições, evitar determinados tipos de comida e/ou comer menos durante o dia. Através do estudo, percebeu-se que existe um grupo etário específico que está a desenvolver uma preocupação exagerada em torno da imagem. Fonte: Cidade Médica Virtual.

No recreio, as crianças mais gordas são alvo de troça dos colegas mas são vários os fatores contribuem para esta preocupação: a pressão do órgãos de comunicação social, dos pares e da própria família. Todos estes vetores, em conjunto, levam as crianças a acreditar que, realmente, «é esteticamente agradável ser magro». Os investigadores também perceberam que as meninas que são alvo de troça por parte dos seus colegas apresentam uma personalidade mais frágil e baixa auto-estima, mesmo quando não são, de fato, gordas.

A psicóloga Denise Bellotto de Moraes, da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp foi responsável por pesquisa que avaliou o comportamento de 316 adolescentes de dez a 19 anos de uma escola particular de SP.

No levantamento, verificou-se que metade das 178 meninas estava insatisfeita com seus corpos, contra 30% dos meninos. Das garotas, 30% faziam dieta sem precisar. Para nutricionistas, fisiologistas e pediatras o resultado dessa obsessão com as dietas é preocupante e pode comprometer o desenvolvimento, podendo, inclusive ser o início de distúrbios alimentares graves, como a bulimia e a anorexia.

O primeiro passo para uma alimentação saudável na adolescência é entender e aceitar as mudanças do corpo. Por exemplo; é normal que as meninas ganhem alguns quilos por volta dos dez anos, pois elas precisam de depósitos de gordura ( em média elas têm de ter de 18% a 20%) para a produção dos hormônios da puberdade e para se preparar para o fenômeno do "estirão", quando crescem rapidamente.

Critérios Diagnósticos Anorexia Nervosa

A. Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
B. Medo intenso de ganhar peso ou se tornar gordo mesmo com o peso abaixo do normal.
C. Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
D. Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno.)

Especificar tipo:

Tipo Restritivo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente não se envolveu regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

Tratamento
Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois, como imos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correçào hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

Ballone GJ - Anorexia Nervosa

A Relação entre a Obesidade e Dificuldades Emocionais

Quais as possíveis causes de obesidade? Tem pessoas que comentam que a ansiedade as leva a comer mais; outras dizem que o problema gira em torno da tristeza; há ainda as que relatam que a questão está na falta de amor por si próprios.

Como acabar com estes sentimentos negativos? É necessário refletir sobre as origens das emoções que dificultam seu emagrecimento. A maior vantagem do auto-conhecimento é que ele permite que você encontre as reais causas das suas dificuldades e lhe possibilita tomar uma atitude para transformá-las.

O processo de reflexão torna-se produtivo quando a pessoa consegue ir além das conclusões superficiais. Não adianta, por exemplo, concluir que a baixa auto-estima te leva a boicotar o emagrecimento e a se manter com um corpo indesejado. É necessário ir além, indagando-se sobre as origens da falta de amor por si próprio.

O desejo de conhecer mais sobre nós mesmos geralmente nos remete a experiências da infância, vividas com nossos familiares mais próximos. Por este motivo, quando se deseja alcançar um grau mais profundo de auto-conhecimento, recomenda-se que a pessoa procure um psicoterapeuta. Este profissional estará preparado para acompanhar o processo de descoberta interior, oferecendo ao paciente o suporte necessário.

Reflexão e auto-conhecimento são armas poderosas para resolver os conflitos emocionais que contribuem para a obesidade. A saúde do corpo está intimamente associada à saúde da mente e o conhecimento do interior ajuda o indivíduo a atingir seu objetivo do emagrecimen to.

Flávia Leão Fernandes
CRP 06/68043
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia pela Universidade de Londres, Inglaterra e especialista em Psicologia Hospitalar com enfoque em obesidade.



Transtornos da Personalidade do Adulto

O Ódio Narcisista

Duas pessoas se encontram e o interesse é despertado e começa a aproximação. Como todo o início de relacionamento, existe um pouco de reserva misturado a timidez. Aos poucos o nível de intimidade vai crescendo, já conversam descontraídos e no olhar já se nota o envolvimento entre eles.

Contudo o tempo passa e apesar da evolução e vivência, nada do que se esperava daquele relacionamento acontece, nada é falado as claras, até a comunicação mais profunda que poderia ter sido iniciada num simples beijo se torna subjetiva. As formas de comunicação são feitas nas entrelinhas, apenas murmuradas entre um ou outro abraço até o dia em que ele esboça uma tentativa de consumar esta relação, contudo a parceira não consegue se liberar para o que mais ansiava e ressentido, ele começa a se afastar.

Ela, passando por cima de todas as barreiras morais que lhe foram impostas desde a infância, consegue reunir coragem suficiente para contar que o queria muito, que desejava consumar a relação, foi um esforço onde passou por cima dos conceitos enraizados. O que houve? Ele a rejeitou, com uma desculpa qualquer. Mantém apenas alguns contatos telefônicos com inúmeras justificativas onde continua tudo nas entrelinhas. A situação é não só constrangedora como também enlouquecedora.

Ela não entendia se de fato ele sentira amor por ela, mas, antes disso, estava à vingança por uma rejeição que nunca foi real. Não foi quando, como e onde ele queria. Qual a forma que ele encontrou de destruí-la? Tirou dela o que ela mais gostava: ele. Torturou-a durante meses com telefonemas, desculpas, promessas e ausências. Quando ela começou a perder a paciência e tornar-se agressiva e tentava dar o assunto por encerrado, ele fazia questão de trazê-la para perto com os mais variados pretextos.

De forma geral, tudo o que acontece com um casal, é o resultado de um processo do próprio casal. Mas temos que abrir uma exceção para aquela situação em que o parceiro é um narcisista que faz com que seu parceiro fique confuso porque ele parece convencido de que não tem nenhuma responsabilidade sobre nada. Nas fases iniciais de conhecimento, namoro e paixão, tudo é muito comum. As mudanças vão ocorrer algum tempo depois de iniciado o relacionamento, talvez um ano ou mais. Na medida em que o relacionamento se desenvolve.

O narcisista, não sofre sozinho, faz sofrer também aquele que tentou lhe proporcionar a alegria ou causou decepção, tornando-o impotente na medida em que inutiliza seus esforços.O ódio do narcisista é tão grande que ele nunca mais vai esquecer. Assim, ele vai aproveitar a primeira oportunidade para revidar. Sua lei é a do olho por olho e dente por dente e, disso, não há escapatória. O revide, o desejo de devolver a ofensa, a necessidade de aplicar ao outro a mesma dor que imaginou receber.

A mentira, o exibicionismo e a manipulação são formas que o narcisista utiliza para não incorrer na entrega plena. Com esses mecanismos, ele mantém o objeto a uma distância segura. A raiva narcísea transforma o relacionamento em contato destrutivo, que visa magoar o outro por causa da decepção infringida. O fracasso dos relacionamentos é inevitável então escolhem o não envolvimento emocional, é comum neles: primeiro arrumam alguém para se relacionar, logo, como não conseguem ver o outro e sim seus dramas pessoais no outro, a relação não dá certa.

O narcisista protege-se pela recusa porque admitir o que se sente implica no contato com o lado psicótico, o lado dele que deseja perder-se no outro, de buscar-se no outro e assim, amar o outro. Era o desejo que ele tinha quando foi ferido e ser rejeitado outra vez reabrindo as feridas. Isso causa horror.

Ser vitimado por um narcisista é uma condição terrível. Separar-se fisicamente de um narcisista exige muitos esforços. A separação física, entretanto, é só o primeiro passo. A pessoa pode abandonar o narcisista, mas o narcisista é lento para abandonar suas vítimas. Isso, se conseguir abandoná-las.

Mesmo afastado, ele estará lá, espreitando, montando comportamentos que deixam o outro em estado de tensão. Ele torna a existência do outro uma coisa surreal O real perigo que as vítimas dos narcisistas acabam por adquirir é que, elas se tornarão como ele, amargas, egocêntricas e com total ausência de empatia.

A convivência com um narcisista é um dos piores acidentes que pode acontecer a alguém, você dá amor de forma irrestrita, mas ele nunca se sacia e acaba sempre por lhe dar a impressão de que você não tem amor para dar ou não sabe dar amor.

Carmen N Kuroviski
Psicologa

Psicopatia

Os termos Psicopata, Sociopata, Anti-social, Transtornos de Conduta, Delinqüência, Borderline e muitos outros congêneres, juntamente com conceitos tais como Personalidade Criminosa, Personalidade Psicopática, Propensão ao Delito, etc., estão constantemente sendo revistos pela psiquiatria em geral e, particularmente, pela Psiquiatria Forense. Toda essa temática tem, também, um grande interesse para a sociologia, política e antropologia, na medida em que a sociedade tem se surpreendido com fenômenos de agressividade e violência estarrecedoras.

As perenes ocorrências de crimes seriais, juntamente com as igualmente perenes atitudes destrutivas de fundo religioso e político e as atuais conturbações do mundo moderno, principalmente as grandes tragédias político-sociais que abalam os grandes centros, como por exemplo, as ações terroristas, têm chamado muito a atenção sobre a destrutividade potencial que caracteriza a conduta de algumas pessoas. Seriam psicopatas todas as pessoas envolvidas nessas ações delituosas?

Com finalidade didática, resolvemos agrupar todos esses desvios da atitude humana que conflitam com os padrões sociais normais da vida gregária sob a denominação de TRANSTORNOS DA LINHAGEM SOCIOPÁTICA.

Nesse capítulo, compreensivamente bastante longo, veremos de maneira didática os principais tópicos que relacionam a psiquiatria com a atitude humana violenta, agressiva e anti-social. Nossa sistematização se dá assim:

1. Comportamento Violento

2. Personalidade Psicopática
  2.1 - Transtorno Psicopático e Sociopático
  2.2 - Personalidade Anti-Social
  2.3 - Personalidade Criminosa
  2.4 - Personalidade Psicopática e Moral
  2.5 - Violência no Psicopata

3. Personalidade Borderline

4. Transtorno Explosivo da Personalidade

5. Transtorno de Conduta

6. Agressividade em Crianças e Adolescentes

PERSONALIDADE PSICOPÁTICA

TRAÇOS E CARACTERÍSTICAS

A psicopatologia em geral e a psiquiatria forense em especial têm dedicado, há tempo, uma enorme preocupação com o quadro conhecido por Psicopatia (ou Sociopatia, Transtorno Dissocial, Transtorno Sociopático, etc).

Trata-se de um terreno difícil e cauteloso, este que engloba as pessoas que não se enquadram nas doenças mentais já bem delineadas e com características bastante específicas, a despeito de se situarem à margem da normalidade psico-emocional ou, no mínimo, comportamental. As implicações forenses desses casos reivindicam da psiquiatria estudos exaustivos, notadamente sobre o grupo de entidades entendidas como Transtornos da Personalidade.

A VIOLÊNCIA E IMPULSIVIDADE NO PSICOPATA

As descrições da Psicopatia têm incluído déficits afetivos e alguns processos psicofisiológicos associados. A nosso ver, a maneira de ser do psicopata é o resultados de um complexo sistema de avaliação do objeto, juntamente com uma série de condutas aprendidas como eficazes.

Antes que o sujeito interaja com o objeto, ou seja, em nosso caso, para que o sujeito psicopata elabore considerações sobre os objetos de sua realidade e com eles se inter-relacione, obrigatoriamente temos que refletir sobre suas características cognitivas.

Essa consideração cognitiva prévia decorre da tendência atual que considera as cognições como propriedades da consciência com potencialidade de causar determinadas respostas emocionais e sociais. Portanto, as bases biológicas da personalidade e de seus transtornos, como é o caso da psicopatia, muitas vezes se expressam em cognições disfuncionais.

Os estilos de relacionamento interpessoais expressam, além das tendências motivacionais, também o perfil cognitivo da pessoa. Os traços que definem a personalidade de cada um também podem ser analisados à luz das comunicações interpessoais, o que, por sua vez, volta a ter que ver com as motivações e com o perfil cognitivo da pessoa.

Assim sendo, as motivações estão sempre atreladas ao perfil cognitivo da pessoa e, a motivação do psicopata gira em torno do poder e do status destacado na hierarquia social, num contexto de repúdio ou evitação da empatia e apego.

Tem-se que considerar vários aspectos vinculadOs com a agressão e Psicopatia. Um deles é a relação existente entre agressão e impulsividade. Os vínculos entre a agressão e a impulsividade têm sido minuciosamente estudados por Seroczynski (1999). Entre os muitos traços de personalidade comórbidos estudados na psicopatologia, a associação entre impulsividade e agressividade é um dos mais freqüentes. Mas, vejamos com mais calma se esses traços, de fato, estão inexoravelmente atrelados.

Para entender melhor nosso raciocínio, será importante a distinção entre Agressão Depredadora (ou Proativa) e Agressão Reativa. Por último, teríamos que ver a real relação da Psicopatia com os grandes criminosos, como por exemplo, os assassinos em série e de massa. A Agressão Reativa tem sido definida como uma reação hostil à uma frustração percebida. O individuo Agressivo Reativo super-reage diante a menor provocação e costuma ser explosivo e instável.

Por outro lado, na Agressão Proativa (ou Depredadora) a pessoa tem uma conduta agressiva e violenta dirigida para uma meta determinada. Este tipo de agressor pode ser perigosíssimo aos demais e uma ameaça criminal para a sociedade. Vendo o problema desse jeito, podemos dizer que a Agressão Reativa é a que está mais fortemente ligada à impulsividade, enquanto que a Agressão Proativa é mais elaborada, planejada e premeditada.

Voltando agora à questão agressividade-impulsividade, e ainda tomando por base essa distinção das agressões em Proativa e Reativa, pode ser perfeitamente possível uma pessoa ser agressiva sem ser impulsiva e, não surpreendentemente, ser impulsivo sem ser agressivo. Então, para que estejamos certos, é necessário que a natureza da agressividade e da impulsividade seja diferente e não, obrigatoriamente, a mesma.

