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mar 05

Sensibilidade masculina a toda prova?

Mudanças na sociedade propiciam transformações também nos homens! 

 

Os homens têm se mostrado mais sensíveis hoje em dia? 

Sensibilidade é uma característica inata, tanto para o homem, quanto para a mulher. A diferença é que os homens eram impossibilitados de se sensibilizarem a ponto de se expressarem, como por exemplo, com choro. Hoje em dia, os homens têm se sentido mais livres para expressar seus sentimentos, porque a partir da década de 90 houve uma modernização dos papéis masculinos e femininos. Foram permitidas expressões de afeto e sentimento sem que a sexualidade fosse envolvida.

Por que o sexo masculino tem certa dificuldade de mostrar sua sensibilidade? 
A história da humanidade mostra que o homem sempre executou tarefas com utilização da força e cumpriu deveres de suprir a família e a comunidade através da sua produtividade. Não havia espaço para atuar expressando delicadeza. Isso dificultou ao homem assumir seu lado afetivo, treinar o relacionamento emocional, tendendo, assim, a reprimir sentimentos muito mais do que as mulheres. A partir da era da globalização conhecemos outras culturas e vimos que cada uma tem características e comportamentos diferentes, não sendo a sensibilidade o principal influenciador do fato de ser ou não homem. Ficou mais fácil chorar, se permitir magoar e demonstrar sentimentos. Lembramos também que esse fato também trouxe um rebaixamento da censura moral, possibilitando haver maior liberdade sexual, emocional e de formação da personalidade dos indivíduos.

Até seguindo essa linha, por que a sociedade tem também essa dificuldade de aceitar a exposição da sensibilidade/fragilidade masculina? 
A sociedade tem misturas de cultura, os mais velhos não aceitam esse novo comportamento, mas para os mais novos, isso é normal. Os meninos já crescem vaidosos como as meninas, aprendem a se expressarem com mais facilidade, porque já não são criados como antes. Os pais, na tentativa de se atualizarem, estimulam essa nova cultura.  Não podemos esquecer que tudo que é demais faz mal. Homens muito sensíveis e mulheres pouco sensíveis são extremos que merecem atenção. Devem realizar avaliação de sua saúde emocional para checar o que está em desarranjo.

A mudança na relação, mostrando a mulher muito mais independente que o homem, complica para essa situação atual? 
Há uma mudança geral, não só na sensibilidade do homem. A mulher ocupa espaço também que pertencia aos homens. Há uma mistura de papéis e uma igualdade maior entre os sexos. O que a mulher aprendeu a fazer – sair para trabalhar – não difere do aprendizado do homem, que também aprendeu a cuidar da casa. No fim, os dois acabam executando as mesmas tarefas – é a igualdade de papéis.

As mulheres realmente preferem homens mais sensíveis ou isso é um mito? 
Como já se diz no ditado, cada panela tem sua tampa. E assim surgem relações diferentes das quais estamos acostumados a ver. Nesse mundo grande, existe de tudo e procuramos alguém que nos complete para fazer par. No intuito de facilitar o encontro de parceiros mais compatíveis existem centenas de sites que promovem o relacionamento. Também é necessário que o mundo evolua e com isso, vem a nossa adaptação. Pessoas mais velhas estranham esses valores e as mais novas criam outros. Para lidarmos bem com isso, é importantíssimo respeitar as diferenças de cada um. A cada novo tempo, novos comportamentos virão, não acaba por aqui…

No fim das contas, a mulher acaba por preferir um “homem com H” que dê segurança para ela, e acaba se irritando quando o homem se mostra muito sensível? 
Se “homem com H” for símbolo de conservadorismo, este é capaz de proteger mais mulheres submissas, mas a mulher independente de hoje não tolera mais o autoritarismo antigo. Homens muito sensíveis são capazes de dar mais amor e entender mais de questões emocionais, mas podem proporcionar menos segurança. O bom é ter tudo na medida certa. O homem não deixa de possuir capacidade de prover proteção e segurança só porque é sensível. A mulher vai preferir o homem que mais se adapte ao seu coração.

Claudia D’Andretta, CRP 67.808, Atua em Psicologia Clinica e Organizacional, São Paulo – SP. Psicóloga clínica de seguindo a linha breve de orientação psicanalítica e consultora de carreira e RH. Mantenedora deste site.

Entrevista concedida a www.padremarcelo.com.br em 01/09/2006, por Rodrigo Herrero