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nov 21

SERÁ QUE SOU BIPOLAR? Por Bruna Zilotti

Quem nunca se fez essa pergunta frente a uma mudança súbita de humor?

Ou mesmo pensou sobre uma pessoa conhecida que tem agido dessa forma ultimamente?

O termo Bipolar se popularizou devido essa característica de alternância do estado de felicidade para a tristeza e/ou irritabilidade ou o contrário em um período curto de tempo, porém a pessoa portadora desse transtorno possui sintomas graves que vão além dos altos e baixos normais por que passam todas as pessoas.

O Transtorno Bipolar é um quadro psiquiátrico complexo que pode ocasionar sérios danos na vida do indivíduo como conflitos nos relacionamentos, prejuízos nas finanças, desempenho insuficiente no trabalho ou na escola, uso de drogas e até mesmo suicídio. Para se entender melhor a dinâmica do transtorno é importante conhecer as variações de humor que caracterizam o problema, que aqui as colocarei como fases.

Na Fase Depressiva a pessoa se sente entristecida, com baixa autoestima, possui uma sensação de cansaço com dificuldade de concentração, não tem interesse e prazer em se relacionar sexualmente ou mesmo em fazer as atividades diárias, possui pensamentos negativos, sentimentos de inutilidade, desespero e culpa, se queixa frequentemente de dores físicas, tem alterações do apetite, do peso e do sono, chora com facilidade e possui ideias de morte e suicídio que muitas vezes se concretizam em tentativas.

A Fase Maníaca caracteriza-se em um estado de humor elevado, alegria contagiante ou irritabilidade agressiva, a pessoa sente como se a alegria e o bem estar fossem inabaláveis, imagina que é especial ou possui habilidades especiais, é capaz de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade. São pessoas hiperativas com o senso de perigo prejudicado, podendo envolver-se em atividades com alto potencial para insensatez, perigo, inconsequência como compulsão para compras, indiscrições sexuais e investimentos financeiros tolos.

OBS: A Hipomania é um estado mais leve da Fase Maníaca, muitas vezes os sintomas são mascarados, pois a extroversão e a euforia podem ser confundidas com algo positivo que ocorreu na vida da pessoa, não sendo percebido como exagerado quando comparado ao seu estado habitual de humor. Assim como a irritabilidade pode ser entendida como uma reação normal a um evento negativo, como uma má notícia, por exemplo.

A Fase Maníaca/Depressiva como o próprio nome diz mantém características das duas fases anteriores, o indivíduo experimenta uma rápida alternância de humor durante o dia, com agitação, insônia, alteração no apetite, podendo apresentar características psicóticas como delírios e alucinações, pensamento suicida, uso excessivo de bebidas alcoólicas e outras substâncias.

 

O Transtorno Bipolar, portanto, consiste em uma alternância entre as fases de mania e depressão, com períodos de normalidade em seus intervalos. De acordo com o tipo de variação de humor que o indivíduo apresenta caracteriza-se se o quadro é do tipo I (episódios de mania ou misto alternados com episódios depressivos – forma clássica) ou do tipo II (episódios de hipomania alternados com episódios depressivos).

O Transtorno Ciclotímico também deve ser lembrado por ser uma perturbação crônica de um humor oscilante e desregulado, cujas fases não chegam a ser configuradas como fases de mania ou depressão.

O período de duração de cada fase, assim como de seus intervalos e a identificação dos sintomas são informações importantes que ajudam no desenvolvimento do diagnóstico. O tratamento consiste em acompanhamento médico (psiquiatra), psicoterapia cognitivo-comportamental, psicoeducação e orientação familiar. Mudanças de humor fazem parte da vida, estamos sempre suscetíveis as emoções que as experiências nos trazem, temos que ter prudência e entender que para se tornar algo patológico devemos ter prejuízos significativos na esfera biopsicossocial.

É necessário tomar cuidado com as generalizações e a banalização da doença mental, por mais que o estresse da vida agitada tem servido cada vez mais como gatilho para desencadear quadros psiquiátricos, não devemos fazer pré-julgamentos ou mesmo utilizar desse tipo de problema para explicar um descontrole emocional e/ou comportamental justificável. Mas caso você tem se reconhecido nas características citadas aqui ou conheça alguém que as possua é importante buscar ajuda profissional.

 

Autoria de Bruna Zilotti, psicóloga

Referência: DSM-IV-TR – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Trad. Cláudia Dornelles; – 4.ed. rev. – Porto Alegre: Artmed, 2002.