Isso significa que, no desenvolvimento da personalidade, os fatores genéticos, ambientais ou combinações de ambos, capazes de influenciar nos traços de agressividade e impulsividade, atuariam diferentemente em diferentes pessoas. Barratt (1999) demonstrou em suas pesquisas que os criminosos impulsivos presos diferiam dos que não eram impulsivos em várias medições neuropsicológicas, cognitivas e neurofisiológicas, sugerindo com isso que os dois tipos de criminosos poderiam ter etiologia distinta.

Apesar disso, existe quem apóia a idéia da impulsividade e agressividade estarem sempre sobrepostas numa mesma pessoa, tal como ocorreria, para esses autores, na sobreposição entre o Transtorno por Déficit de Atenção (TDAH) e os Transtornos de Conduta (TC). Aqueles que não compartilham esta posição, entre os quais nos colocamos, alegam que o TDAH e a agressão não estão obrigatoriamente e nem freqüentemente correlacionados.

Até o momento, tudo parece levar a crer que a impulsividade, que é o traço mais associado à Agressão Reativa, teria muito mais influência genética do que a Agressão Proativa. Para essa Agressão Depredadora, as influências ambientais teriam um papel fundamental, tais como experiências traumáticas ou ameaçadoras, precoces e duradouras.

As pessoas que exibem comportamentos impulsivos têm, em geral, outros problemas de conduta e/ou emocionais. A irritabilidade, e não a agressividade, parece ser o sintoma mais fortemente relacionado com a impulsividade. De outra forma, a possível relação entre Agressão Reativa e impulsividade parece provir, segundo Eduardo Mata (1999), das redes neuronais (assembléias neuronais) que manejam o controle da impulsividade, bem como dos fatores neuroquímicos do cérebro.

Segundo Meloy (Richards, 1998), uma das respostas fisiológicas que diferencia os Psicopatas, tanto dos Anti-sociais quanto dos normais, seria um sentimento de apego severamente perturbado, isto é, um prejuízo e fracasso nas atitudes de apego e nas identificações malignas.

O déficit do Psicopata na capacidade de apegar-se ou vincular-se aos outros pode também ser melhor conceitualizado por vias neurológicas inespecífica ou uma configuração incomum de genes. Outra opção causal sugere um defeito que resulta numa superabundância de impulsos agressivos ou um defeito nas funções psíquicas inibitórias, ou ainda, na combinação de ambos.

Assim sendo, um defeito do Superego, juntamente com uma predisposição inata para impulsividade e agressividade, mais a natureza adversa de experiências infantis precoces (normalmente antes dos 36 meses), criariam condições propícias para o desenvolvimento da Personalidade Psicopática.

CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE PSICOPÁTICA

Blackburn (1998) desenvolveu uma interessante tipologia para os subtipos de psicopatas, inclusive considerando o aspecto Anti-social como se tratasse de um dos sintomas possíveis de estar presente em certos casos. Inicialmente ele fez uma distinção entre dois tipos de psicopatas e ambos compartilhando um alto grau de impulsividade: um Tipo Primário, caracterizado por uma adequada socialização e uma total falta de perturbações emocionais, e um Tipo Secundário, caracterizado pelo isolamento social e traços neuróticos.

Apesar de todas variações tipológicas dos mais diversos autores, todos parecem estar de acordo nas características nucleares do conceito; impulsividade e falta de sentimentos de culpa ou arrependimento. Mais tarde os 2 subtipos de Blackburn (Primário e Secundário) foram aprimorados em 4 subtipos mas, para nosso trabalho, apenas esses dois tipos iniciais são relevantes:

1 - Os Psicopatas Primários, caracterizados por traços impulsivos, agressivos, hostis, extrovertidos, confiantes em si mesmos e baixos teores de ansiedade. Neste grupo se encontram, predominantemente, as pessoas narcisistas, histriônicas, e anti-sociais. Sua figura pode muito bem se identificar com personalidades do mundo político.

2 - Os Psicopatas Secundários, normalmente hostis, impulsivos, agressivos, socialmente ansiosos e isolados, mal-humorados e com baixa auto-estima. Aqui se encontram anti-sociais, evitativos, esquizóides, dependentes e paranóides. Podem ser identificados com líderes excêntricos de seitas, cultos e associações mais excêntricas ainda.

Entre esses 2 subtipos, as pessoas pertencentes ao grupo dos Psicopatas Secundários, seriam as mais desviadas socialmente, são também desviadas em outros aspectos. Nessas pessoas é onde mais se encontram as anormalidades no Eletroencefalograma, as quais têm sido descritas precocemente.

Os Psicopatas Primários, por sua vez, têm mais excitação cortical e autonômica, e maior tendência a buscar sensações. Entre esses grupos existem também diferenças quanto à agressividade e criminalidade.

Os Psicopatas Primários ainda teriam convicções mais firmes para efetuar crimes violentos, enquanto que os Psicopatas Secundários para os roubos. Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários seriam mais dominantes, tanto em situações ameaçantes como aflitivas, mas os Psicopatas Secundários mostram mais fúria diante da ameaça, tanto física como verbal.

Os Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários podem corresponder à brilhante classificação de Millon ao Psicopata Carente de Princípios (veja adiante). Esses dois subtipos compartilham alguns traços em comum, mas os Secundários têm muito mais ansiedade social e traços de personalidade esquizóides, evitativos e passivo-agressivos. É muito provável que a maioria ingresse no critério mais amplo de borderlines.

TABELA

Com relação ao potencial de conflitos interpessoais da personalidade do psicopata é interessante considerar dois modelos: o grau de poder ou controle exercido sobre as demais e o grau de afinidade. Sobre o poder está em apreço a dominância ou a submissão aos demais e, em relação à afinidade, entra em cena a hostilidade ou o cuidado.

A expressiva maioria dos psicopatas estabelece uma interação social do tipo hostilidade e dominância, ficando a submissão e cuidado por conta dos não psicopatas. Para o exercício da dominância e hostilidade, o psicopata costuma culpar a outros, mentir com freqüência, buscar continuadamente atenção e ameaçar a outros com violência. O contrário dessa postura seria a amabilidade social, representada pelas condutas coercitivas e dóceis.

Entretanto, para complicar ainda mais essa questão dos traços, devemos considerar o desempenho sócio-teatral dos psicopatas, através do qual manifestam atitudes que não fazem parte de suas características genuínas, mas, sobretudo, de suas simulações sociais.

É assim que a Psicopatia pode aparecer estreitamente vinculada com a amabilidade. Neste modelo o Psicopata Primário tende a ser coercitivo e, apesar disso, também dominante e sociável (gregário). Já os Psicopatas Secundários, além de poderem ser também coercitivos, costumam ser mais isolados e aparentemente submissos. Mas ambos tipos exibem estilos interpessoais que os coloca na possibilidade de ter conflitos com terceiros. De qualquer forma, satisfazendo os critérios usados para definir os Transtornos de Personalidade, de modo geral, os psicopatas tendem a manifestar comportamentos rígidos e inflexíveis.

Millon (1998) desenvolveu também uma subtipologia dos psicopatas, por sinal, de interesse clínico maior que a subtipologia de Blackburm. A idéia de Millon foi dirimir as contradições entre numerosas visões que se têm sobre o psicopata. Mesmo considerando diversos subtipos de psicopatas, Millon deixa claro que existem elementos comuns a todos os grupos: um marcado egocentrismo e um profundo desprezo pelos sentimentos e necessidades alheias.

Com finalidade exclusivamente didática, modificamos, condensamos e sistematizamos a subtipologia de Millon da seguinte forma:

1 - O Psicopata Carente de Princípios : Este tipo de psicopata se apresenta freqüentemente associado às personalidades narcisistas e histéricas. Podem até conseguir manter-se com êxito nos limites do legal.

Estes psicopatas exibem com arrogância um forte sentimento de autovalorização, indiferença para com o bem estar dos outros e um estilo social continuamente fraudulento. Existe neles sempre a expectativa de explorar os demais (esse traço pode corresponder ao estilo dominante dos Psicopatas Primário e Secundário de Blackburn).

Há neles uma consciência social bastante deficiente e se faz notória uma grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos alheios. A irresponsabilidade social se percebe através de fantasias expansivas e de grosseiras, contumazes e persistentes mentiras.

Falta, nesses Psicopatas Carentes de Princípios, o Superego. Essa falta é responsável pelos seus relacionamentos inescrupulosos, amorais, desleais e exploradores. Podem estar presentes entre sociedades de artistas e de charlatões, muitos dos quais são vingativos e desdenhosos com suas vítimas.

O psicopata sem princípios mostra sempre um desejo de correr riscos, sem experimentar temor de enfrentar ameaças ou ações punitivas. São buscadores de novas sensações. Suas tendências maliciosas resultam em freqüentes dificuldades pessoais e familiares, assim como complicações legais.

Estes psicopatas narcisistas funcionam como se não tivessem outro objetivo na vida, senão explorar os demais para obter benefícios pessoais. Eles são completamente carentes de sentimentos de culpa e de consciência social. Normalmente sua relação com os demais dura tempo suficiente em que acredita ter algo a ganhar.

Os Psicopatas Carentes de Princípios exibem uma total indiferença pela verdade, e se são descobertos ou desmascarados, podem continuar demonstrando total indiferença. Uma de suas maiores habilidades é a facilidade que têm em influenciar pessoas, ora adotando um ar de inocência, ora de vítima, de líder, enfim, assumindo um papel social mais indicado para a circunstância. Podem enganar a outros com encanto e eloqüência. Quando castigados por seus erros, ao invés de corrigirem-se, podem avaliar a situação e melhorar suas técnicas em continuar a conduta exploradora.

Carentes de qualquer sentimento de lealdade, juntamente com uma extrema competência em desempenhar papéis, os psicopatas normalmente ocultam suas intenções debaixo de uma aparência de amabilidade e cortesia.

2 - O Psicopata Malévolo: Juntamos aqui as características que Millon atribui aos subtipos Malévolo, Tirânico e Maléfico, por razões didáticas e por considerar que todos três comumente se manifestam numa mesma pessoa.

Os Psicopatas Malévolos são particularmente vingativos e hostis. Seus impulsos são descarregados num desafio maligno e destrutivo da vida social convencional. Eles têm algo de paranóicos na medida em que desconfiam exageradamente dos outros e, antecipando traições e castigos, exercem uma crueldade fria e um intenso desejo de vingança.

Além de esses psicopatas repudiarem emoções ternas, há neles uma profunda suspeita de que os bons sentimentos dos demais são sempre destinados a enganá-los. Adotam uma atitude de ressentimento e de propensão a buscar revanche em tudo, tendendo dirigir a todos seus impulsos vingativos. Alguns traços desses psicopatas se parecem com os sádicos e/ou paranóides, com características beligerantes, mordazes, rancorosos, viciosos, malignos, frios, brutais, truculentos e vingativos, fazendo, dessa forma, com que muitos deles se revelem assassinos e assassinos seriais.

Quando os Psicopatas Malévolos enfrentam à lei e sofrem sanções judiciais, ao invés de se corrigirem, aumentam ainda mais seu desejo de vingança. Quando se situam em alguma posição de poder, eles atuam brutalmente para confirmar sua imagem de força.

Irritados pelo freqüente repúdio social que despertam, esses Psicopatas Malévolos estão continuamente experimentando uma necessidade de retribuição agressiva, a qual pode, eventualmente, expressar-se abertamente em atentados coletivos ou atitudes anti-sociais (a luta sociedade versus eu). De qualquer forma, nunca demonstram a o mínimo sentimento de culpa ou arrependimentos por seus atos violentos. Ao invés disso, mostram uma arrogante depreciação pelos direitos dos outros.

É curioso o fato desses psicopatas serem capazes de dar uma explicação racional aos conceitos éticos, capazes de conhecerem a diferença entre o que é certo e errado, mas, não obstante, são incapazes de experimentar tais sentimentos.

A noção ética faz com que o Psicopata Malévolo defina melhor os limites de seus próprios interesses e não perca o controle de suas ações. Esse tipo de psicopata se encontra entre os mais ameaçantes e cruéis. Ele é invariavelmente destrutivo, sem misericórdia e desumano.

A noção de certo-errado faz com que esses psicopatas sejam oportunistas e dissimulem suas atitudes ao sabor das circunstâncias, ou seja, diante da autoridade jamais atuam sociopaticamente. Portanto, eles são seletivos na eleição de suas vítimas, identificando sujeitos mais vulneráveis a sua sociopatia ou que mais provavelmente se submetam aos seus caprichos. Mais que qualquer outro bandido, este psicopata desfruta prazer em proporcionar sofrimento e ver seus efeitos danosos em suas vítimas.

3 - O Psicopata Dissimulado: seu comportamento se caracteriza por um forte disfarce de amizade e sociabilidade. Apesar dessa agradável aparência, ele oculta falta de confiabilidade, tendências impulsivas e profundo ressentimento e mau humor para com os membros de sua família e pessoas próximas.

Na realidade, didaticamente poderíamos comparar o Psicopata Dissimulado como uma mistura bastante piorada dos transtornos Borderline e Histérico da Personalidade. Isso significa que ele pleiteia um estilo de vida socialmente teatral, com persistente busca de atenção e excitação, permeada por um comportamento muito sedutor.

Por essas características Millon já considerava o Psicopata Dissimulado como uma variante da Personalidade Histriônica, continuamente tentando satisfazer sua forte necessidade de atenção e aprovação. Essas características não estão presentes no Psicopata Carente de Princípios ou no Malévolo, os quais centram em sí mesmo sua preocupação e são indiferentes às atitudes e reações dos outros.

Esse subtipo dissimulado costuma exibir entusiasmo de curta duração pelas coisas da vida, comportamentos imaturos de contínua buscas de sensações. Seguindo as características básicas e comuns à todos os psicopatas, o dissimulado também tende a conspirar, mentir, a ter um enfoque astuto para com a vida social, a ser calculista, insincero e falso. Muito provavelmente ele não admite a existência de qualquer dificuldade pessoal ou familiar, e exibe um engenhoso sistema de negações. As dificuldades interpessoais são racionalizadas e a culpa é sempre projetada sobre terceiros.

A contundente falsidade é a característica principal deste subtipo. O Psicopata Dissimulado age com premeditação e falsidade em todas suas relações, fazendo tudo o que for necessário para obter exatamente o que querem dos outros. Por outro lado, em diferentemente do Psicopata Carente de Princípios ou do Psicopata Malévolo, parece desfrutar prazerosamente do jogo da sedução, obtendo excitação nas conquistas.

Mesmo aparentando intenções de proteger certas pessoas, o Psicopata Dissimulado é frio, calculista e falso, caracterizando mais ainda um estilo fortemente manipulador. Essa característica pode ser conseqüência da convicção íntima de que ninguém poderá amá-lo ou protegê-lo, a menos que consiga manipular a todos. Apesar de reconhecer que está manipulando seu entorno social, tenta convencer aos outros de que suas intenções são boas e que suas atitudes são, no mínimo, bem intencionadas.

Quando as pessoas com esse tipo de psicopatia são pressionadas ou confrontadas, sentem-se muito encabulados e suas reações oscilam entre a explosão agressiva e vingança calculista. A característica afabilidade dos Psicopatas Dissimulados é superficial e extremamente precária, estando sempre predispostos a depreciarem imediatamente a qualquer um que represente alguma ameaça à sua hegemonia, chegando mesmo a perderem o controle e explodirem em cólera.

4 - O Psicopata Ambicioso: perseguem avidamente seus engrandecimentos. Os Psicopatas Ambiciosos sentem que a vida não lhes tem dado tudo o que merecem, que têm sido privados de seus direitos ao amor, ao apoio, ou às gratificações materiais. Normalmente acham que os outros têm recebido mais que eles, e que nunca tiveram oportunidades de uma vida boa.

Portanto, estão motivados por um desejo de retribuição, de compensar-se pelo que tem sido despojado pelo destino. Através de atos de roubo ou destruição, se compensam a si mesmos pelo vazio de suas vidas, sem importar-lhes as violações que cometam à ordem social. Seus atos são racionalizados através da idéia de que nada fazem senão restaurar um equilíbrio alterado.

Para os Psicopatas Ambiciosos que estão somente ressentidos, mas que ainda têm controle minimamente crítico de seus atos, pequenas transgressões e algumas aquisições são suficientes para aplacar essas motivações. Mas para aqueles que têm estas características psicopáticas mais desenvolvidas, somente a usurpação de bens e coisas alheias podem satisfazê-los.

O prazer psicopático nos ambiciosos está baseado mais em tomar do que em ter. Como a fome que os animais experimentam em relação à presa, os Psicopatas Ambiciosos têm um enorme impulso para a rapinagem, e tratam os demais como se fossem peões num tabuleiro de xadrez de poder.

Além de terem pouca consideração pelos efeitos de sua conduta, sentindo pouca ou nenhuma culpa pelos efeitos de suas ações, como os demais psicopatas, os ambiciosos nunca chegam a sentir que tem adquirido o bastante para compensar suas privações. Independentemente de suas conquistas, permanecem sempre ciumentos e invejosos, agressivos e ambiciosos, exibindo todas vezes que podem, posses e consumo ostentoso.

A maioria deles é totalmente centrada em si mesmos, contribuindo isso para sua comum atitude libertina e em busca de sensações. Esses psicopatas nunca experimental um estado de completa satisfação, sentindo-se não realizados, vazios, desolados, independentemente do êxito que possam ter obtido. Insaciáveis, estão sempre convencidos de que serão sempre despojados de seus direitos e desejos.

Ainda que o subtipo ambicioso seja parecido, em alguns aspectos, ao Psicopata Carente de Princípios, ele exerce uma exploração mais ativa e sua motivação central é manifestada através da inveja e apropriação indevida das posses alheias. O Psicopata Ambicioso experimenta não só um sentimento profundo de vazio, senão também uma avidez poderosa de amor e reconhecimento que, segundo ele, não lhe ofereceram na infância.

5 - O Psicopata Explosivo: diferencia-se das outras variantes pela emergência súbita e imprevista de hostilidade. Estes psicopatas são caracterizados por fúria incontrolável e ataque a outros, furor este freqüentemente descarregado sobre membros da própria família. A explosão agressiva se precipita abruptamente, sem dar tempo de prevenir ou conter. Sentindo-se frustrados e ameaçados, estes Psicopatas Explosivos respondem de uma maneira volátil, daninha e mórbida, fascinando aos demais pela brusca forma com que os surpreende.

Desgostosos e frustrados na vida, estas pessoas perdem o controle e buscam vingança pelos alegados maus tratos a que foram precocemente submetidos. Em contraste com outros psicopatas, esses não se movem de maneira sutil e afável. Pelo contrário, seus ataques explodem incontrolavelmente, quase sempre, sem nenhuma provocação aparente. Esta qualidade de beligerância súbita, tanto quanto sua fúria desenfreada, distingue estes psicopatas dos outros subtipos. Muitos são hipersensíveis aos sentimentos de traição, a ponto de fantasiarem deslealdades o tempo todo.

Ballone GJ - Transtornos da Linhagem Sociopática



Transtornos do Comportamento na Infância e Adolescência

PAIS PRESENTES x PAIS AUSENTES

Quando a família é formada por pais temerosos, que se sentem incapacitados de agir e de conservarem a própria identidade no lar, é possível que um ou dois pais se tornem afetivamente ausentes (ausência parental), ineficientes e incapazes de desenvolver a real função parental, que além da manutenção, inclui a função de educar, dirigir e limitar fronteiras para os filhos. Neste caso os pais, muitas vezes, sentem-se incapazes de agir como indivíduos (seus gostos, escolhas, sonhos, etc.) quando os filhos começam a crescer. Isto pode trazer complicações ao desenvolvimento da criança, pois esta considera que eliminou a função dos pais e sente-se desorientada. É como se os pais, na dificuldade de preservar suas individualidades, deixassem os filhos no comando da família.

O trabalho do Psicoterapeuta é de ajudar os pais a funcionarem como Pais, quando há filhos que reinam em casa, correndo até risco de vida ou não permitindo seus Pais terem a própria identidade. Os Pais devem ser considerados como prioridade junto ao atendimento psicológico, porque os filhos não estão interessados na mudança. Quem está disposto a "suar" são os Pais, porque são eles que sofrem mais. E como ajudar a restituir a autoridade dos Pais de maneira que não haja mais dúvidas a este respeito? A tarefa do Psicoterapeuta será identificar, desenvolver e legitimar a autoridade dos pais, criando um método de pensamento que os ajudem a tomar decisões mais rápidas e precisas.

TEORIA FAMILIAR

Sobre a mãe: Na maioria das vezes, a mãe fica numa situação onde a margem de oxigenação é pequena, porque está constantemente sendo exigida e atacada. Depois do 1 º filho e após mais ou menos 10 anos de casada, a sua satisfação cai muito. Por isso, são elas que primeiro podem buscar ajuda psicoterapêutica, porque estão mais dispostas a pagar pela melhora.

Exemplo: A mãe pede para o filho fazer a lição de casa, ele faz muito barulho, chora, briga, etc. Ela pode continuar a lutar e consegue com muita dor de cabeça que o filho faça a lição de casa, mas com o tempo vai se cansando e deixa prá lá! Assim, o filho está educando a mãe para ceder e a mãe se condiciona a deixar prá lá para ter paz. Em muitos anos de trabalho educando a mãe, ele não volta mais atrás. Ele aumenta o barulho e a bagunça fica mais forte. O filho pára de perceber o grau da sua bagunça. Nesta história, se desenrolou uma cegueira seletiva = param de ver para se adaptarem ao processo (hábito ou vício). As mães precisam voltar a enxergar e acreditar que são capazes. Elas dizem: “– Qualquer coisa que eu fizer não vai dar resultado!". Como os pais, elas também se paralisam em termos de ação.

Sobre o pai - Seu papel é importante, porque em famílias que não têm pais a situação é ainda pior. E quanto mais distante o pai, maior a possibilidade de problemas com os filhos. Só que raramente ele busca ajuda, porque dentro da família ele tem mais folgas para interagir de forma prazerosa com seus filhos. No caso dos pais, eles têm mais preguiça ainda de brigar com o filho e deixam nas mãos das mães para fazerem esta parte chata de suas funções paternas. Aqui acontece uma quebra hierárquica, onde o pai funciona mais como amigão, tio legal, ou apenas o marido da mãe!

Sobre o filho - Depois de séculos na história, onde a função do pai era de autoritarismo e da mãe de seguir como os filhos este comando, as coisas mudaram de lugar. Mas não mudaram para melhor, porque se antes os filhos tinham muito medo dos pais, hoje os pais têm muito medo dos filhos. Talvez isto tenha acontecido junto com o movimento feminista e hippie, quando tabus foram derrubados e padrões modificados. Mas depois de séculos oprimidos, tanto filhos quanto mulheres saíram de um pólo e migraram para o pólo extremo, o que se tornou disfuncional da mesma forma. A questão não é a mulher trocar de lugar com o homem e filhos darem comando nos pais, para ser funcional e saudável é bom que haja uma hierarquia. O trabalho do Psicoterapeuta familiar é redistribuir papéis e funções de acordo com cada um nesta família.

O TRABALHO DO PSICOTERAPEUTA FAMILIAR

Quando os pais quando entram em contato com o psicoterapeuta, podem sentir que serão de alguma forma criticados. Se o psicoterapeuta os aceita e verdadeiramente se interessa pelo sofrimento destes pais, o diálogo pode mudar e se tornarem motivados. Aliança terapêutica: o Psicoterapeuta também precisa se interessar pelo medo paralisante dos pais (medo de ver o filho drogado, suicida, assassino, etc). O Psicoterapeuta precisa ajudar aos pais expressarem esses medos. Como profissionais, não podemos minimizar ou desqualificar seus medos e angústias. Os medos sendo declarados, aí então começaremos a enfrentá-los (em equipe).

Fala do Psicoterapeuta com os Pais

"Preciso de vocês e isto é prioridade nos primeiros 3 meses. No início do tratamento vai ser necessário disponibilidade, tempo e vontade, senão não vale a pena começar. Preciso do compromisso de vocês, com propostas aceitas ou não por vocês. Isto agora na vida de vocês é prioritário! Vocês largariam tudo e dariam prioridade a isso?". Com a confirmação dos pais de que estão dispostos a se comprometer, começa-se o plano de ação. Sem isso, é quase impossível que a Psicoterapia dê certo. Observação: De acordo com o caso, para o Psicoterapeuta aceitar fazer um trabalho, ele também precisa estar disponível, como por exemplo: atender mais vezes por semana, dar seu número de telefone para emergências, atender em casa, hospital, etc.

Apontar para os pais onde estão as disfunções parentais

Filhos percebem que na família não existe presença parental. Eles experimentam as fronteiras e limites e percebem que "não há ninguém em casa!" Onde não existe presença parental é lá que vamos criar.

Filhos suicidas: se sentem sozinhos, sem apoio, sem ninguém, porque os pais não estão lá com eles (emocionalmente e até fisicamente). Se sentem desqualificados e abandonados. Com jeito, o Psicoterapeuta vai estar lá, e "convida" aos pais a participarem mais. O Cliente (filho) vai se irritar no início, mas estamos lá. Isto auxilia a diminuir o desespero e a solidão. É importante mostrar aos pais a importância da presença parental - estarem com seus filhos. Os pais devem estar lá: onde o filho vai, onde ele está (nas drogas, na marginalidade, sozinhos, etc).

Significado da presença parental no campo da ação

Crianças - É o ato de pegar uma criança e segurá-la quando ela está tendo uma "birra", por exemplo. Um "abraço de urso" pode representar muito para a criança. É uma manifestação de presença física: “ – Estou aqui, te seguro, te protejo de você mesma!” Adolescentes - No caso de filhos adolescentes, a presença parental pode estar mais ligada ao território. São eles quem mandam e governam o quarto e outros lugares que freqüentam. Eles têm controle absoluto do seu quarto (ninguém pode mexer lá), mas têm direito de mexer em outros "territórios". Isso acontece com todos os adolescentes e são os primórdios para ele se tornar também um ser humano territorial (ter território garantido). Quando o adolescente toma conta de todos os territórios (guarda-roupa da mãe, carro do pai, bagunça todos os lugares da casa, etc.), os Pais entram com a presença física contestando o território, seja verbalizando, segurando o adolescente (com abraço forte). Os Pais têm que estar lá, questionando os lugares, marcando a presença e o domínio, conhecendo os lugares que os filhos freqüentam (em alguns casos como bons detetives, indo atrás, pegando uma rede de auxílio, etc).

Existem intervenções que só funcionam devido ao tempo que os Pais perseveram. Exemplo: Os Pais tiram 02 horas para reunir com os filhos. Enquanto não se posicionarem e colocarem o que fizeram de certo e errado, sucessos e fracassos não vão dormir (Pais e Filhos). O tempo então é um fator de presença parental. Exemplo: _ O Pai está trabalhando e se lembra do Filho e liga para saber se ele fez tal e tal coisa. Ele marca presença na vida do Filho. É como se os Pais dissessem: _ Somos seus Pais 100% . Estamos com vocês!

O Psicoterapeuta precisar mostrar aos Pais que o objetivo nunca é uma luta contra os filhos e que o objetivo seria sua rendição. Na verdade, a intenção é fazer uma abertura para negociação (diálogo, acordos).

Filhos adultos - Quando as questões lá para trás já se estabeleceram de forma confusa e os filhos se tornam adultos, tendem a continuar tratando os Pais como "trouxas" e "frouxos". Os filhos dão o comando de tudo e desqualificam emocionalmente os pais, além de tomarem conta de todo o território físico deles. O Psicoterapeuta auxilia estes pais que estabeleceram relações com quebra hierárquica ou até mesmo, fazendo uma manutenção de Psicoterapias anteriores, não deixando que os Pais fiquem no lugar "trouxas" e nem que fiquem desejosos de influenciar a vida do filho adulto. A fala dos pais pode ser mais ou menos a seguinte: "– Eu gostaria de te influenciar, mas renuncio a isto. Porém, também não vou deixa você me explorar, magoar, invadir, etc." Família uniparental - No caso de uma família em que um dos pais cria sozinho os filhos. Exemplo: Uma Mãe sozinha com um Filho adolescente. É pouco provável que sozinha ela não tenha condições de estabelecer as duas funções (maternas e paternas). A questão imediata é: “– Quem é que vai apoiá-la?” Se não houver ninguém mais, será o Psicoterapeuta. Ele será a fonte de apoio para a Mãe. Num caso mais greve, como por exemplo, o envolvimento deste Adolescente com drogas, o Psicoterapeuta não permitirá à Mãe enfrentar o Filho sozinha. É orientada a solicitar ajuda aos tios, irmãos, amigos, fazendo uma rede de ajuda mútua. Pessoas vão passar tempo com este Adolescente, sabendo onde ele está, com quem, etc. As sessões podem ser realizadas com todos os membros desta "família artificial", e na verdade é uma rede de proteção para o adolescente, que o ajuda perder esta sensação de solidão, isolamento, abandono.

Desacordo entre o casal de Pais - O casal pode estar tanto em desacordo afetivo, quanto em desacordo na criação dos filhos, que chegam a um ponto que não se interagem. Neste caso, o trabalho do Psicoterapeuta pode ser focado na comunicação. Exemplo: O Psicoterapeuta orienta o Casal de Pais: “– Vocês têm um problema simétrico. Ambos nutrem desejos totalmente aceitáveis, humanos e positivos em relação a seus filhos. Você Mãe tem tal e tal desejo e você Pai, tem tal e tal desejo. Ou seja, têm desejos completamente opostos! A idéia aqui é ajudar a vocês serem Pais diferentes, mas não mutuamente cancelatórios, sem se anularem.”

Fonte: Seminário Presença e Ausência Parental - Haim Omer - Setembro de 1999

Jaqueline Cássia de Oliveira
Psicóloga
CRP 04/7521
Especialista em Terapia Familiar Sistêmica; coordena cursos de formação e grupos de supervisão a novos Terapeutas Sistêmicos; Realiza atendimento individual, casal e família dentro da abordagem sistêmica.



Transtornos do Desenvolvimento Psicológico

Desenvolvimento Emocional Segundo a Psicologia Corporal

Espaço Wilhelm Reich Alagoas / São Paulo
Psicologia e Psicopedagogia
Considerações sobre o desenvolvimento emocional segundo a Psicologia Corporal

Introdução
A história de uma pessoa não começa no momento do seu nascimento, mas sim desde sua concepção, em seus genes e células. É claro que essa história também vai sendo construída de acordo com as experiências adquiridas ao longo da vida. É fundamental, portanto, o cuidado com a criança desde o útero até a formação total de seu caráter, o que ocorre no início da adolescência.
Quanto mais energeticamente e emocionalmente livres forem os pais, mais facilmente entenderão a linguagem corporal dos filhos, e mais tranqüilamente se darão os cuidados que levarão a um desenvolvimento emocional completo e saudável da criança.

Etapas do desenvolvimento emocional segundo a Orgonomia *
Para a Orgonomia, o homem é a expressão de uma energia chamada orgone, que se forma no indivíduo desde sua concepção e que, num movimento de pulsação constante se soma a outras energias. Em cada etapa do desenvolvimento emocional são incorporadas à memória celular do indivíduo as experiências vivenciadas por ele nesta fase, e que, ao final dessas etapas formarão o seu caráter, ou seja, suas atitudes e formas de reagir às situações impostas pelo mundo. Os acontecimentos que ocorrem durante essas etapas, principalmente os da primeira infância quando ainda não temos condições de nos defender, como stress, privações e frustrações desnecessárias, causam ao caráter marcas e bloqueios profundos e às vezes até irreversíveis, com fixação da energia na fase do desenvolvimento em que ocorreram.

1ª etapa – Sustentação
Inicia-se com a fecundação e vai até o nascimento.
O útero, por ser o primeiro ambiente da criança, deve ser acolhedor, nutrindo e sustentando o bebê, não apenas fisiologicamente, mas também emocional e energeticamente. Atualmente sabe-se que o feto reage a estímulos sensoriais e que é capaz de sentir aquilo que sua mãe sente. Stress, angústia ou outro tipo de sentimento negativo sentido pela mãe, além do uso de drogas e álcool, pode alterar todo o processo, causando danos sérios e impedindo o desenvolvimento físico, energético e emocional normal a esta fase.

2ª etapa - Incorporação
Inicia-se com o nascimento e vai até a fase de desmame.
Nesta etapa o bebê introjeta o mundo externo, desde o leite materno e o seio de sua mãe, até seus cuidados, seu carinho, seu olhar, seu cheiro e até sua pele. É importante, nessa fase, alimentar o bebê de acordo com suas próprias necessidades, demonstradas principalmente através do choro, e não de acordo com o que a mãe acha correto. Impor limites nessa fase pode prejudicar o desenvolvimento energético e emocional normal do bebê.
Quase ao final dessa etapa, já próximo ao desmame, a criança começa a perceber que ela e a mãe não são uma só pessoa, e se inicia aí, gradativamente, a exploração do ambiente externo e das outras pessoas que estão a sua volta.

3ª etapa - Produção
Inicia-se com o desmame e vai aproximadamente até o final do 3º ano de vida.
Toda a energia da criança nessa fase está voltada para a produção e construção de pensamentos, brincadeiras, jogos e para o relacionamento com o ambiente e com as pessoas, reforçando suas recém-conquistadas autoconsciência e autonomia, além da importância que ela dá a produção de fezes e urina. Assim, o controle dos esfíncteres não deve ocorrer antes que a criança esteja preparada, o que ocorre por volta dos 18 meses de idade.
Nessa etapa deve-se iniciar a colocação de limites e a imposição do “não”, mas sempre de forma a não puni-la ou frustrá-la desnecessariamente, não tolhendo a sua liberdade ou espontaneidade. Limites e frustrações em excesso ou de forma inadequada nessa etapa, podem causar danos irreparáveis ao caráter em formação.
É também nessa fase que a criança começa a imitar, principalmente os pais, em busca de modelos.

4ª etapa – Identificação
Inicia-se aos 4 anos e vai até os 5 ou 6 anos de idade.
Nessa etapa a criança desenvolve várias conquistas pessoais importantes para seu desenvolvimento: sai da individualidade e do egocentrismo para o compartilhar e para a socialização; desenvolve a capacidade de simbolização e também de classificação; inicia o aprendizado de disciplina e organização e começa a entender e incorporar os conceitos de “certo” e “errado”.
Importante também nessa fase é o desenvolvimento do auto-conceito, sendo capaz de distinguir as diferenças entre os sexos, identificando a qual deles pertence. Surge a curiosidade sexual e a masturbação, que devem ser tratadas com naturalidade e sem punições.

5ª etapa – Formação do caráter
 Inicia-se aos 5 ou 6 anos e se estende até a puberdade.
É a fase em que se inicia a escolarização e a alfabetização propriamente ditas. A atitude dos pais e educadores nessa etapa é que vai determinar a forma da criança lidar com o aprendizado em diferentes situações e por toda a sua vida, sentindo o mesmo como um prazer ou uma obrigação.
A flexibilidade e a criatividade para lidar com diferentes problemas também aparecem nessa fase, e um ambiente desafiador e interessante facilita o desenvolvimento dessas habilidades.                                                  
É durante esse período que devem ser dadas às crianças noções de responsabilidade para que possam, aos poucos, se tornar mais independentes dos pais.
A auto-estima também se desenvolve nesse período, quando a criança passa a ter consciência de seu valor para si mesma e para os outros. Distorções na imagem que a criança faz de si podem prejudicar, e muito, a formação de seu caráter.
Nessa etapa final do desenvolvimento emocional é que se completa a formação básica da estrutura de caráter de uma pessoa.

* classificação baseada em VOLPI e VOLPI (2002)

Para encerrar, uma mensagem aos pais e educadores: A mente pode esquecer, mas o corpo nunca esquece o que sentiu. Reflitam!
 

REICH, W. Criança do futuro. Tradução de Eleusa Maria Passos Tenório. Maceió: Associação Alagoana de Orgonomia,  2003.
Análise do caráter. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1995.
VOLPI, J.H. e VOLPI, S.M. Crescer é uma aventura! Desenvolvimento emocional segundo a psicologia corporal. Curitiba: Centro Reichiano, 2002.

Lílian Lúcia de Oliveira
Psicóloga
CRP 15/2448
Atua em psicoterapia reichiana, atendimento a crianças, adolescentes, adultos e idosos, individual ou em grupos.
Maceió/AL

Obs: pertenço ao Espaço Wilhelm Reich, com sedes em São Paulo e Alagoas.



Transtornos Ligados à Sexualidade

Opção Sexual ou Orientação Sexual?

Quando uma criança nasce, sua identidade sexual será reconhecida pelos caracteres sexuais primários. Se essa criança irá confirmar ou não sua identidade sexual, dependerá da complementação de caracteres secundários que são os testículos nos meninos e ovário nas meninas e também de um processo mais complexo – o sexo psicológico – que se desenvolverá com o passar dos anos. Se no sentido fisiológico, as pessoas podem ter sua identidade sexual definida a partir da presença de órgãos sexuais característicos de cada gênero, o mesmo não ocorre com o sexo psicológico. Pensando nisso, a sexualidade se apresenta numa escala variante que vai desde um comportamento extremamente feminino numa mulher, passando por mulheres pouco femininas, mulheres masculinizadas até homossexuais femininas; da mesma forma podemos encontrar homens pouco masculinos, homens feminilizados e homossexuais masculinos.

O termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Mas por quê ? Estudos recentes realizados dentro da sexualidade mostram que ainda na infância, a tendência sexual começa a se desenhar – motivo este o termo opção sexual é inadequado, uma vez que a tendência sexual começa a se manifestar mais ou menos aos sete anos de idade. Neste período a criança ainda não possui uma capacidade avaliativa e que possamos chamar de “escolha”. O que geralmente ocorre é que a criança nesta idade tenta reunir-se às crianças do sexo que irão se identificar psicologicamente e se este não estiver de acordo com a fisiologia, ela tende a ser discriminada pelas outras crianças.

Um estudo sueco traz novos elementos para a discussão a respeito da base biológica da orientação sexual. A neurologista Ivanka Savic em Estocolmo observou que em resposta a um hormônio masculino, o cérebro de mulheres heterossexuais e de homens homossexuais responde de forma similar e da mesma forma há semelhanças na ativação de regiões cerebrais de homens heteros e mulheres homossexuais em resposta a um hormônio feminino.

Mas afinal o que é orientação sexual ? Ela indica o gênero (masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. Essa orientação pode ser: assexual, bissexual, heterossexual, homossexual ou pansexual. A orientação sexual não-heterossual foi removida da lista de doenças mentais nos Estados Unidos em 1973 e do CID (Classificação Internacional de Doenças) em 1993.

A assexualidade é a orientação sexual caracterizada pela indiferença à prática sexual, isto é, a pessoa assexual não sente atração nem pelo sexo oposto e nem pelo mesmo sexo que o seu. A assexualidade pode ser classificada como uma disfunção e não uma orientação sexual. Existe um desacordo a respeito se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Algumas pessoas argumentam que seria um distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais e desenvolvimento tardio de atração. Muitas pessoas ditas assexuais negam tais diagnósticos e argumentam que como a assexualidade não traz angústia, não deveria ser classificada como um distúrbio.

A bissexualidade se trata da atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual. Portanto, bissexual sente atração por ambos os sexos, servindo, portanto de um quase meio-termo entre o hetero e o homossexual. Uma equipe de psicólogos de Toronto e Chicago realizaram estudos que serve de apoio para aqueles que se declaram céticos sobre o fato da bissexualidade ser um tipo de orientação distinta e estável. Eles mediram diretamente os padrões de resposta a estímulos a imagens de homens e mulheres. Os homens que se diziam bissexuais mostraram-se muito mais sexualmente excitados diante de outros homens. As pessoas que afirmam ser bissexuais são geralmente homossexuais, mas são ambivalentes sobre sua homossexualidade.

Heterossexualidade refere-se à atração sexual e/ou romântica entre pessoas de sexos opostos, e é considerada a mais comum orientação sexual nos seres humanos. A heterossexualidade tem sido identificada como “a normal” ou “natural”, decorrendo diretamente da função biológica relacionada com o instinto reprodutor sendo tudo o resto “anormal” ou “anti-natura”.

Homossexualidade é o atributo, a característica ou a qualidade daquele ser que é homossexual e define-se por atração física, emocional e estética entre seres do mesmo sexo com eventual inversão de papéis de gênero (homens e mulheres). Como surgiu o termo homossexual ? Foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista Karl-Maria Kertbeny, derivando do grego homos que significa “semelhante”. Em 1870, um texto de Westphal chamado “As sensações sexuais contrárias” definiu a homossexualidade em termos psiquiátricos como um desvio sexual, uma inversão do masculino e do feminino. A partir de então, no ramo da sexologia, a homossexualidade foi descrita como uma das formas emblemáticas da degeneração. Experiências em laboratórios com ratos fêmeas e com seres humanos que receberam testosterona (hormônio sexual masculino) ainda em fase uterina, resultou que desde a primeira fase da vida, mostravam comportamento masculinos como gostos, brincadeiras mais agressivas além de sentirem-se mais atraídas por fêmeas. Geneticistas defendem a tese de que a homossexualidade tem determinação genética. Glenn Wilson e Quazi Rahman, investigadores na área da psicologia, concluem que há diferenças biológicas entre pessoas homossexuais e heterossexuais, e que estas não podem ser ignoradas. Alegam também que alguns fetos do sexo masculino com pré disposição genética para a homossexualidade são incapazes de absorver corretamente a testosterona no seu processo de desenvolvimento, de modo que os circuitos neurocerebrais responsáveis pela atração pelo sexo oposto, ou nunca se desenvolveram ou o fazem de forma deficiente. Quanto à homossexualidade feminina, esses investigadores avançam com a hipótese de haver uma proteína no útero responsável pela atração dos fetos femininos contra a exposição excessiva a hormônios masculinos que não atuam suficientemente cedo no processo de desenvolvimento.

Psicólogos e psicanalistas estão contrários a argumentações apenas biogenéticas sobre as causas da homossexualidade e consideram a percepção desta orientação sexual como um traço “apenas” geneticamente determinado incorreta, buscando antes explicações associadas ao meio e à educação dos indivíduos homossexuais. Psicólogos norte americanos desenvolveram pesquisas sobre a importância da formação intra familiar no homossexual.

Pansexualidade é a orientação sexual, distinta da bissexualidade e caracterizada por atração estética, amor romântico e o desejo sexual por qualquer um, incluindo pessoas que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea implicado pela atração bissexual. Algumas vezes é descrito como a capacidade de amar uma pessoa de forma romântica, independente do gênero. Alguns pansexuais chegam a afirmar que o gênero e sexo não tem importância para eles. Algumas pessoas trans e intersexuais se descrevem como pansexuais, tendo uma percepção íntima que existem muitos níveis entre o masculino e o feminino. Contudo isso não deve ser visto como generalização, já que as pessoas trans podem se identificar como heteros, bissexuais ou homos baseado em sua identidade de gênero.

Existem três termos: travesti transexual e transgênero que as pesquisas e estudos realizados dentro da sexualidade ainda não têm uma classificação definitiva.

Travesti era originalmente alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para se apresentarem em eventos de fundo artísticos. Mas, essa prática passou a designar o comportamento das drgg queens e transformistas. Esse termo atualmente se refere às pessoas que apresentam sua identidade de gênero oposta ao sexo designado no nascimento, mas que não almeja se submeter à cirurgia de resignação sexual que nada mais é do que a mudança de sexo. As pessoas que se definem travestis podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.

Transexual é uma pessoa que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado, mas o que difere do travesti é que o transexual tanto homem quanto mulher, fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo designado no nascimento com o sexo oposto. A explicação estereotipada é de uma mulher presa em um corpo masculino ou vice versa. Transexualidade é um termo entre os comportamentos ou estados que abrigam o termo transgênero. Entretanto muitas pessoas da comunidade transexual não se identificam como transgênero que refere-se a pessoas cuja expressão de gênero não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado para elas no nascimento. Mais recentemente o termo tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa “além de”, “através de”.

Não existe cientificamente nada que prove quais são as causas da transexualidade. Todavia, muitas teorias sugerem que as causas têm suas raízes na biologia e outros acreditam que as origens são predominantemente psicológicas. Dentre as causas psicológicas temos mães superprotetoras e pais ausentes, pais que almejavam uma criança do sexo oposto e homossexualidade reprimida.

Em termos de individualidade ou essência, qualquer ser humano possui o gênero masculino e o gênero feminino dentro de si. No campo da sexualidade, temos muito ainda que pesquisar e estudar e definir realmente o que está por trás desses desejos sexuais e principalmente da “variedade” de orientações sexuais. Mas até lá o importante é que, qualquer que seja a orientação sexual dessas pessoas, como qualquer outro ser humano, elas merecem compreensão e são muito mais que um rótulo e que podem e devem ter uma vida comum como todos nós.

Ana Luiza Ferraz
Psicóloga atuante na Clínica
CRP/SP 68640
São Paulo/SP



Transtornos Ligados ao Uso de Substâncias

DESCRIÇÃO E AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE ATENDIMENTO AOS FAMILIARES

DESCRIPTION AND EVALUATION OF THE FAMILY ASSISTANCE PROGRAM

Susie S. Araújo, Patrícia V. Vaquero, Neide A. Zanelatto

UNIAD – Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas – UNIFESP

 

Resumo:

Entende-se por família todas as pessoas, que residindo sob um mesmo teto, interajam intimamente. Outros familiares, não pertencendo à família nuclear podem ser incluídos, uma vez que tenham papel importante na dinâmica familiar. A família passa por um período de crise, quando se depara com a questão da dependência de substâncias em seu meio, e necessita de suporte para o enfrentamento desta crise. Estudos ainda ressaltam que o tratamento das famílias, pode facilitar a aderência do familiar dependente ao tratamento. O Treinamento de Habilidades Sociais aplicado a grupos de família, permite que através da modelagem de comportamento, o familiar dependente se aproxime de sua família, sentindo-se acolhido e tendo infra-estrutura para o entendimento do problema da dependência.

Este trabalho objetiva descrever a experiência com grupos de família no ambulatório da Maconha da UNIAD, no período de 2003 a 2005 (57 participantes). Os dados utilizados foram coletados através de questionários de avaliação aplicados ao final do tratamento.

Esses dados revelam que manejar a raiva e falar sobre sentimentos são habilidades nas quais os participantes têm maior dificuldade. A participação feminina (mães) é superior à participação masculina, inclusive quanto à freqüência às sessões. A procura é considerável, mas a adesão cai quando o tratamento começa.

Palavras-chave: família, dependência, maconha

Abstract:

The concept of family comprehends all people who live together and interact intimately. Other members of the family, even not belonging to the nuclear family, are also included in the concept since they have an important role in the family dynamics. The family goes through a period of crisis when it becomes aware of the existence of addiction amidst its members, and needs support in order to cope with such crisis. Studies show that family treatment makes it easier for the addicted member to adhere to treatment. The Social Skills Training applied to family groups provides that, through behaviour modelling, the addicted member gets closer to his or her family, feels welcome and has infrastructure to understand the addiction problem.

This study aims at describing the experience with family groups at the Marijuana Clinic of UNIAD, during the period 2003-2005 (57 attendees). The information gathered was obtained through evaluation questionnaires filled in at the end of the treatment.

Such data reveal that handling anger and speaking about feelings are skills which present the highest level of difficulty for the attendees. Female attendance (mothers) is superior to male one, also with respect to frequency to the sessions. A considerable number of people search for the treatment but the adherence drops after the treatment starts.

Key-words: family, addiction, cannabis

Patricia de Vasconcellos Vaquero
Psicóloga atuante na clínica, especialista em dependência quimica
CRP/SP 71039
São Paulo/SP

Estudo do abandono precoce no tratamento para fumantes

Moutinho M, Vaquero PV, Marques ACPR, Santos VS
Departamento de Psiquiatria da UNIFESP
UNIAD - TRATFUMO

INTRODUÇÃO
A dependência de nicotina é considerada a maior causa isolada de morte evitável no mundo. No Brasil, um quarto da população adulta é O índice de abandono no tratamento de dependentes de álcool e outras drogas é semelhante aquele de outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial. 1 Alguns fatores influenciam o abandono como a gravidade da dependência e o estágio motivacional; a idade e a expectativa deste quanto ao método; a recaída, a postura do terapeuta e o tipo de intervenção 2 . Aproximadamente 50% dos pacientes abandonam o tratamento antes de receber alta. 3 Quanto mais precoce o abandono, pior o prognóstico do paciente. 4

OBJETIVO
Estudar o abandono precoce no tratamento dos fumantes.

MÉTODOS
Os pacientes elegíveis realizam a desintoxicação com o médico por 3 sessões. A seguir, é encaminhado ao grupo terapêutico por 4 sessões. Se os pacientes não comparecem à segunda consulta médica, sem qualquer aviso, são considerados aqueles que abandonaram precocemente. Nestes aplicou-se uma entrevista com oito perguntas, para estudar as causas do abandono.

Questionário:

Dados do paciente, número de telefonemas efetuados, número de sessões que o mesmo compareceu, médico que o atendeu, gravidade da dependência.

1) Qual a fase do tratamento que o paciente abandonou?
a) não veio a nenhuma consulta (só respondeu ao QPS)
b) após a primeira consulta com o médico
c) na desintoxicação
d) no grupo

2) Gostaria de tentar tratar-se novamente?
a) não
b) sim

3) Iniciou outro tratamento?
a) não
b) sim

4) Onde?
a) AA ou TA
b) Psicoterapia
c) Psiquiátrico
d) Com medicação
e) Religioso
f) Internação longa
g) Internação curta
h) Atendimento de emergência
i) Outros

5) Qual o motivo do abandono?
a) Horário do ambulatório
b) Distância
c) Problemas financeiros
d) Formato do tratamento
e) Não gostou do profissional
f) Mudou recentemente o estilo de vida
g) Catástrofe recente
h) Não está mais motivado
i) Só veio porque foi obrigado
j) Recaída
k) Mais de um
l) Outros

6) Qual era o seu grau de confiança quando iniciou o tratamento?
a) Nenhuma
b) Baixa
c) Moderada
d) Alta

7) O que você menos gostou?
a) Nada
b) Informações sobre os efeitos do tabaco
c) Estabelecimento de metas
d) Detecção de situações de risco
e) Planejamento de estratégias
f) Monitorização
g) Participação do terapeuta
h) Participação da instituição como um todo
i) Avaliação inicial do médico
j) Outros

8) Qual a sugestão para melhorar o programa?

RESULTADOS
Dos 110 homens elegíveis, a idade média foi de 42± 8; 65% estavam empregados e 100% estava disponível para iniciar.

DISCUSSÃO
Os principais motivos para o abandono precoce são a recaída, a falta de motivação, a falta de apoio familiar, a falta de perspectivas profissionais 2 . Ao contrário, neste estudo observou-se que a maior parte dos pacientes estava empregado e a dificuldade em conciliar o horário e a distância do ambulatório, juntos foram as causas mais importantes. A falta de motivação e a recaída também aparecem como causas importantes. Estudos sugerem que mesmo fornecendo o adesivo, o abandono ocorre e é maior em pacientes com nível sócio- econômico mais baixo (dificuldades em chegar as consultas e auto-eficácia, não entendiam o funcionamento do adesivo), mulheres (ganho de peso, flutuações hormonais e depressão). 5,7 E é menor em grupos cujas intervenções comportamentais são mais intensas e freqüentes. 5 A motivação e conflitos com a equipe (privacidade) são mais relatados em relação à gravidade dos sintomas e dificuldades em comparecer as consultas quando se analisa o tratamento do álcool e outras drogas conjuntamente. 6 As seguintes características são associadas à maior probabilidade de parar de fumar: maior nível educacional, raça branca, estar empregado, alto nível de auto-eficácia, baixo nível de depressão, baixo nível de preocupação com o peso, baixo nível de dependência de nicotina e aumento da duração e números de tentativas prévias. 7 Pacientes que fazem tratamentos mais longos apresentam um melhor prognóstico. 8 Novos estudos devem ser realizados pois na literatura se dá uma importância desproporcional à aderência ligada à farmacoterapia em face às questões práticas como: locomoção e horário das consultas.

CONCLUSÃO
Estudar as causas do abandono é muito importante, pois sabe-se que a adesão influencia o sucesso do tratamento. A ampliação dos horários do ambulatório, assim como a obtenção da terapêutica de primeira linha devem ser considerados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 O' BRIEN CP,CHILDRESS AR, MC LEILLAN AT, EHRMAN R (1992) – Classical conditioning in drug- dependent humans ANN. New York Acad. Sci. 654, 400- 415. 2 MARQUES ACRP, BUSCATTI D, FORMIGONI MLOS O abandono no tratamento da dependência de álcool e outras drogas: como diminuir este fenômeno? (2001) – Jornal Brasileiro de Dependência Química. 3 STARK MJ Dropping out of substance abuse treatment: a clinically oriented REVIEW. Clin Psychol REV 1992; 12:93 – 116. 4 BAEKLAND F, LUNDWALL L Dropping out of treatment: a critical review. Psychology Bulletin 1975; 82:738 – 83. 5 COOPER TV,DEBON MW, STOCKTON M, KLESGOS RC, STEEBERG TA, MITTLEMAN DS, JENNINGS LC, JOHNSON KC Correlates of adherence with transdermical nicotine Add. Behaviors 29 (2004) 1565 – 1578. 6 BALL AS, CARROLL KM, BALL MC, ROUSAVILLE BJReasons for dropout from drug abuse treatment: symptoms, personality and motivation Adol. Behaviors 31 (2006) 320 – 330. 7 BORRELI B, HOGAN JW, PINTO B, BOCK B, ROBERTS M, MARCUS B Predictors of quitting and drop out among women in a clinic – Based Smoking Cessation Program. Psychology of Add. Behaviours 2002. 16: 22- 27. 8 SURJAN J, LARANJEIRA R O que acontece com os pacientes dependentes de álcool e drogas que desaparecem das primeiras consultas? Departamento de Psiquiatria – Unifesp 2000. PINSKY I, SILVA EA, MARQUES ACPR, FORMIGONI MLOS (1995) Abandono de tratamento por dependentes de álcool e drogas: um estudo qualitativo dos motivos. Revista da ABP-APAL.,17(4)150 -154. MARQUES ACPR (1995) Abandono de tratamento por dependentes químicos: Um estudo qualitativo dos motivos (1995) Jornal Brasileiro de Dependência Química.

Patricia de Vasconcellos Vaquero
Psicóloga atuante na clínica, especialista em dependência quimica
CRP/SP 71039
São Paulo/SP



Transtornos Neuróticos, Estresse ou Somatoformes

Sintomas do Estresse

Quando as modificações fisiológicas necessárias à adaptação são eficientemente produzidas pela Ansiedade estamos diante da Ansiedade Normal. É o caso, por exemplo, das respostas diante de uma situação nova; o bebê que chora diante da fome deixando clara a vontade de comer, o adolescente em estado de alerta diante da prova do vestibular, o adulto muito atento ao trânsito.

Por outro lado, falamos da Ansiedade Patológica, como uma forma de resposta inadequada, em intensidade e duração, à solicitações de adaptação; o bebê que chora ao ponto de perder o fôlego diante da fome, o adolescente em estado de esquecimento total diante da prova do vestibular, o adulto hipertenso e com arritmia cardíaca no trânsito.

Biologicamente a Ansiedade está relacionada à alguns sitemas neuroquímicos, chamados de sistema noradrenérgico, gabaérgico e serotoninérgico, situados no lombo frontal e no sistema límbico no Sistema Nervoso Central.

As pessoas naturalmente ansiosas tendem a ter um tônus simpático aumentado, respondem emocionalmente de forma excessiva aos estímulos ambientais e demoram a adaptar-se às alterações do sistema nervoso autônomo.

Segundo Kaplan, a Ansiedade tem uma ocorrência duas vezes maior no sexo feminino e se estima que até 5% da população geral tenha algum tipo de Transtorno de Ansiedade. Sendo a Ansiedade uma grande mobilizadora do Sistema Nervoso Autônomo, nestes tipos de transtornos encontramos, sobretudo, uma rica sintomatologia física.

Esta é uma razão mais que suficiente para que tais pacientes freqüentemente percorram um exaustivo itinerário médico. Sobre a sintomatologia geral da Ansiedade, comumente se observa pelo menos SEIS dos 18 sintomas seguintes:

01 - tremores ou sensação de fraqueza
02 - tensão ou dor muscular
03 - inquietação
04 - fadiga fácil
05 - falta de ar ou sensação de fôlego curto
06 - palpitações
07 - sudorese, mãos frias e úmidas
08 - boca seca
09 - vertigens e tonturas
10 - náuseas e diarréia
11 - rubor ou calafrios
12 - polaciuria
13 - bolo na garganta
14 - impaciência
15 - resposta exagerada à surpresa
16 - pouca concentração ou memória prejudicada
17 - dificuldade em conciliar e manter o sono
18 – irritabilidade

Esses sintomas supra-listados são de natureza geral e inexpecífica, sujeitos a surgirem em todas as pessoas indistintamente. Trata-se de manifestações basicamente neuro-biológicas e consoantes ao desequilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo, quase emancipados do componente emocional individual de cada um. Tal quadro costuma estar relacionados ao Estresse crônico, tem um curso flutuante (vão e vêem) e tendência à cronificação.

Por outro lado, além das manifestações gerais e inexpecíficas da Ansiedade, podemos ter uma repercussão individual, pessoal e de acordo com as predisposições de personalidade. Aí surgem então os quadros e sintomas psíquicos da Ansiedade Patológica.

Sintomas Psíquicos do Estresse
(Ansiedade Patológica)

É ampla a classificação dos transtornos emocionais decorrentes da Ansiedade Patológica, entretanto, reportaremos aqui apenas os quadros emocionais mais freqüentes e de maior importância clínica. Na Classificação Internacional de Doenças (CID.10) esses problemas aparecem no capítulo intitulado Transtornos Relacionados ao Estresse e Somatoformes. Aí estão incluídos a Síndrome do Pânico, os Transtornos Fóbicos, sendo atualmente o mais importante deles a Fobia Social e os Transtornos Somatoformes, ou seja, aqueles quadros onde há um componente físico principal decorrente de fatores emocionais.

Tendo em vista o propósito absolutamente sintético desse trabalho, descreveremos resumidamente apenas alguns quadros do vasto capítulo dos Transtornos Relacionados ao Estresse e Somatoformes.

Síndrome do Pânico

Uma das manifestações psico-emocionais do Estresse pode ser a Doença ou Síndrome do Pânico, que é um quadro de Ansiedade Patológica caracterizado por crises ou ataques recorrentes de pânico e normalmente indicam a existência de motivos intrapsíquicos importantes geradores de grande Ansiedade. Os ataques de pânico se caracterizam por crises de medo agudo e intenso, extremo desconforto, sintomas vegetativos associados e grande preocupação sobre a possibilidade de morte iminente e/ou de passar mal, e/ou de perder o controle.

Essas crises de ansiedade da Síndrome do Pânico duram minutos e costumam ser inesperadas, ou seja, não seguem situações especiais, podendo surpreender o paciente em ocasiões variadas. Não obstante, existem alguns pacientes que desenvolvem o episódio de pânico diante de determinadas situações pré-conhecidas, como por exemplo, dirigindo automóveis, diante de grande multidão, dentro de bancos, etc. Neste caso dizemos que o quadro é de Agorafobia com Transtorno do Pânico.

As classificações internacionais enfatizam que, muito freqüentemente, um Transtorno Depressivo coexiste com o Transtorno do Pânico. Nós, particularmente, achamos que a Síndrome do Pânico é, literalmente, uma forma atípica de doença depressiva. O sentimento de pânico é, em essência, uma grave sensação de insegurança e temor. Ora, quem mais, além dos deprimidos, podem sentir-se tão inseguros ao ponto de sentir a morte (ou o passar mal) iminente?

Depois do primeiro Ataque de Pânico, normalmente a pessoa experimenta importante ansiedade e medo de vir a apresentar um segundo episódio. É como se ficasse ansiosa diante da possibilidade de ficar ansiosa. Por causa disso os pacientes passam a evitar situações facilitadoras da crise, prejudicando-se socialmente e/ou ocupacionalmente em graus variados. São pessoas que deixam de dirigir, não entram em supermercados cheios, evitam aventurar-se pelas ruas desacompanhadas, não conseguem dormir, não entram em avião, não freqüentam shows, evitam edifícios altos, não utilizam elevadores e assim por diante.

A Síndrome do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos de idade, é igualmente prevalente entre homens e mulheres quando desacompanhado da Agorafobia, mas é duplamente mais freqüente em mulheres quando associado à este estado fóbico.

Segundo as principais classificações psiquiátricas, a característica essencial de um Ataque de Pânico é um período de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 dos 13 sintomas somáticos ou cognitivos expostos na lista abaixo.

1- palpitações ou ritmo cardíaco acelerado
2- sudorese
3- tremores ou abalos
4- sensações de falta de ar ou sufocamento
5- sensações de asfixia
6- dor ou desconforto torácico
7- náusea ou desconforto abdominal
8- sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
9 -desrealização ou despersonalização (sentir-se outro)
10- medo de perder o controle ou enlouquecer
11- medo de morrer
12- parestesias (formigamentos) ou anestesia
13- calafrios ou ondas de calor

Os pacientes com Transtorno do Pânico podem necessitar estarem sempre acompanhados quando saem de casa e, posteriormente, podem até se recusar a sair de casa devido ao tamanho medo de passar mal na rua, de morrer subitamente ou enlouquecer de repente. Normalmente esses pacientes têm dificuldade em dormir desacompanhados, procuram insistentemente o cardiologista e recorrem ao auxílio religioso com entusiasmo exagerado.

Os Ataques de Pânico não ocorrem somente no chamado Transtorno do Pânico típico. Eles podem ocorrer em uma variedade de Transtornos de Ansiedade, como por exemplo, na Fobia Social, na Fobia Específica, no Transtorno de Estresse Pós-Traumático e no Transtorno de Estresse Agudo. É por causa dessa não-especificidade dos sintomas de pânico que somos inclinados a julgá-lo mais como um sintoma (de depressão atípica) que como uma doença independente.

Fobias Sociais

O Estresse pode ter como sintoma psicológico um quadro grave de ansiedade chamado Fobia Social. As Fobias Sociais estão centradas em torno de um medo anormal e absurdo de expor-se a outras pessoas e tem, como conseqüência, o afastamento e evitamento sociais. Podem ser específicas às situações de comer ou falar em público mas podem ser mais difusas, envolvendo quase todas as circunstâncias sociais fora do ambiente familiar.

Neste caso, entre as situações fóbicas que invariavelmente resultam na evitação do objeto, atividade ou situação socialmente temidos, destaca-se o medo de humilhação e embaraço em lugares públicos, o medo de comer em público, falar em público, urinar em banheiro público e, muito freqüentemente, de assinar cheques à vista de pessoas estranhas.

A exposição à situação social ou de desempenho provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade, a qual pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.

DIRETRIZES E CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO PARA TRANSTORNO FÓBICO SOCIAL
1- os sintomas psicológicos, comportamentais e autossômicos devem provir da ansiedade e não de outros quadros mentais;
2- a ansiedade deve ser restrita e/ou predominar à situações sociais;
3- a evitação das situações fóbicas deve ser proeminente;
4- o comportamento de evitação interfere nas atividades sociais ou no relacionamento interpessoal;
5- a pessoa reconhece que seu medo é irracional e excessivo.

O prejuízo na atividade social de pessoas portadoras da Fobia Social pode chegar ao extremo do isolamento. Nas situações sociais ou de desempenho temidas, os indivíduos com Fobia Social experimentam preocupações acerca de embaraço e temem que outros os considerem ansiosos, débeis, "malucos" ou estúpidos.

O medo de falar em público pode ser em virtude da preocupação de que os outros percebam o tremor em suas mãos ou voz. Podem ainda experimentar extrema ansiedade ao conversar com outras pessoas pelo medo não saberem se expressar. Os sintomas de ansiedade que surgem nessas situações costumam ser palpitações, tremores, sudorese, desconforto gastrintestinal, diarréia, tensão muscular, rubor facial, etc.

Em crianças a Fobia Social pode se apresentar sob a forma de crises de choro, ataques de raiva, imobilidade, comportamento aderente ou permanência junto à mãe ou à uma pessoa familiar. Essa apatia social pode chegar ao ponto do mutismo total em certos casos de contacto com pessoas estranhas. Crianças pequenas podem mostrar-se excessivamente tímidas em contextos sociais, retraindo-se do contato, recusando-se a participar em brincadeiras de grupo, permanecendo tipicamente na periferia das atividades sociais e tentando permanecer próximas a adultos conhecidos.

Transtorno Somatoforme

O Transtorno Somatoforme pode ser mais uma das muitas manifestações clínicas emocionais do Estresse. Os pacientes com Transtorno Somatoforme em geral são poliqueixosos, com sintomas sugestivos de problemas funcionais de algum órgão ou sistema ou de alterações nas sensações corpóreas sobre a funcionalidade do organismo como um todo.

Estas síndromes funcionais podem aparecer como quadros dolorosos incaracterísticos, transtornos cardiocirculatórios, ou qualquer outro órgão ou sistema, que não se confirmam por exames especializados. Nota-se sempre, inclusive com reconhecimento pelo próprio paciente, variação na intensidade das queixas conforme alterações emocionais, embora a maioria deles insista em discordar do ponto de vista médico que aponta para a possibilidade psíquica dos sintomas.

O principal aspecto do Transtorno Somatoforme é a queixa repetida de sintomas físicos, juntamente com uma tendência persistente para investigações médicas, apesar dos seguidos resultados negativos nos exames de diagnóstico. Caso haja algum componente físico associado às queixas somáticas, aquele não explica as proporções destas. Na maioria das vezes estes pacientes manifestam um comportamento histriônico (teatral e histérico), o que motivava a antiga classificação ter incluído tais transtornos no capítulo das histerias.

Normalmente esses pacientes somatoformes estão recebendo atenção médica de mais de um profissional, envolvem mais de uma especialidade simultaneamente e a sintomatologia se apresenta de maneira dramática, vaga e exagerada.

Os pacientes com queixas somáticas normalmente relatam uma história médica bastante extensa, têm facilidade para memorizar nomes de medicamentos e de doenças complicadas, conhecem quase tudo acerca de exames subsidiários e seus relatos costumam ser um tanto dramáticos. São quase incapazes de referir uma dor simplesmente como, por exemplo, uma pontada. Normalmente eles dizem que dói como se um ferro em brasa estivesse entrando, como uma punhalada, como se arrancassem seus órgãos, etc.

SINTOMAS DO TRANSTORNO DE SOMATIZAÇÃO

1 - vômitos

12 - dor durante o ato sexual

2 - palpitações

13 - dor nas extremidades

3 - dor abdominal

14 - impotência

4 - dor torácica

15 - dor lombar

5 - náuseas

16 - dismenorréia

6 - tonturas

17 - dor articular

7 - flatulência

18 - outras queixas menstruais

8 - ardência nos órgãos genitais

19 - dor miccional

9 - diarréia

20 - vômitos durante a gravidez

10 - indiferença sexual

21 - dor inespecífica

11 - intolerância alimentar

22 - falta de ar

Para o diagnóstico do Transtorno Somatoforme é importante que os sintomas causem sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes. A representação subjetiva dos sintomas somatizados reflete sempre um aspecto sócio-cultural do paciente.

Em camadas menos diferenciadas da população notamos empobrecimento na representação dos sintomas, como por exemplo, a menstruação que sobe para a cabeça, o sangue sujo, uma dieta puerperal mal conduzida, a conseqüência desastrosa de olhar no espelho depois da refeição, uma mistura fatal de manga com leite, sustos capazes de provocar paralisias e assim por diante. Nos níveis mais diferenciados a representação da doença é melhor elaborada, como por exemplo, uma polineurite conseqüente à hipersensibilidade à algum medicamento.

De qualquer modo, a manifestação emocional somatizada não respeita posição sócio-cultural, como podem suspeitar alguns, não guarda também relação com o nível intelectual, pois, como já vimos, a emoção é senhora e não serva da razão.

O único fator capaz de atenuar as queixas é a capacidade da pessoa expressar melhor seus sentimentos verbalmente.

Quanto maior a capacidade do indivíduo referir seu mal-estar através de discurso sobre suas emoções, como por exemplo, relatando sua angústia, sua frustração, depressão, falta de perspectiva, insegurança, negativismo, pessimismo e coisas assim, menor será a chance de representar tudo isso através de palpitações, pontadas, dores, falta de ar, etc.

Sintomas do Esgotamento

O resultado do agravamento e da falta de tratamento para a situação de Estresse pode resultar no "Esgotamento", um termo leigo mas de grande valor descritivo. Diante do Esgotamento o organismo todo pode entrar em sofrimento. É como se esgotasse não apenas nossa capacidade de adaptação às mais diversas circustâncias de vida mas, sobretudo, a capacidade de nos adaptarmos à nós mesmos.

Nesses casos de Esgotamento há acentuada perda no limiar de tolerância aos estímulos externos e acentuada inadequação ambiental. O quadro clínico emocional apresentado por uma pessoa com Esgotamento é o mesmo observado nos episódios depressivos.

Entretanto, a Depressão pode aparecer sob duas formas; uma forma clássica, melhor conhecida por todos e que podemos chamar de Depressão Típica, com ansiedade, crises de choro imotivadas, angústia, tristeza e desânimo geral ou, de outra forma, de maneira mascarada, a qual, didaticamente podemos chamar de Depressão Atípica. Nesse caso a tristeza pode ser bem menor ou mesmo nem aparecer e o estado de ânimo pode estar até normal.

Existem, como veremos, formas de Depressão com muitos sintomas físicos misteriosos e dificilmente esclarecidos por exames médicos. Comecemos com os sintomas vagos e atípicos que devem sugerir início de Depressão conseqüente ao Esgotamento (Lista 1):

Dores sem causa física:

cabeça, abdominais, pernas, costas, peito e outras incaracterísticas

Alterações do sono:

insônia ou sonolência excessiva

Perda de energia:

desânimo, desinteresse, apatia, fadiga fácil

Irritabilidade:

perda de paciência, explosividade, inquietação

Ansiedade:

apreensão contínua, inquietação, às vezes medo inespecífico

Baixo desemprenho:

alterações sexuais, memória, concentração, tomada de decisões

Queixas vagas:

tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar, bolo na garganta

Evidentemente não há necessidade da pessoa apresentar todos os sintomas listados acima para suspeitar-se de Esgotamento com Depressão. Este mesmo quadro numa determinada pessoa pode não ser igual à outra, baseado naquilo que cada um sente ou mesmo, baseado nos traços de personalidade de cada um.

Os sintomas acima refletem uma espécie de esgotamento da capacidade de adaptação às circunstâncias de vida, Esgotamento este, como dissemos, ocasionado ou por excesso de fatores estressantes do dia-a-dia, ou por tendências depressivas e ansiosas da própria pessoa.

Por outro lado, o quadro depressivo que acompanha o Esgotamento pode se manifestar de forma típica. Vejamos, então, a lista dos 9 sintomas clássicos e sugestivos de um quadro de franca Depressão Típica (Lista 2):

Humor deprimido quase diariamente:

tristeza, angústia, pessimismo

Redução importante do interesse:

perda do prazer com as coisas, desinteresse

Alterações do peso:

para mais ou para menos

Alterações do sono:

insônia ou dormir demais (hipersonia)

Alterações psicomotoras:

agitação, inquietação ou lentificação

Redução da energia:

apatia, preguiça, fadiga, perda de força, cansaço

Redução da performance psíquica:

raciocínio, concentração e/ou memória diminuídos

Idéias sobre a morte:

pensar sobre, desejar ou não se importar em morrer

Alterações da auto-estima:

auto-desvalorização, sentimentos de culpa

Na realidade, os pacientes com quadro de esgotamento e franca Depressão conseqüente, poderão sentir alguns (ou todos) dos sintomas da primeira lista (Lista 1) mais alguns (ou todos) sintomas dessa segunda lista (Lista 2).

Ballone GJ - Sintomas do Estresse

Todo Mundo em Pânico

"Nada de câncer ou HIV: as doenças mentais serão o grande mal do Século XXI". Estas palavras foram proferidas por um querido professor na Escola de Medicina, nos idos do Século XX, quando eu ainda tinha cabelos e a maioria dos trabalhos científicos envolvia pesquisas direcionadas para a AIDS. Hoje percebo que ele não poderia estar mais certo – e eu, mais careca.

No dia a dia do consultório, mais da metade dos atendimentos são para tratar conseqüências de estados emocionais alterados. Por exemplo: a paciente que se queixa de dores crônicas no pescoço, mas não por artrite ou contusões, e sim por todos aqueles problemas que vencem no dia seguinte e a deixam em um estado de tensão constante. E aí tome hipertensão arterial, obesidade, angina, etc.

Recentemente, vem aumentando o número de pacientes que apresentam um distúrbio emocional em particular, a Síndrome do Pânico, uma alteração caracterizada por várias manifestações inespecíficas que ocorrem em ataques. Durante a crise, podem ser observados
palpitações, suores profusos, tremores, falta de ar, náuseas, cólicas abdominais, vertigens, desmaios, medo de perder o controle ou
enlouquecer, dormências, calafrios e fogachos.

Tudo bem, sou obrigado a concordar que qualquer pessoa levemente conectada à nossa realidade corre o risco de desenvolver muitos
desses sintomas:

A cada dia, no Brasil, ocorrem cerca de 200 assassinatos, 1.000 roubos de carros e mais de 7.500 pessoas são assaltadas - e menos de 5% destes crimes são esclarecidos. Coloque em uma panela estes números da Insegurança Pública e adicione todos os impostos que vencem no começo do ano, o material escolar das crianças e a prefeitura cavando túneis que desabam sob prédios e residências.
Tempere com o risco da sua filha adolescente contrair alguma doença sexualmente transmissível que vá lhe chamar de vovó ou vovô, e pronto: temos mais um paciente com Síndrome do Pânico aguardando na recepção.

Calcula-se que cerca de 2-5% da população mundial sofra com a doença.
As mulheres são 2-3 vezes mais afetadas que os homens, principalmente no final da adolescência e por volta dos 30 anos de idade.

Como os primeiros casos foram descritos há pouco mais de 20 anos, os cientistas ainda não conseguiram descobrir exatamente os mecanismos que causam a Síndrome. O que se sabe é que os ataques duram cerca de 20-30 minutos (raramente mais de 1 h), podendo ocorrer várias vezes ao dia. O uso de cafeína, álcool, nicotina e outras substâncias com atividade sobre o sistema nervoso central ajudam a desencadear ou potencializar as crises.

A avaliação especializada é essencial. A Síndrome do Pânico deve ser diferenciada de outros problemas potencialmente mais graves, como infarto agudo do miocárdio, doenças pulmonares, epilepsia e alterações na glândula tireóide, entre outros.
Selado o diagnóstico, o tratamento segue o mesmo roteiro de tantos outros distúrbios da ansiedade. Podem ser empregados medicamentos para controlar o estado de nervos (p.ex.: fluoxetina, paroxetina, diazepam, etc), mas é na psicoterapia que reside a cura para o problema.

Sentir medo é uma reação normal. O medo, assim como a dor, cuida da vigilância da sua saúde e bem-estar, mas em hipótese alguma ele deve lhe impedir de curtir plenamente a vida. Se isto estiver ocorrendo, procure auxílio de um profissional capacitado para dominar o estado de pânico - como aquele sujeito no interior que tinha horror a dentistas, mas foi obrigado a fazer uma consulta.

- Não tem jeito, vamos ter que retirar este dente – sentenciou o dentista.
- Mas eu estou com um medo danado, doutor!
- Você está com medo? Então tome um pouco disto aqui, pra ganhar coragem – disse o dentista, entregando ao paciente uma garrafa de cachaça -, e volte dentro de meia hora.
Passados os 30 minutos e meia garrafa depois, o paciente volta.
- E então, ganhou coragem?
- Ô, doutor, e como! *hic* Quero só ver agora qual o filho da mãe que vai encostar o dedo neste dente aqui!

Alessandro Loiola
Médico, Escritor e Palestrante
CRMMG 30.278
Belo Horizonte/MG

Obs: Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor, palestrante, autor de “Vida e Saúde da Criança” e “Crianças em forma: saúde na balança”



Medicina e Outras Ciências

Informática e Psiquiatria

Calcula-se que até 79% dos usuários da Internet procuram por informações relativas à saúde, a maioria delas fazendo pesquisas com palavras-chave para doenças específicas.

Sobre os benefícios da Internet para o profissional médico em geral e, em particular, para o psiquiatra, tem sido inegável a enorme facilidade ao acesso e aquisição do conhecimento, para a possibilidade de continuada atualização e a infinita ampliação da integração com outros profissionais do mundo todo e, se quiser, em tempo real.

Ao lado da inegável utilidade da internet, às vezes somos tentados a crer que a anedota segundo a qual "o computador veio para resolver muitos problemas que não tínhamos", poderia ser aplicado textualmente à rede web. Portanto, essa visão anedótica sugere, como já seria de se esperar, que a internet tem pontos muito positivos e alguns bastante negativos. Vejamos esses prós e contras:

Vantagens
A internet oferece ao psiquiatra, bem como para as pessoas relacionadas profissionalmente à área, uma quantidade de informações inimaginável. Essa democratização da informação científica, coloca à disposição dos interessados quase 2 milhões de páginas onde aparece a palavra psychiatry (em inglês), 139.000 em alemão, 104.000 em francês, 83.000 páginas em espanhol e 42.500 em português (fonte:Google).

Tal facilidade de comunicação profissional acaba por caracterizar a desinformação como uma espécie de "crime de omissão", tamanha a disponibilidade de todo esse material informativo. Novos medicamentos, casos clínicos, descrições minuciosas, teses e monografias, últimas pesquisas, estatísticas, enfim, tem tudo e muito mais que um profissional deve saber para que o exercício de sua profissão seja desempenhado com o mesmo nível de modernidade e eficiência entre São Paulo e Xapurí.

Para o paciente
O paciente também tem benefícios com a internet. As informações que eram negadas por uma postura mais elitista da medicina são, agora, oferecidas com a facilidade de um apertar de botões. Ali ele pode ter noções, básicas ou não, do potencial de risco de dependência de seus filhos, dos transtornos de personalidade de seu genro, dos efeitos colaterais dos medicamentos que toma, das causas de suas fobias, e por aí afora.

Alguns, além de visitarem os muitos sites de psiquiatria, também agendam consultas, enviam e-mails aos profissionais disponíveis, aos variadíssimos grupos de apoio, participam de fóruns, de grupos de discussão, etc. Muitos são aqueles que encontram na web um consolo para seus males, ou uma lenitiva cumplicidade e solidariedade de pessoas com os mesmos problemas.

Desvantagens
As desvantagens, por incrível que pareça, também são decorrentes do excessivo volume de informações. Verdadeira causa de angústia e desespero entre os profissionais, a consciência do tanto de coisas que devemos saber e não sabemos acaba por produzir um desagradável sentimento de insuficiência em alguns profissionais. Um pouco de consolo deve ser conseguido se lembrarmos que 35% das informações são repetidas.

Só o mecanismo de busca científica MEDLINE dispõe de mais de 19 milhões de artigos médicos. Para se ter uma idéia, buscando pela palavra fluoxetine a MEDLINE disponibiliza 5.600 artigos e se a palavra for schizophrenia surgem nada menos que 53.900 artigos. É bom lembrar que 700.000 artigos são acrescidos anualmente na MEDLINE, e não conseguiríamos lê-los em um ano se ficássemos contentes com menos de 1.900 por dia.

Para o paciente
A primeira ameaça da internet aos pacientes são eles próprios, ou seja, a má compreensão daquilo que lêem. Em segundo é a internet, ou seja, é o peço da democratização. Com a profusão de informações, muita coisa de péssima qualidade e procedência duvidosa disputa o mesmo espaço das matérias idôneas e cientificamente bem amparadas.

Alguns sites se dispõem a vigiar as páginas de conteúdo fantástico, esdrúxulo e duvidoso. Aliás, o site Quack Watch, que é um deles, aceita colaboradores. (visite http://www.geocities.com/quackwatch )

Ballone GJ - Informática e Psiquiatria

Prevenir Para não Remediar

"Maus hábitos são como uma cama confortável: fácil de se deitar nela, mas difícil de sair”. Autor Desconhecido

A prevenção torna-se, então, o principal objeto de estudo neste trabalho. É nela que temos aumentadas as probabilidades de alçar a “vida abundante”, além disso, evitar o aparecimento de moléstias que nos levem a remediar, ação esta provada como inadequada, pois sua única possibilidade é combater os efeitos e não a causa que cedo ou tarde irão aparecer para cobrar caro.

O problema maior é que a cultura brasileira está voltada a remediar. A automedicação é largamente praticada, pois poucas pessoas têm acesso a um atendimento médico digno, e aquelas que o têm, não o fazem. Além disso, vemos nas praças vendedores de pacotinhos com ervas medicinais, usando a cultura popular como mercadoria, portando-se como gurus da era moderna, vendendo anticelulite, cartilagem de tubarão, unha-de-gato, ginko biloba, etc., não somente nesses lugares esdrúxulos, como também no rádio e na televisão, objetivando lucro fácil, não dando valor à saúde humana, julgando que ela pode ser comprada. A ação desses medicamentos é considerada inócua e, na maioria das vezes, piora o quadro de enfermidade ou patologia.

Tenho, através deste pequeno trabalho, a mesma esperança dos autores do livro Mude sua Vida:

A despesa de custeio da assistência médica e dos seguros de saúde, assim como as crescentes complexidades da medicina moderna, estão demonstrando claramente que o futuro desse campo de atendimento individual, está na atividade preventiva. Isto trará mudanças importantes no estilo de vida de milhões de pessoas que se alimentam de maneira pouco saudável, fazem poucos exercícios físicos e se habituaram ao stress (Rusk & Miller, 1991, 196).

Um Aliado Poderoso – O Movimento do Corpo

"Toda parte do corpo se tornará sadia, bem desenvolvida e com envelhecimento lento se exercitadas; no entanto, se não forem exercitadas, tais partes se tornarão suscetíveis a doenças, deficientes no crescimento e envelhecerão precocemente”. Hipócrates

Ao longo da história, o movimento se fazia presente na rotina de todo ser humano, sempre em conformidade às necessidades de sua época: Caçar, pescar, andar, escalar, guerrear, etc. Porém, essa relação entre movimento e rotina diária veio diminuindo com o passar das eras. Provavelmente, ela tenha começado ao descobrirem a “roda”.

Há de se entender que a essência da vida é o movimento. Ora, somos pó, e isso demonstra que nosso corpo é constituído de partículas do Universo criado por Deus. Este Universo está em movimento. É por isso que nós, mesmo parados, estamos em movimento. Porém, em uma certa altura do caminho pelo planeta, o homem tomou um atalho. Fugiu da essência do seu ser físico e procurou mais conforto e comodidade, gerando esta desconfortável sociedade atual. Assim, esse ser que caminhou por milhares de anos tornou-se, de repente, sedentário, enfurnado em casa, locomovendo-se sobre rodas, subindo escadas rolantes, usando elevadores, passando horas em frente ao computador e à televisão para que, com isso, tivesse uma vida mais cômoda e confortável. Em contrapartida, nossa sociedade priorizou o trabalho intelectual em detrimento do físico, o que, em certos aspectos, é extremamente positivo. Porém, do ponto de vista da saúde orgânica, isso é um desastre. O resultado: um organismo atrofiado, cercado de doenças, mentalmente frágil e fisiologicamente desequilibrado. (RIBEIRO, 2004, 129).

O movimento do homem precisa ser desenvolvido e trabalhado de uma maneira consciente, com vistas à adequação ao seu estilo de vida, procurando sanar suas carências de movimento, cujo objetivo principal não é a competição, e sim a busca por uma melhor qualidade de vida, tanto pessoal quanto social e profissional.

"Atividade física não é apenas uma das mais importantes chaves para um corpo saudável – ela é a base da atividade intelectual criativa e dinâmica." Esta frase de John F. Kennedy nos leva a entender que, se há algo de extrema importância a ser praticado para se ter saúde, ela se chama atividade física. O movimento do corpo pode ser denominado como “atividade física”, que pode ser dividida em duas categorias: Exercício Físico e Esporte/Desporto, cujas definições, segundo Conselho Federal de Educação:

Atividade física é todo movimento corporal voluntário humano, que resulta num gasto energético acima dos níveis de repouso, caracterizado pela atividade do cotidiano e pelos exercícios físicos. Trata-se de comportamento inerente ao ser humano com características biológicas e sócio-culturais.

No âmbito da Intervenção do Profissional de Educação Física, a atividade física compreende a totalidade de movimentos corporais, executados no contexto de diversas práticas: ginásticas, exercícios físicos, desportos, jogos, lutas, capoeira, artes marciais, danças, atividades rítmicas, expressivas e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, reabilitação, ergonomia, relaxamento corporal, ioga, exercícios compensatórios à atividade laboral (do trabalho) e do cotidiano e outras práticas corporais.

1 – EXERCÍCIO FÍSICO : Seqüência sistematizada de movimentos de diferentes segmentos corporais, executados de forma planejada, segundo um determinado objetivo a atingir.
Uma das formas de atividade física planejada, estruturada, repetitiva, que objetiva o desenvolvimento da aptidão física, do condicionamento físico, de habilidades motoras ou reabilitação orgânico-funcional, definido de acordo com diagnóstico de necessidade ou carências específicas de seus praticantes, em contextos sociais diferenciados.

2 - DESPORTO/ ESPORTO: Atividade competitiva, institucionalizado, realizado conforme técnicas, habilidades e objetivos definidos pelas modalidades desportivas, determinado por regras preestabelecidas que lhe dá forma, significado e identidade, podendo também, ser praticado com liberdade e finalidade lúdica estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado, inclusive na natureza (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventura e outros). A atividade esportiva aplica-se, ainda, na promoção da saúde e em âmbito educacional de acordo com diagnóstico e/ou conhecimento especializado, em complementação a interesses voluntários e/ou organização comunitária de indivíduos e grupos não especializados.

A Atividade Física – Como Fazer

Quero, portanto, dar alguns conselhos para os ministros, com relação à atividade física e ao zelo do corpo. Isso não exclui a consulta a um profissional médico para avaliação de seu quadro clínico e também a elaboração de programa de exercícios por um profissional de educação física. A Internet possui farto material, extremamente atual com relação ao tema da atividade física. Também deixarei no final deste trabalho um conjunto de livros que ajudarão, e muito, para alguma consulta nesta área.

A atividade física funciona como uma espécie de “cutucão” que o organismo recebe para trabalhar melhor. Esse estímulo o faz reagir, levando-o à transformação e ao desenvolvimento. É o que diz o professor Nuno Cobra, mundialmente famoso, que foi personal trainer de muitos atletas consagrados, entre eles Gil de Ferran e Ayrton Senna:

Fisiologicamente o movimento provoca algo que é chamado de “estrago” pelos especialistas. Por que estrago? Sempre que alguém faz uma caminhada, por exemplo, tem um gasto de energia e provoca uma agressão ao organismo. Esse “estrago” pela lei da ação a reação provoca uma resposta orgânica. Imagine que o organismo esteja lá tranqüilo no seu processo natural de equilíbrio, vem o esforço e o desequilibra. O corpo, na busca do equilíbrio perdido, funciona a todo o vapor, estabelecendo uma serie de adaptações que provocam uma seqüência de transformações orgânicas, denominada “supercompensação”. A pessoa vai então ao nível que estava anteriormente, mas agora com um pequeno progresso. Fazendo novamente o exercício, a pessoa tem mais um “estrago” para provocar a supercompensação, e ter mais avanço. O que vai acontecer? Lá na frente depois de vários “estragos” e da supercompensação, a pessoa alcançará um nível superior de condição física. Mas se a palavra para definir o desgaste físico é estrago, é porque realmente ocorre uma violência contra o organismo. Só que é justamente o estrago que força a reação orgânica para a transformação física, propiciando à pessoa atingir um nível superior ao que estava antes (Ribeiro, 2004, 147).

Após esta clara exposição sobre o que o exercício físico causa ao nosso organismo, podemos dividi-lo em duas categorias, pois sua fisiologia e objetivos são diferentes. O exercício pode ser isotônico, ou seja, de baixa intensidade e de longa duração. A baixa intensidade denota movimento, com um esforço moderado, sem muita força. São exercícios de resistência muscular, permitindo, assim, um grande número de repetições leves, por um tempo extenso. É o exercício isotônico que usa, após 20 minutos, predominantemente gordura (lipídios), que precisa da presença de oxigênio para gerar energia e, portanto, é o mais indicado para aqueles que querem perder peso e melhorar sua performance cardiorrespiratória. A caminhada, a natação e o andar de bicicleta são exemplos básicos de exercício isotônico.

Já o exercício isométrico tem como definição um movimento de alta intensidade e baixa duração. É um exercício localizado e de força, que leva o músculo à exaustão rapidamente. Sua principal fonte de energia é o carboidrato (açúcares), que não precisa de oxigênio para ser usado. Seu objetivo é o aumento da força do músculo e, por isso, aumenta seu tamanho. A musculação, a flexão de braços, os abdominais são um exemplo básico de exercícios isométricos.

Como Começar

Este é o seu momento. Você tem momentos para Deus, para a família, para a Igreja, para os amigos, para o trabalho, para a televisão, para o “trânsito”, para tudo, menos para você. Por isso, eu repito: este é o seu momento. Você é a prioridade agora. Nada nem ninguém mais. Não assista à televisão, não leia jornal (há pessoas que fazem isso enquanto pedalam na bicicleta). Coloque em sua mente aquilo que você vai fazer para si e prepare seu corpo para isso. Todos nós preparamos sermões para pregar, você precisa estar preparado para não fazer feio. Assim também é o nosso organismo, ele é a prioridade agora. Desligue o celular, você está em uma reunião, uma das mais importantes de sua vida. A reunião da sua alma e do seu espírito com seu corpo.

O que Usar: Material Desportivo

Escolha roupas leves dê preferência ao algodão e a roupas que não sejam coladas ao corpo, objetivando uma maior evaporação do suor, para a manutenção da temperatura corporal em níveis recomendáveis. Utilize tênis apropriados ao tipo de atividade: uns para andar, outros, para correr, jogar tênis, futebol, etc. Sua importância é extrema, devido ao impacto que sofremos durante a prática; seu tipo de solado ameniza e previne o surgimento de dores decorrentes do estresse físico em algumas regiões articulares e ósseas. Um boné é bom para proteger o rosto dos raios solares ou, então, passe um protetor solar indicado para o seu tipo de pele.

Quanto ao Local e Horário

Procure exercitar-se pela manhã, num local em que os raios solares são menos intensos e também onde o índice de poluição é mais baixo. Os locais mais propensos a um exercício prazeroso são junto a parques, lagos ou praias. Evite exercitar-se junto a avenidas de grande movimento, pois seu corpo precisa captar oxigênio, para queimar gordura, e não monóxido de carbono, que é extremamente danoso para a hemácia (célula responsável pelo transporte de oxigênio, até os tecidos). Caso não seja possível, fuja, pelo menos, dos horários de sol quente e também não se exercite num horário muito próximo ao de dormir, pois é necessário um tempo razoável para que o corpo desacelere seu metabolismo e volte aos mesmos padrões de repouso. Caso isso venha a ocorrer, note que você terá dificuldades para pegar no sono.

O que Praticar e com que Freqüência

Quando falamos em exercício físico, é bom fazer uma modalidade individual, pois ela deve depender somente de você, e não de um certo número de pessoas. A natação, a bicicleta, a caminhada ou a corrida são os mais indicados. Para a natação, você precisará pagar uma academia ou clube, o que pode ser dispendioso para alguns, salvo se morar junto ao litoral. A corrida é para aqueles mais avançados, que já tem uma fisiologia (adaptação orgânica voltada para um determinado fim) cardíaca razoável. A bicicleta tem sua vantagem por não gerar impacto, mas precisa ser executada em terreno plano e sem interrupções. Já a caminhada é a grande vedete dos principiantes e daqueles que querem ter uma vida ativa sem gastar nenhum recurso mensal e realizar algo que realmente terá resultados em curto prazo, sem riscos para a saúde.

Quanto à freqüência, ela depende da disponibilidade de tempo e da intensidade do exercício. A OMS estabelece que o indivíduo que faz atividades “aeróbicas”, no mínimo, três vezes por semana, durante 30 minutos ininterruptos, já não é considerado sedentário e passa a não-alvo de uma série de enfermidades a ele relacionadas (ao sedentarismo). É o que diz o professor Fausto Arantes Porto, proprietário do site Saúde em Movimento e autor do livro: Como Montar um Centro de Treinamento Personalizado – SEBRAE:

Tipo de atividade praticada:

Escolha desse quesito passa pela interpretação do estado de saúde, nível de condicionamento físico, objetivos perante a prática das modalidades e afinidades pessoais, com a união desses fatores aumenta a possibilidade de permanência ao estilo de vida ativo.

Seria interessante incluir a variabilidade na escolha (praticar mais de um tipo de atividade), outro ponto seria a necessidade de associar o trabalho aeróbico, com o trabalho de força ou localizado e o trabalho de flexibilidade formando um programa completo em ternos de promoção da saúde.

Mas o que deve ser ressaltado é o investimento continuo no futuro onde as pessoas devem buscar formas de se tornarem mais ativas em suas rotinas diárias, subir escadas, sair para dançar, praticar atividades como jardinagem, lavar o carro, passear no parque , a palavra de ordem é movimento.

Freqüência semanal de prática - quanto a esse item existe uma relação direta com a intensidade do esforço, não se deve exercitar menos de 3 vezes por semana com o risco de não haver benefícios fisiológicos e cargas de trabalho muito intensas necessitam de repouso para regeneração após o esforço, mas para iniciantes e cargas de trabalho leves a moderadas a recomendação é para a prática na maioria dos dias da semana.

Intensidade das atividades - esse é o grande problema a ser equacionado, porque sua definição passa pela individualidade biológica onde cargas muito leves não trazem benefícios e cargas muito pesadas podem ser prejudiciais, mas se o objetivo é a promoção da saúde os estudos apontam como limiar mínimo de proteção cargas de leves a moderadas e recomendam a importância da regularidade e continuidade do trabalho, porque com a adesão ao um estilo mais ativo, geralmente existe uma progressão natural da intensidade do trabalho.  

Cabe aqui ressaltar e deixar muito claro que o exercício abdominal não tira barriga. A barriga (gordura depositada na região ventral), só diminui se tivermos um gasto calórico maior do que ingerimos como alimento, que são calorias ingeridas. A gordura em excesso, se acumula principalmente na barriga e só pode ser queimada ou gasta em atividades de longa duração (exercício isotônico e aeróbico) como caminhada, corrida, etc. O exercício abdominal (exercício isométrico e anaeróbico) fortalece o músculo abdominal, que é extremamente importante na manutenção de uma postura adequada e também na prevenção de lesões decorrentes de uma má postura na coluna vertebral, principalmente na região lombar. Se você tem dor nas costas 80% dela é decorrente da má condição do músculo abdominal e por isso sua coluna é sobrecarregada.

O alongamento também é de extrema importância para a manutenção de saúde. É ele que dá maior amplitude às articulações, músculos e tendões, evitando lesões. Ele deve ser feito antes e depois do exercício físico. Antes, de uma maneira mais branda e depois com maior amplitude, pois o músculo aquecido permite uma maior amplitude de movimento, melhorando assim a eliminação do acido láctico (substância tóxica, resultante do metabolismo muscular que provoca dores musculares após o exercício), pois favorece a circulação, aumentando a irrigação e oxigenação do sangue nos músculos.

Alexandre Abdala Karpus
Professor de Educação Física e Personal Trainer
CREF 055191- G/SP
São Paulo - SP

Obs: Alexandre Karpus é Personal Trainer do Programa Peso Leve, Medida Saudável da Central de Psicologia.



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